Yara Barros recebe o Whitley Award for Nature 2025 por conservação das onças-pintadas

Com 30 anos de experiência, a bióloga brasileira iniciou sua carreira com a ararinha-azul antes de se dedicar às onças.

Foto: Divulgação/Projeto Onças do Iguaçu

A bióloga brasileira Yara Barros, especialista em conservação de onças-pintadas no Parque Nacional do Iguaçu, foi a vencedora do prestigiado Whitley Award for Nature 2025. O reconhecimento celebra suas significativas contribuições para a proteção da espécie e seu trabalho junto às comunidades locais. A paixão de Yara pelas onças teve início em 2018, durante um projeto sobre grandes felinos, quando conheceu a onça ‘Croissant’.

“Olhar aqueles olhos dourados foi encantador; naquele momento, soube que não queria fazer mais nada”, relatou Yara.

Após oito anos dedicados à proteção do maior felino das Américas, Yara recebeu o prêmio, conhecido popularmente como ‘Oscar Verde’, que homenageia iniciativas de conservação em todo o mundo. Além do reconhecimento internacional, a cientista receberá 50 mil libras (aproximadamente R$ 370 mil) para o desenvolvimento de seus projetos.

Como coordenadora-executiva do projeto Onças do Iguaçu, Yara lidera os esforços para a preservação das onças-pintadas, consideradas espécies-chave para a manutenção da biodiversidade do parque. “Onde há onças, há vida. Se a mata sustenta uma população de onças a longo prazo, ela é saudável para muitas outras espécies”, explicou em entrevista.

Yara enfatiza a importância de aumentar a conscientização sobre o papel crucial das onças no ecossistema. “A missão do projeto é a conservação da onça como uma espécie-chave. Nossa visão é a de pessoas, onças e o parque prosperando juntos. O medo que muitos sentem vem da falta de conhecimento sobre a espécie”, detalhou.

Com 30 anos de experiência na área de conservação, Yara iniciou sua carreira trabalhando com a ararinha-azul, espécie criticamente ameaçada de extinção. “Meu primeiro trabalho foi com ararinhas, quando havia apenas um macho na natureza. Morei em Curaçá, na Bahia, por quatro anos, dedicando-me a essa espécie”, contou.

Após passagens pelo Ibama e pelo ICMBio, Yara assumiu a coordenação das ações de conservação de onças no Parque Nacional do Iguaçu em 2017. “Quem não gosta de onça, não é mesmo?”, disse ao aceitar o desafio.

Em sua primeira campanha de captura, Yara conheceu Croissant e desenvolveu um forte vínculo com a espécie. “Ele ganhou meu coração para o resto da vida. Trabalhei com conservação por 30 anos, mas com onças, são 8 anos”, compartilhou.

Ao assumir a coordenação, Yara renomeou o projeto de ‘Carnívoros do Iguaçu’ para ‘Onças do Iguaçu’, buscando uma comunicação mais eficaz com o público. “Carnívoro não engaja; queria algo que falasse com as pessoas”, justificou.

O projeto abrange a captura e o monitoramento das onças, com um foco significativo no engajamento da população local. “Trabalhamos em 10 cidades ao redor do parque, pois os conflitos ocorrem quando as onças deixam a mata e atacam animais de criação”, explicou.

Yara implementou iniciativas como programas de geração de renda, incentivando a produção de artesanato por mulheres da comunidade. “Quando você compra um artesanato, está ajudando a cuidar das nossas onças”, destacou.

O projeto também desenvolve atividades educativas em escolas e outros espaços, com o objetivo de “substituir o medo por encantamento e levar as onças ao coração das pessoas, pois o medo muitas vezes vem da falta de conhecimento”.

Entre os principais desafios enfrentados, Yara aponta a necessidade de recursos e a importância do Whitley Award para a continuidade de suas ações. “O medo é uma grande ameaça. O risco real de acidentes com pessoas é baixo, mas a percepção de risco é alta, levando as pessoas a quererem matar os felinos”, explicou.

Yara ilustrou as intervenções do projeto em situações de ataques de onças: “Se uma onça entra em uma propriedade e mata um animal, estamos presentes para evitar que isso aconteça novamente, reduzindo a vulnerabilidade com cercas e outras medidas”.

Após oito anos de trabalho dedicado, Yara observa uma mudança gradual na relação entre as onças e a comunidade. “A imagem da onça como um predador perigoso está enraizada no inconsciente coletivo. Por isso, fazemos visitas a escolas, conversamos com crianças e adultos, trazendo-os para o parque”, concluiu.

O projeto realiza cerca de 400 visitas a propriedades anualmente e mantém um atendimento 24 horas para ocorrências de avistamento de onças fora da mata. “Estamos percebendo um aumento na tolerância em relação às ações de conservação”, finalizou Yara.

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