Bagdá, Iraque – Militares dos Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (30) a retirada final de soldados e equipamentos de suas bases em solo iraquiano. A medida põe fim a 23 anos de ocupação militar contínua, iniciada com a invasão de 2003 sob a justificativa de apreender armas de destruição em massa — nunca encontradas — e que deixou um saldo de milhares de civis mortos no país.
A agressão militar da época derrubou o governo de Saddam Hussein, que havia nacionalizado as reservas de petróleo do país, levando à captura e ao enforcamento do líder iraquiano. Agora, com os quartéis desocupados pelas forças estrangeiras, os líderes políticos de Bagdá declararam o restabelecimento do controle iraquiano sobre todo o território.
“Uma nova fase começou, definida pela soberania do Iraque, pela força de suas instituições, pela prontidão de suas forças, pela unidade na tomada de decisões e por parcerias equilibradas com seus aliados”, afirmou o primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi. Em comemoração à saída dos batalhões estrangeiros, o premiê decretou 1º de outubro como feriado oficial de quatro dias sob o nome de “Dia da Independência”.
“Primeiro de outubro será um novo dia na trajetória do Estado iraquiano, com o país livre de qualquer presença militar estrangeira e a conclusão da soberania nacional sobre seu território”, disse Zaidi. Na segunda-feira, os chefes dos três poderes iraquianos já haviam declarado conjuntamente que a data representa “uma ocasião nacional que afirma a conclusão do caminho do Iraque rumo à soberania e consolida a presença do Estado e de suas instituições”.
Nos Estados Unidos, o ex-presidente Donald Trump manifestou-se na internet e tratou o fim da permanência das tropas como o término de um prejuízo bilionário. “Foram muitas decisões ruins que nos envolveram nesse atoleiro. Foi um atoleiro. Durou muitos e muitos anos. “Mas, em breve, essa parte da história chegará ao fim”, escreveu Trump, classificando a presença militar de mais de duas décadas como “uma excursão muito cara ao inferno”, com custo superior a US$ 1 trilhão aos cofres de Washington.
A desocupação acontece em meio à derrota da tentativa dos EUA de derrubar o governo do Irã, iniciada em 28 de fevereiro deste ano em conjunto com forças de Israel. Logo no primeiro dia dessa ofensiva, os ataques mataram cerca de 186 pessoas em território iraniano, a maior parte civis. Entre os mortos estavam 120 crianças e 35 adultos, vítimas de um bombardeio norte-americano contra uma escola na cidade de Minab.
Como resposta, o governo do Irã fechou a circulação naval no Estreito de Ormuz, passagem por onde escoa 20% do petróleo vendido no planeta, e bombardeou com mísseis e drones diversas instalações dos EUA instaladas em países aliados na região: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Omã e Jordânia.
A retaliação iraniana destruiu o principal centro logístico da Marinha dos EUA, sediado no Bahrein, e deixou a infraestrutura bélica norte-americana enfraquecida no Oriente Médio, com estoques criticamente baixos de mísseis interceptores, projéteis de precisão e armas de longo alcance.
Um relatório do inspetor-geral do Departamento de Guerra dos EUA calculou em US$ 33,4 bilhões os custos da investida contra o Irã. O documento especifica perdas de US$ 3,7 bilhões em equipamentos destruídos e US$ 22,3 bilhões em munições gastas. O levantamento também revelou que os mísseis e drones iranianos destruíram centenas de edifícios e instalações militares norte-americanas, deixando em aberto se haverá recursos para reconstruir as estruturas após o fracasso de seus sistemas defensivos.



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