Descubra qual é o imposto de renda mais caro do mundo e conheça lugares onde ele não é cobrado
Em época de entrega das declarações do Imposto de Renda é comum ouvir que o Brasil tem a maior carga de impostos do mundo. Mas será que isso é mesmo verdade? Depende da faixa de renda, diz um relatório da consultoria KPMG.
Quem ganha até US$ 100 mil por ano pode dizer que o Brasil tem altos impostos. Estamos em 16º lugar no mundo, à frente da Áustria, Finlândia e Suécia. Essa conta inclui os 27,5% de imposto de renda somado aos 11% pagos em seguridade social ao INSS.
Para os mais ricos, com renda de até US$ 300 mil ao ano, a carga diminui e ficamos na 28ª posição. Países como Zimbábue, Peru e Equador cobram mais impostos dessa faixa de renda. Em relação à América do Sul, nossos impostos são baixos: apenas o Uruguai cobra menos taxas de seus cidadãos. O Chile é o recordista, com até 40% de cobrança sobre a renda.
Qual é o imposto de renda mais caro do mundo?
A Suécia é o país aonde a alíquota máxima do imposto de renda (IR) para pessoa física é a mais alta do mundo. Os suecos que ganham bem entregam para o governo até 58,2% dos seus rendimentos. Mas isso não quer dizer que nós não temos o direito de reclamar do que pagamos de IR. É que os brasileiros contribuem excessivamente com outros tipos de impostos.
“Há três bases para tributação: renda, patrimônio e consumo”, afirma o ex-secretário da Receita Federal Everardo Maciel. O que deixamos de pagar sobre nossa renda pagamos sobre nosso patrimônio e, sobretudo, nosso consumo. A maioria das pessoas nem se dá conta disso, mas há impostos nos preços de todos os produtos que são comprados. São impostos cobrados das empresas e embutidos por elas em seus preços.
Por isso, a carga tributária total do Brasil já está entre as mais altas do mundo, no mesmo patamar de países como Alemanha e Canadá, onde o retorno para a população dos impostos pagos – por meio de investimentos em educação e saúde, por exemplo – é bem maior.
Os 10 países com maiores impostos e menor retorno para a população
Um estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) mostra que, dentre 30 países pesquisados, o Brasil é que oferece o pior retorno em benefícios à população dos valores arrecadados por meio dos impostos.
O levantamento avaliou os países com as maiores cargas tributários do mundo, relacionando estes dados ao Produto Interno Bruto (PIB) e ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de cada nação. O resultado é expresso no Índice de Retorno de Bem Estar à Sociedade (IRBES).
No Brasil, a carga tributária equivale a 35,13% do PIB. Em 2011, o IRBES do país foi de 135,83 pontos, o pior resultado no grupo de 30 economias pesquisadas. Itália, Bélgica e Hungria vêm em seguida no ranking.
Nações como Grécia, Uruguai e Argentina estão bem à frente do Brasil no que se refere ao retorno à população dos impostos arrecadados. O melhor resultado é o da Austrália, que tem uma carga tributária de 25,90% do PIB, com um índice de retorno de 164,18 pontos.
Países como Dinamarca, Noruega e Finlândia, conhecidos por oferecer serviços de alta qualidade a suas populações, entram na lista dos piores retornos por causa da elevada carga tributária. “O que puxa o índice é a carga de impostos. Dinamarca e Suécia arrecadam muito e, mesmo assim, não estão entre os primeiros quando se trata do IDH”, explica João Eloi Olenike, presidente do IBPT.
A Austrália tem uma carga tributária de 25,90% do PIB, quase metade da dinamarquesa (44,06% do PIB). O IDH australiano, entretanto, é de 0,929, enquanto que o da Dinamarca é de 0,895. “Países que oferecem melhores retornos à população, como no caso da Austrália, conseguem manter um IDH elevado com menos recursos do que, por exemplo, a Dinamarca e a Noruega”, diz Olenike.
| País | Carga Tributária (% PIB) | IDH | IRBES |
| Brasil | 35,13% | 0,718 | 135,83 |
| Itália | 43,00% | 0,874 | 139,84 |
| Bélgica | 43,80% | 0,886 | 139,94 |
| Hungria | 38,25% | 0,816 | 140,37 |
| França | 43,15% | 0,884 | 140,52 |
| Dinamarca | 44,06% | 0,895 | 140,41 |
| Suécia | 44,08% | 0,904 | 141,15 |
| Finlândia | 42,10% | 0,882 | 141,56 |
| Áustria | 42,00% | 0,885 | 141,93 |
| Noruega | 42,80% | 0,943 | 145,94 |
Os países onde se paga menos impostos
Andorra
Esse pequeno país situado entre o nordeste da Espanha e o sudoeste da França atrai muitos imigrantes (principalmente europeus) não apenas pelas boas condições de vida e trabalho, mas principalmente pelo fato de lá não haver impostos. Isso mesmo, os habitantes de lá não pagam um único centavo para o governo, apenas uma contribuição que gira em torno de 5% a 9% do que o trabalhador ganha e que vai para a segurança social (uma espécie de FGTS).
