Brasil registra menor número de homicídios e latrocínios da década no primeiro trimestre de 2026

Dados apontam queda consistente e avanço na atuação das forças de segurança

Redução de homicídios marca melhor resultado da década. Foto: Divulgação/Agência SP

Brasília (DF) — O Brasil registrou, entre janeiro e março de 2026, o menor número de homicídios dolosos e latrocínios dos últimos dez anos para o período. Os dados, divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública com base no Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), apontam uma redução consistente dos crimes letais e indicam mudança no padrão de enfrentamento à violência no país.

No recorte histórico, os homicídios dolosos caíram de 12.719 casos em 2016 para 7.289 em 2026, o que representa uma redução de 42,7%. Já os latrocínios — roubos seguidos de morte — recuaram de 591 registros para 160 no mesmo período, queda de 72,9%. O resultado consolida o melhor desempenho da década para o primeiro trimestre.

A tendência de queda também aparece na comparação mais recente. Entre 2022 e 2026, os homicídios dolosos diminuíram 25%, passando de 9.714 para 7.289 ocorrências. No caso dos latrocínios, a redução foi de 48,1%, com os registros caindo de 308 para 160.

O cenário acompanha o aumento da atuação das forças de segurança. O número de mandados de prisão cumpridos cresceu 37,1% no período, passando de 53.212 em 2022 para 72.965 em 2026. O dado indica maior capacidade de investigação, identificação e responsabilização de envolvidos em crimes.

Em análise de médio prazo, a redução também se mantém. Entre os períodos de 2019 a 2022 e de 2023 a 2026, os homicídios dolosos caíram 16,2%, passando de 41.485 para 34.758 registros. O resultado reforça a continuidade da queda da violência letal no país.

“Os dados mostram que o Brasil não está apenas reduzindo a violência, mas mudando a forma de enfrentá-la. Hoje, trabalhamos com integração entre as forças de segurança, uso intensivo de inteligência e atuação coordenada em todo o país”, afirmou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.

Segundo o governo federal, a estratégia tem priorizado a integração entre União e estados, o uso de dados para orientar operações e o enfrentamento das estruturas econômicas do crime, especialmente em áreas ligadas à receptação e aos crimes patrimoniais.

O avanço dos indicadores ocorre também em um cenário de aumento de investimentos em segurança pública. Os recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública passaram de R$ 970,7 milhões no biênio 2021–2022 para R$ 1,76 bilhão em 2023–2024, alta de 80,9%. Os investimentos foram direcionados à aquisição de equipamentos, tecnologia, perícia, formação policial e integração entre forças de segurança.

“Mais investimento aliado à integração entre União e estados tem impacto direto na redução da violência. Com estruturas mais modernas e atuação coordenada, as forças de segurança conseguem agir com mais precisão”, afirmou o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas.

Apesar da redução nos índices, especialistas apontam que o desafio permanece em manter a queda de forma sustentável e enfrentar desigualdades regionais, que ainda influenciam os níveis de violência em diferentes estados.

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