Pesquisa mostra que padrão de consumo de álcool impacta saúde do fígado

Pesquisa indica que padrão de ingestão pode ser mais prejudicial do que consumo distribuído ao longo do tempo

Pesquisa analisou dados de mais de 8 mil adultos. Foto: Gettyimages.ru

Foz do Iguaçu, PR – Um estudo liderado pela Universidade do Sul da Califórnia aponta que o consumo excessivo ocasional de álcool pode aumentar significativamente o risco de doenças hepáticas graves, mesmo quando ocorre de forma esporádica.

De acordo com os resultados, um único episódio mensal de ingestão intensiva pode triplicar a probabilidade de desenvolvimento de fibrose hepática avançada em pessoas com condições pré-existentes. A doença é caracterizada pelo acúmulo de tecido cicatricial no fígado, decorrente de inflamação prolongada, e está associada a fatores como consumo de álcool, obesidade e distúrbios metabólicos.

O estudo analisou dados de mais de 8 mil adultos ao longo de seis anos, com foco em pessoas diagnosticadas com doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica. Mais da metade dos participantes relatou episódios de consumo excessivo ocasional, o que permitiu aos pesquisadores avaliar os impactos do padrão de ingestão, além da quantidade total consumida.

“O padrão importa muito, e o consumo excessivo de álcool em episódios pontuais é extremamente comum.”
Brian Lee

Segundo o pesquisador, concentrar o consumo em períodos curtos pode causar mais danos ao fígado do que ingerir quantidades menores distribuídas ao longo do tempo.

O estudo também chama atenção para um comportamento comum: a ideia de “compensar” o consumo, concentrando a ingestão em finais de semana ou ocasiões específicas.

| “Muitos pacientes perguntam se podem beber mais nos fins de semana se não bebem durante a semana, como se tivessem uma ‘cota’ semanal, e nosso estudo mostra que a resposta é não.”
Brian Lee

A pesquisa indica que esse padrão aumenta o impacto negativo no fígado, elevando o risco de complicações.

Avaliação de especialistas e limites do estudo

Especialistas em saúde também destacam a importância do padrão de consumo. Para Julian Braithwaite, o modo como o álcool é ingerido influencia diretamente os riscos.

“A forma como você bebe importa.”
Julian Braithwaite

Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que o estudo é observacional e baseado em dados autodeclarados pelos participantes, o que pode representar limitações metodológicas.

Ainda assim, a análise aponta que o consumo excessivo episódico merece maior atenção tanto na prática médica quanto nas políticas de saúde pública, devido ao seu potencial impacto no aumento de doenças hepáticas.

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