Justiça de São Paulo ordena que Nunes remova nomes de torturadores de vias e espaços públicos

Decisão visa promover a memória histórica alterando nomes que fazem referência a figuras da ditadura.

Marginal Tietê e mais 10 endereços que prestam tributo à ditadura - Foto: - Getty/Images/iStockphoto

O juiz Luis Manuel Fonseca Pires, da 3ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, ordenou ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) que altere o nome de onze ruas e espaços públicos da cidade que prestam homenagem a figuras da ditadura militar. Entre os locais que devem ter seus nomes mudados estão a Marginal Tietê e a Ponte das Bandeiras, além de um centro esportivo na zona Sul e o crematório da Vila Alpina, o mais antigo do país.

A decisão judicial, proferida em resposta a uma ação civil pública movida pelo Instituto Vladimir Herzog e pela Defensoria Pública da União, reflete uma pressão crescente por um reconhecimento mais crítico da história recente do Brasil. O juiz destacou que a administração municipal tem sido “omissa” ao não iniciar a renomeação dos espaços públicos, em contrariedade ao direito à memória política, essencial para a dignidade humana e a democracia.

Nomes a serem alterados

O despacho judicial estipula um prazo de 70 dias para que a prefeitura apresente um cronograma de mudanças nos seguintes endereços:

O juiz Pires enfatizou que a mudança de nomes é uma questão de justiça histórica e que a falta de ação nesse sentido representa uma omissão do Estado em reconhecer e promover o direito à memória.

A decisão do juiz é acompanhada de um relatório da Comissão da Memória e Verdade, que mapeou 38 locais em São Paulo que homenageiam indivíduos ligados à repressão, sendo 22 com envolvimento direto em violação de direitos humanos. O magistrado ressaltou a importância de fomentar políticas públicas que promovam a conscientização sobre a história da repressão, especialmente em um país onde 90% da população afirmou desconhecer o AI-5, um dos símbolos mais significativos da ditadura.

O direito à memória política, segundo Pires, é fundamental para a construção de uma sociedade democrática e para a resistência ao autoritarismo. Ele concluiu que é imperativo que o Estado promova uma consciência crítica sobre a importância da democracia e da dignidade humana.

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