Foz do Iguaçu, PR – A conservação da biodiversidade como fator estratégico para a sustentabilidade e a sobrevivência das empresas está no centro dos debates do 4º Encontro de Negócios e Biodiversidade da Coalizão Life, realizado entre os dias 27 e 29 de abril, no Refúgio Biológico Bela Vista, da Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu.
O evento reúne representantes de organizações como O Boticário, BRDE, Petrobras, Vale, Sanepar e Klabin. A programação aborda temas relacionados às mudanças climáticas, economia verde, financiamento ambiental e integração da biodiversidade às estratégias corporativas.
Segundo a diretora executiva do Instituto Life, Regiane Borsato, um dos principais objetivos do encontro é ampliar o debate sobre os impactos ambientais nos modelos econômicos e empresariais.
“Nosso grande desafio é internalizar o conceito da conservação da natureza na economia”, afirmou. “Temos muitos aspectos extremamente relevantes nos serviços prestados pelos ecossistemas que a economia não reconhece. Então, nossa ideia, por meio da Coalizão Life, é justamente integrar a biodiversidade à estratégia empresarial.”
Além das discussões sobre mudanças climáticas e conservação ambiental, o encontro também debate o papel dos setores público e privado na implementação do Plano Nacional de Biodiversidade, instrumentos financeiros sustentáveis e o mercado de créditos de biodiversidade. Outro tema em pauta é o Tropical Forest Forever Facility, fundo voltado ao financiamento da conservação de florestas tropicais.
A Itaipu, anfitriã do evento e integrante da Coalizão Life, apresentou ações de conservação ambiental desenvolvidas ao redor do reservatório da usina, incluindo a proteção de mais de 100 mil hectares de Mata Atlântica no Brasil e no Paraguai. A programação inclui ainda visita técnica ao Refúgio Biológico Bela Vista, onde são conduzidos projetos de reprodução e preservação da fauna.
As iniciativas ambientais da empresa são reconhecidas pela Certificação Life, concedida a organizações comprometidas com a conservação da biodiversidade e a manutenção dos serviços ecossistêmicos.
O engenheiro florestal Luis Cesar Rodrigues da Silva, da Divisão de Áreas Protegidas da Itaipu, destacou que a metodologia da certificação permite mensurar os impactos ambientais das atividades empresariais.
“A Itaipu já adota a Certificação Life há mais de 10 anos. O grande diferencial dessa metodologia é que ela mostra, em números, quais são os impactos positivos e negativos sobre o meio ambiente”, explicou. “Com isso, a empresa pode definir qual a sua estratégia, mitigando os impactos negativos e selecionando as melhores ações para um impacto positivo sobre a biodiversidade.”
O presidente do Instituto Life, Roberto Klabin, ressaltou a necessidade de as empresas incorporarem práticas de conservação ambiental como parte da gestão corporativa.
“As empresas que estão aqui dependem da biodiversidade para sobreviver, como é o caso da Klabin, uma empresa florestal, que graças às florestas nativas que mantém junto às florestas plantadas consegue ter produtividade e proteção contra problemas ambientais”, afirmou.
Para ele, a integração entre conservação ambiental e atividade econômica deve se consolidar como diferencial competitivo nos próximos anos.
“O objetivo é mostrar que quanto mais nós considerarmos a biodiversidade dentro dos negócios, mais vamos conseguir ter equilíbrio e entender a nossa interdependência com o ecossistema, e garantir que essa interdependência se transforme em vantagem competitiva lá na frente”, concluiu.