Brunei
Do tamanho do Distrito Federal, o país fica no sudoeste da Ásia. Educação, saúde, moradia: é tudo de graça. E ninguém no país sabe o que é imposto de renda. O dinheiro do petróleo trouxe independência econômica e cobriu de ouro o país. Com tanto petróleo, o sultão de Brunei passou a ser o governante mais rico do mundo. 30% da população trabalham para o governo.
Emirados Árabes Unidos
Graças às receitas do petróleo, os Emirados Árabes Unidos (EAU) não taxam os rendimentos dos seus cidadãos nacionais, apesar de 5% do seu rendimento ter como destino a segurança social, segundo este artigo da CNBC. As companhias petrolíferas pagam até 55% de impostos corporativos. Além disso, existe uma taxa de até 30% sobre bebidas alcoólicas que sobe para 50% no Dubai.
Bahamas
Bastante dependente do turismo e dos investimentos ‘offshore’, 70% das receitas do Estado vêm dos impostos que recaem sobre os bens importados. Apesar de não existir impostos sobre os rendimentos, os trabalhadores são obrigados a descontar cerca de 3,9% do seu salário para a segurança social.
Ilhas Caimão
Graças aos filmes de Hollywood, estas ilhas são provavelmente o “paraíso fiscal” mais conhecido. Além de não ter que pagar nenhum imposto sobre os rendimentos, se a pessoa pensar em abrir uma empresa nesta região, também não terá que pagar imposto por ganhos de capital ou contribuições para a segurança social. No entanto, enquanto empregador é obrigado a dar aos seus trabalhadores uma pensão de reforma.
Qatar
Além das Caraíbas, é no Médio Oriente que encontramos países onde se pagam poucos ou nenhuns impostos. As receitas do Qatar provêm sobretudo da produção e exportação de gás e petróleo. Os negócios envolvidos neste setor estão sujeitos num imposto de até 35% nas suas operações. Apesar disso, não existem impostos sobre os rendimentos ou sobre ganhos de capital. No entanto, os cidadãos nacionais do Qatar têm que descontar todos os meses até 5% do seu rendimento para a Segurança Social, segundo refere a CNBC.
Kuwait
O Kuwait é mais um país do Médio Oriente que vive à base das receitas do petróleo. Por isso mesmo, não cobra qualquer tipo de imposto sobre o rendimento. No entanto, os cidadãos nacionais são obrigados a descontar cerca de 7,5% do seu salário para a Segurança Social.
Arábia Saudita
Na Arábia Saudita não paga qualquer tipo de imposto sobre o seu rendimento, graças às receitas que o país tem com o petróleo e a sua exportação. No entanto, as contribuições para a Segurança Social podem chegar aos 9% por trabalhador. Lembre-se que de momento existe uma taxa por cada trabalhador estrangeiro contratado, isto é: Se uma empresa na Arábia tiver na sua maioria trabalhadores estrangeiros a trabalhar para ela, pode pagar até 640 dólares por cada trabalhador estrangeiro em excesso.
Bahrein
Através da partilha do campo petrolífero de Abu Safa com a Arábia Saudita, o Bahrein garante 70% das suas receitas orçamentais. Por isso mesmo, os seus cidadãos apenas pagam um taxa de 7% do seu rendimento para benefícios de segurança social. Além do petróleo, o Bahrein mantém a sua riqueza através da produção de hidrocarbonetos que representam 88% das suas receitas.
Bermudas
Se você pensa em mudar-se para uma ilha paradisíaca e não pagar qualquer tipo de imposto sobre o rendimento, saiba que as Bermudas têm um custo de vida bastante elevado. Além disso, terá que descontar cerca de 30 dólares por semana para a segurança social.
Oman
Tal como os restantes dos países do Médio Oriente, o Oman também retira uma grande percentagem das suas receitas da venda de petróleo bruto. Apesar de não existir qualquer tipo de imposto sobre o rendimento individual, os cidadãos têm que descontar cerca de 6,5% do seu salário para o sistema de segurança social.
