Organização vinculada ao Príncipe Harry do Reino Unido está ligada a abusos de direitos humanos na África

Esta mulher Baka foi estuprada por um guarda florestal do African Parks. “O African Parks são pessoas muito ruins. Todo mundo que trabalha lá é muito ruim com a gente. Aquele homem foi cruel, ele foi desumano.” © Survival

Esta mulher Baka foi estuprada por um guarda florestal do African Parks. “O African Parks são pessoas muito ruins. Todo mundo que trabalha lá é muito ruim com a gente. Aquele homem foi cruel, ele foi desumano.” © Survival

A informação veio à tona depois de uma grande investigação publicada no jornal britânico Daily Mail

Os abusos ocorreram no Parque Nacional Odzala-Kokoua, localizado na República do Congo, que é administrado pela organização African Parks. O príncipe Harry é membro do Conselho de Diretores, cargo ao qual foi “elevado” em 2023, após ter sido presidente da organização por seis anos.

A investigação revelou provas de inúmeras atrocidades cometidas pela “milícia armada” do African Parks contra indígenas do povo Baka que vivem na região. Faz anos que a organização sabe desses abusos, e mesmo assim eles continuaram acontecendo.

Dois indígenas Baka de uma comunidade que foi expulsa de suas terras para dar lugar ao Parque Nacional Odzala-Kokoua. Muitas pessoas da aldeia foram espancadas e abusadas por guardas florestais. “Estamos com medo dos guardas nos verem na floresta e nos baterem.” © Survival

 

Um homem Baka disse ao Daily Mail: “O African Parks está nos matando lentamente. Estamos sofrendo tanto que poderíamos já estar mortos.”

Outro indígena disse: “O passado era muito melhor para nós – e o motivo disso é o African Parks”.

Leia mais: Marco Legal da Cannabis pode permitir plantio caseiro no Brasil

Outro homem Baka, Moyambi Fulbert, que foi citado no relatório, deixou esta mensagem para o príncipe Harry: “Eu diria a ele para parar de apoiar o African Parks. Ele é um homem poderoso. Ele come bem e vive bem – mas agora nós não temos nada e é tudo por causa do African Parks.”

Os Baka e outros caçadores-coletores que viveram e cuidaram das florestas no Congo desde tempos imemoriais viram muitas das suas terras serem roubadas e transformadas em Parques Nacionais e em outras “Áreas Protegidas”.

Eles foram expulsos de suas terras e, agora, vivem sem sua floresta, em condições precárias e dependentes de outros, ou até mesmo usados como “atrações turísticas”.

Enquanto eles são proibidos de entrar na sua floresta ancestral, petroleiras, madeireiras, mineradoras e até praticantes de caça esportiva são considerados “parceiros” da conservação ambiental e podem continuar atuando na região.

A Diretora da Survival International, Caroline Pearce, disse hoje: “O African Parks, junto com outras grandes organizações de conservação ambiental como o WWF, tomam terras indígenas para transformá-las em parques ou reservas militarizadas – e depois seus guardas florestais atacam pessoas como os Baka por eles tentarem viver seu modo de vida tradicional. O príncipe Harry pode ajudar a impedir isso.”

“Estamos pedindo a ele que renuncie a seu cargo no Conselho de Diretores do African Parks. Ele precisa se afastar de uma organização que é cúmplice de despejos e abusos hediondos contra povos indígenas.”

“Os financiadores dessa organização devem retirar o seu dinheiro até que os Baka possam retornar ao parque e ter seus direitos à terra reconhecidos.”

“Os abusos que o Daily Mail descobriu estão sendo repetidos em várias partes da África e Ásia – este não é um caso isolado. Todo o modelo de conservação praticado por grandes organizações de conservação ambiental é construído sobre o roubo de terras indígenas e a expulsão de pessoas de suas terras – assim como ocorreu no período colonial. É hora de descolonizar a conservação ambiental.”

Pesquisadores de Survival que estiveram em Odzala-Kokoua estão disponíveis para entrevistas. Fotos e vídeos estão disponíveis aqui.

Sair da versão mobile