Jovem Indígena Avá-Guarani é assassinada em casa no Paraná

Crime ocorre em meio a ataques frequentes contra a comunidade da Terra Indígena Tekoha Guasu Guavirá.

Jessicléia Martins, do povo Avá-Guarani, de apenas 17 anos, foi assassinada a facadas dentro da TI Guasu Guavirá, alvo de ataques constantes. Foto: comunidade tekoha Yvy Okaju

Jessicléia Martins, de 17 anos, foi assassinada a facadas em sua casa, localizada na Terra Indígena Tekoha Guasu Guavirá, no município de Guaíra, no oeste do Paraná. O crime ocorreu dentro do território indígena, que tem sido alvo de ataques frequentes.

O suspeito do feminicídio, um homem não indígena de 67 anos, invadiu a residência de Jessicléia e a agrediu. Após o ataque, ele tentou fugir, mas foi preso. Testemunhas relataram que o homem havia assediado a jovem nos últimos meses, afirmando ser amigo da família. Jessicléia se recusou a manter qualquer relação com ele, o que pode ter motivado o crime.

“Ele estava parado na frente da casa dela há uns 20 minutos, observando. Desceu do carro quando ela estava sozinha”, contou uma testemunha, que pediu para não ser identificada por questões de segurança.

Durante o ataque, Jessicléia gritou por socorro, mas não sobreviveu. A comunidade solicitou assistência médica, mas o atendimento pelo Samu levou cerca de 30 minutos.

“Ela não teve chance de chegar no hospital. Ela tentou se defender, mas a mão dela estava totalmente destruída. Foi covardemente assassinada dentro de sua própria casa”, relatou a testemunha.

A Terra Indígena Tekoha Guasu Guavirá, onde Jessicléia morava, tem enfrentado constantes ataques de fazendeiros locais, sendo o último registrado em 31 de dezembro do ano passado. A falta de ação do Estado em relação à demarcação do território tem exposto a comunidade indígena a diversas formas de violência.

Missionários do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) Regional Sul destacaram que “o racismo, associado à misoginia e ao machismo, compõe o cotidiano dessas comunidades, onde a lógica é eliminar o outro através do abuso, do assédio, da exploração sexual e da morte mais cruel”.

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