Mais de 4.500 crianças foram retiradas do trabalho infantil em dois anos

Sessão na Câmara dos Deputados destaca a gravidade do problema e a importância da fiscalização

Foto: Divulgação/Secom/Governo Federal

Durante uma sessão especial na Câmara dos Deputados, celebrando os 30 anos de combate ao trabalho infantil no Brasil, Luiz Felipe Brandão, secretário de Inspeção do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), anunciou que aproximadamente 4.500 crianças foram afastadas do trabalho infantil nos últimos dois anos. O evento ocorreu na quinta-feira, 5 de dezembro, no Plenário 9 e enfatizou a importância de políticas públicas e fiscalização para proteger a infância.

O MTE, cofundador do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI), destacou o papel essencial da rede de combate ao trabalho infantil, que abrange 27 fóruns estaduais e 48 entidades de trabalhadores, empregadores e da sociedade civil. Brandão ressaltou que, ao longo dos últimos 20 anos, cerca de 140 mil crianças e adolescentes foram retirados de situações de trabalho.

Desafios persistentes

Apesar dos avanços, Brandão alertou sobre a gravidade da situação, com cerca de 1,6 milhão de crianças ainda trabalhando no Brasil, muitas em condições precárias. A sessão, presidida pela deputada federal Érika Kokay, contou com a presença de representantes de diversas instituições, incluindo a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Katerina Volcov, secretária-executiva do FNPETI, destacou o paradoxo de celebrar uma instituição cujo objetivo é a extinção do trabalho infantil. Ela enfatizou que, apesar de uma legislação robusta, como o Estatuto da Criança e do Adolescente, a proteção integral ainda enfrenta desafios devido à baixa priorização da infância nos orçamentos públicos.

Ações de fiscalização e inclusão

O auditor-fiscal Roberto Padilha, coordenador da Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil, explicou que a Secretaria de Inspeção do Trabalho possui uma coordenação nacional que articula ações de fiscalização. Essas fiscalizações garantem o afastamento imediato de crianças do trabalho, assegurando também a quitação de direitos trabalhistas e a aplicação de penalidades.

Padilha ressaltou a importância da inclusão de adolescentes a partir de 14 anos, egressos do trabalho infantil, em programas de aprendizagem profissional, proporcionando oportunidades de qualificação em ambientes seguros.

Reconhecimento e iniciativas futuras

Durante a sessão, o FNPETI homenageou pessoas e instituições que se destacaram no combate ao trabalho infantil ao longo das três décadas, incluindo a Secretaria de Inspeção do Trabalho e auditoras-fiscais como Marinalva Dantas, Denise Brambilla Gonzalez e Virna Damasceno.

A Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil, coordenada pelo MTE, é fundamental para implementar políticas de prevenção e erradicação do trabalho infantil no Brasil. Com a recente publicação do Decreto nº 11.496, a comissão voltou a incluir representantes da sociedade civil, reforçando seu papel nas deliberações.

Atualmente, a comissão está desenvolvendo iniciativas como o IV Plano Nacional para Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e a definição de fluxos de atendimento a crianças e adolescentes vítimas de trabalho infantil. Essas ações refletem o compromisso do Governo Federal em garantir a proteção integral das crianças e adolescentes brasileiros.

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