Brasília, DF – A atualização da caderneta de vacinação de milhões de crianças e adolescentes entra no centro das escolas brasileiras a partir desta semana. Começa nesta sexta-feira (24) a mobilização nacional que leva equipes de saúde diretamente às unidades de ensino público para ampliar a cobertura vacinal e conter o avanço de doenças evitáveis.
A ação segue até o dia 30 de abril e deve alcançar cerca de 27 milhões de estudantes, de 9 meses a 15 anos, em mais de 100 mil escolas espalhadas por 5.544 municípios. A estratégia é simples: levar a vacina até onde os estudantes estão, reduzindo barreiras de acesso e aumentando a adesão.
Durante a semana, serão ofertadas doses do calendário básico, incluindo vacinas contra HPV, meningite, sarampo, febre amarela, Covid-19 e outras doenças. A vacinação será feita por equipes do SUS, com autorização prévia dos responsáveis.
Além do público infantil, a campanha também amplia o alcance da vacina contra o HPV para jovens de 15 a 19 anos que não se imunizaram na idade recomendada, especialmente estudantes do ensino médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
A iniciativa integra o Programa Saúde na Escola, que aproxima os serviços de saúde do ambiente escolar. Na prática, isso significa menos deslocamento para as famílias e mais agilidade na proteção dos estudantes.
Nos últimos anos, o país vem tentando recuperar os índices de vacinação, afetados durante a pandemia. Dados recentes mostram avanço na cobertura: a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, já ultrapassa 92%, enquanto a imunização contra o HPV também cresce, especialmente entre meninas.
A campanha também aposta em tecnologia para ampliar o alcance. A caderneta digital de vacinação, disponível no aplicativo Meu SUS Digital, permite acompanhar doses e receber lembretes automáticos. Além disso, mensagens informativas vêm sendo enviadas diretamente aos usuários por canais digitais, como WhatsApp e plataformas do governo.
Levar a vacinação para dentro das escolas é mais do que uma estratégia logística — é uma resposta direta à queda histórica na cobertura vacinal dos últimos anos.
Ao ocupar o espaço escolar, o governo federal tenta recuperar um vínculo que foi enfraquecido: o da confiança na ciência e na prevenção. O desafio agora não é apenas ampliar números, mas garantir continuidade e acesso, especialmente em regiões mais vulneráveis.
