Rio de Janeiro (RJ) — Uma mulher trans denunciou ter sido vítima de transfobia dentro do BarraShopping, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, após um episódio envolvendo a atriz Cássia Kis. O caso ocorreu na sexta-feira (24) e ganhou repercussão após a divulgação de vídeos nas redes sociais.
A vítima, identificada como Roberta Santana, afirma que foi constrangida ao tentar utilizar o banheiro feminino do shopping, onde trabalha. Segundo o relato, ela foi abordada enquanto aguardava na fila e teve sua presença questionada.
“Nunca me senti tão constrangida em toda a minha vida”, afirma Roberta.
Em vídeo publicado nas redes, a mulher registra parte da discussão e relata que teve sua identidade de gênero contestada. Segundo ela, mesmo após entrar em uma cabine, continuou ouvindo comentários considerados ofensivos.
De acordo com o relato, ao sair do banheiro, a situação se agravou, com novos questionamentos feitos por uma mulher apontada como sendo a atriz e também por uma funcionária do local.
“Ouvi ela dizer que o Brasil estava perdido porque tinha ‘homem’ no banheiro. Disse que não havia placa autorizando minha entrada”, relata.
As imagens divulgadas mostram uma mulher discutindo com a vítima dentro do banheiro, mas o rosto não aparece com nitidez. A identificação da atriz foi feita pela própria denunciante.
Roberta afirma que pretende registrar um boletim de ocorrência e buscar medidas judiciais. No Brasil, desde 2019, atos de transfobia são equiparados ao crime de racismo, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
🔎 Caso deve ser levado ao Ministério Público
A repercussão do episódio levou representantes políticos e entidades a anunciarem medidas legais. O deputado estadual suplente Agripino Magalhães Júnior (MDB), que também preside a Associação do Orgulho LGBTQIAPN+ de São Paulo, informou que pretende acionar o Ministério Público.
“Não é aceitável relativizar práticas que reforçam o preconceito. Todo preconceito é violência”, afirma.
Segundo ele, a denúncia será formalizada com base na legislação que trata crimes motivados por identidade de gênero, que podem resultar em pena de até cinco anos de reclusão.
Até o momento, Cássia Kis não se pronunciou publicamente sobre o caso.
