Foz do Iguaçu, PR – Há lugares que parecem existir à margem de Foz do Iguaçu, mas que, na verdade, sustentam parte daquilo que a cidade ainda consegue preservar. Na comunidade quilombola Horta do Seu Zé e da Dona Laíde, a floresta não está separada da vida. Ela cresce junto à casa, à horta, ao córrego, aos animais e às histórias de uma família que, há décadas, constrói sua existência nesse território.
Entre árvores, água e cultivo, o lugar guarda uma forma de relação com a terra que não se mede apenas pelo que ela produz, mas também pelo que consegue manter vivo. O Córrego Brasília atravessa esse território e segue seu caminho até o Canal da Piracema, dentro da área da Itaipu Binacional. A água que passa por ali não conhece os limites desenhados pela cidade. Por isso, cuidar desse pequeno trecho de floresta também significa cuidar das águas que atravessam Foz do Iguaçu e de uma paisagem muito maior do que os limites da própria comunidade.
Em uma cidade marcada pela presença de grandes áreas de floresta e por uma das paisagens naturais mais importantes do Brasil, a existência de territórios como este também são essenciais para manter a vida. São espaços onde a natureza permanece integrada à vida cotidiana, onde o cultivo convive com a mata e onde preservar não significa simplesmente deixar a floresta intocada, mas estabelecer com ela uma relação de cuidado.
Talvez seja justamente aí que esteja a força deste lugar: naquilo que ele preserva sem fazer alarde. Uma nascente, uma árvore, um pedaço de mata, o curso de um córrego, o conhecimento passado entre gerações. Pequenas permanências que, somadas, ajudam a sustentar a vida da cidade.
Olhar para esta floresta é também olhar para uma parte de Foz do Iguaçu que muitas vezes permanece escondida. Um território onde memória, comunidade e natureza não são coisas distintas. Onde preservar a floresta é, ao mesmo tempo, preservar uma história e uma maneira de viver. E enquanto a cidade cresce ao redor, a floresta continua ali. Não como cenário, mas como parte viva do território.
AGRADIMENTO ESPECIAL: Maria Serrate dos Santos, filha dos fundadores José João e Laíde Rufino dos Santos.



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