19 pessoas morreram, o rompimento causou um aborto forçado e derramou 48,3 milhões de metros cúbicos de lama, que percorreram cerca de 650km.
Comunidade atingida pela lama da Samarco/Vale/BHP ainda não tem casas construídas.
Moradores de Paracatu de Baixo denunciam o atraso; apenas as bases de oito casas teriam sido feitas
Os moradores de um subdistrito atingido pelo rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco, empresa controlada pela Vale e BHP Billiton, ainda reclamam suas casas. A comunidade de Paracatu de Baixo denuncia os atrasos e paralisações nas obras do reassentamento coletivo, que deve ser construído pela Fundação Renova, mas ainda não possui nenhuma residência.
Os atingidos se dizem indignados. A maioria deixou suas casas em 6 de novembro de 2015, quando a barragem de Fundão rompeu e derramou 60 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério no Rio Doce. Paracatu de Baixo foi uma das comunidades mais afetadas, tendo a sua praça principal, escola e muitas casas submersas na lama.
Vítimas da Samarco: os esquecidos de Barra Longa e a reparação que nunca existiu
Cidade de 5 mil habitantes em Minas Gerais é retrato do abandono e descaso 5 anos após rompimento da barragem de Mariana
Próximo à entrada de Barra Longa, município de cinco mil habitantes em Minas Gerais, o bairro da Volta da Capela convive há cinco anos, desde que a cidade foi tomada pela lama do rompimento da Barragem do Fundão da Samarco, a cerca de 60 quilômetros dali, em Mariana, com metais pesados e casas com rachaduras nas paredes. Muitos moradores sobrevivem à base de remédios para controlar o adoecimento mental.
Barra Longa foi o único município em que a lama atingiu a sede, tomando ruas, a praça central e seu casarão histórico.
Cinco anos após o crime da Samarco/Vale/BHP, em novembro de 2015, nenhuma das 78 famílias do bairro de Volta da Capela foi atendida pela Fundação Renova. Criada em março de 2016, a Fundação tem entre suas responsabilidades, a maioria não cumpridas, a execução de 42 programas de reparação socioeconômica e ambiental e a reconstrução das comunidades destruídas pela lama da Samarco.
Crime ambiental de Mariana é o primeiro definido como “violação de direitos humanos”
O rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, é o primeiro crime ambiental brasileiro apontado como de violação de direitos humanos pelo Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), no dia 11 de dezembro. Para o CNDH, trata-se de uma “violação de direitos humanos de excepcional gravidade”.
Essa classificação pode ser usada contra o Brasil em tribunais internacionais por representações que podem desembocar em até mesmo sanções econômicas ou diplomáticas. Um exemplo é o Tribunal Penal Internacional de Haia, na Holanda, que trata graves violações de direitos humanos como crime contra a humanidade.
De acordo com o relator do caso no Conselho, Leandro Scalabrin, o órgão “já havia feito relatórios sobre os casos de Mariana, Brumadinho, Barcarena e havia reconhecido seus impactos como violação a direitos humanos específicos, mas não desse modo, em que o fato criminoso foi reconhecido como grave violação”.
Vale lembrar que esta é a primeira vez que o CNDH delibera uma resolução reconhecendo um crime como grave violação de direitos humanos. O Conselho também enviou o reconhecimento à Justiça Federal de Ponte Nova, ao Tribunal Regional Federal – 1 e ao Supremo Tribunal de Justiça, onde tramitam os processos e recursos sobre o crime em Mariana.
Em setembro de 2019, a Justiça Federal rejeitou uma denúncia do Ministério Público Federal contra seis executivos da Vale do Rio Doce e dois da BHP Billiton – empresas que tinham participação na operadora das barragens, a Samarco. Caso a decisão se mantenha, ninguém responderá legalmente pelas 19 mortes causadas naquele novembro de 2015.
Movimento dos Atingidos por Barragens organiza ações em Mariana (MG) para cobrar por reparação justa e integral
O rompimento da barragem de rejeitos de Fundão, em Bento Rodrigues, da Samarco Mineração S.A, controlada pela Vale e pela BHP Billiton, completa seis anos nesta sexta (5). Para marcar a data, atingidos das comunidades e o Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) promovem uma série de atividades em Mariana e em Governador Valadares.
Movimento denuncia que até hoje danos não foram reparados
Além de provocar a morte de 19 pessoas, o rompimento causou um aborto forçado pela lama e derramou 48,3 milhões de metros cúbicos de lama, que percorreram cerca de 650 quilômetros entre Mariana (MG) e a foz do Rio Doce, localizada no povoado de Regência (ES).
Em nota, o Movimentos dos Atingidos por Barragens (MAB) afirmou que “até hoje, há diversas comunidades com dificuldade de acesso à água. Muitas moradias recebem água de má qualidade, vindas de poços artesianos perfurados pela Fundação Renova que apresentam cheiro e coloração”.
Rompimento da barragem provocou a morte de 19 pessoas
O movimento ainda denuncia que milhares de pessoas da Bacia do Rio Doce adoeceram, devido o contato com a lama tóxica, e que os acordos de reparação entre a mineradora e o governo estadual favorecem a empresa.
“A mesa de repactuação aberta no Rio Doce mediada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ainda não abriu espaço para uma real participação. Duas audiências públicas já foram realizadas, mas sem incidência real nas discussões, o que mostra que modelo de reparação continua sendo o mesmo após 6 anos sem grandes resultados e que não há abertura para mudanças. A injustiça com os atingidos continua sendo a consequência desse modelo de reparação”, afirma o movimento em nota.
Confira a programação
Mariana
11h – Ato na Praça Minas Gerais – Encontro dos atingidos de Mariana e Brumadinho em luta por justiça
14h – Visita ao reassentamento de Paracatu de Baixo
16h – Missa na comunidade de Bento Rodrigues
Governador Valadares
10h – Celebração ecumênica, ato do MAB e do Fórum Permanente em Defesa do Rio Doce na beira do rio Doce, no bairro São Pedro.
