Khan Younis, Faixa de Gaza – O avanço acelerado de doenças de pele em Gaza atinge em massa milhares de palestinos abrigados em tendas improvisadas de lona, em meio a temperaturas extremas de verão, bombardeios e cerco militar. O calor sufocante dentro dos acampamentos, somado ao bloqueio que impede o acesso regular a água potável, itens de higiene básica e sabão, transformou os refúgios em focos de contágio de infecções cutâneas graves, catapora e feridas bacterianas.
No campo de Al-Attar, situado na região de Al-Mawasi, em Khan Younis, o sofrimento tem rosto e idade. A pequena Sama, de apenas dois anos, passa os dias deitada com o corpo coberto por bolhas inflamadas provocadas pela catapora. As lesões causam coceira intensa, sangramentos e febre persistente. Ao lado da menina, a avó Umm Ahmed Tabaza, de 70 anos, usa um pedaço de papelão para abanar a neta em uma tentativa de aliviar o calor e a dor. A família não consegue dar banho na criança com água comum por receio de infectar ainda mais as feridas abertas.
A transmissão foi imediata devido à superlotação dos espaços. A mãe de Sama relatou a gravidade da rotina à agência de notícias Quds Press: “Mais de 12 pessoas vivem dentro da tenda, incluindo meus cinco filhos e os três filhos da minha irmã falecida. Sama contraiu catapora há cerca de uma semana, e a infecção rapidamente se espalhou para a maior parte da família.”
A crise de saúde é confirmada pelas equipes médicas que atuam nos hospitais locais. O diretor do Hospital Kamal Adwan, localizado no norte de Gaza, Dr. Hussam Abu Safiya, explicou que a proliferação descontrolada dessas infecções decorre da ausência total de ventilação, das condições sanitárias precárias e da carência de remédios. O médico relatou que bebês acometidos pelas doenças sofrem febres altas e chegam a rejeitar o leite materno devido à fraqueza e às dores. Abu Safiya alertou ainda que feridas cutâneas não tratadas estão evoluindo para infecções generalizadas no sangue, como quadros de sepse, que podem levar crianças à morte.
Diante do colapso, a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) declarou que a população vive em condições desumanas. O órgão internacional cobra a entrada urgente de combustíveis para reativar sistemas de bombeamento e tratamento de água potável, além do fornecimento de suprimentos de higiene, como sabonetes e desinfetantes. Ao mesmo tempo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e agências parceiras alertam para o perigo iminente de um surto de poliomielite, após testes identificarem a presença de fragmentos do vírus em amostras de esgoto a céu aberto coletadas no território.



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