Felicidade é o sonho de consumo dos humanos. Procuramos sempre ser feliz. É comum termos momentos de felicidade, mas, geralmente, são momentos e não uma consistência ao longo da vida. O Butão, pequeno país oriental, desenvolveu o FIB – Felicidade Interna Bruta, um indicador para medir cientificamente a felicidade de seus distritos, avaliar e acompanhar os progressos de desenvolvimento em longo prazo.
Este novo indicador começa a nortear os governantes do mundo inteiro, por ser um valioso conjunto de indicadores que auxiliam na tomada de decisões para o desenvolvimento mais global e harmonioso de suas metas . Na Rio + 20, foi um dos temas que ganhou destaque.
O PIB – Produto Interno Bruto – é o indicador mais famoso na comparação entre países, pois mede as suas riquezas em uma única dimensão: a atividade econômica. Por esta razão, no final do século passado, foi criado o IDH – Índice de Desenvolvimento Humano -, com três dimensões: expectativa de vida, acesso ao conhecimento e padrão de vida decente para avaliar, também, a qualidade de vida das pessoas. São medições bem distintas, pois enquanto melhoramos a economia, em função da estabilidade da moeda, ainda nos deixa em posição vergonhosa no ambiente social.
Para se ter uma ideia, o Brasil deve obter o 5º lugar este ano no PIB e está em 84º colocação no IDH, posição inversa da Argentina que ocupa a 27ª posição na área econômica, mas está em 44º lugar no IDH. Nossos vizinhos são considerados pelo conceito do IDH como país com desenvolvimento alto e nós estamos classificados como de médio desenvolvimento, em posição próxima ao subdesenvolvimento.
Agora, podemos o FIB possibilita medir a felicidade através de uma visão budista. Isto representa uma maior amplitude na abordagem da felicidade e do bem-estar do que os ocidentais. São 9 dimensões, com inúmeras variáveis que, ao serem satisfeitas, podem considerar uma pessoa ou uma população feliz. O FIB é atualmente uma forma de direcionamento das políticas públicas no Butão, pois abrange um desenvolvimento socioeconômico sustentável e igualitário, além de respeitar os valores culturais do país. Com isto, é possível obter uma boa governança.
A medição passa por vários fatores como: compaixão, egoísmo, generosidade, frustração, inveja, poluição dos rios, erosão dos solos, saúde nos últimos 30 dias, conhecimento sobre lendas locais e histórias folclóricas, nível de educação, mentir, renda domiciliar, horas trabalhadas e de sono, vizinho se ajudando dentro da comunidade, corrupção, liberdade de imprensa e confiança nos Ministérios Locais são alguns dos 72 itens avaliados.
Nota-se que podemos utilizar esta metodologia para medir a felicidade pessoal. A abrangência das questões dá a certeza de quanta coisa fazemos ou não fazemos, que desvalorizamos por causa da velocidade do cotidiano, da pressa de continuar conectado. A felicidade passa por sermos líder de nossas vidas e esta é uma boa de reflexão para agir em áreas que nem sempre priorizamos.
Devemos pensar no todo da felicidade, unindo corpo, mente, coração e espírito para que possamos estar e continuar feliz. A dimensão do corpo, a mais valorizada pela sociedade, não é mais importante do que as outras dimensões
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Pensamos arduamente no trabalho em cultuar o corpo e ganhar cada vez mais, mas devemos lembrar que a vida tem outras prioridades também e, assim como o retrato de nosso querido país, podemos fazer um pouco mais para diminuir este gap entre nossas riquezas materiais e as diferenças sociais. Aos mais afortunados, pense em ser voluntario e ajudar ao próximo. Isto não tem preço.
Por Carlos Rosa
