Meirieu destaca que o reconhecimento dado por um país aos seus professores é sinal da importância atribuida a seus filhos, ou seja, ao seu futuro.
Em sua concepção, a educação tem duas dimensões essenciais e simultâneas: a transmissão e a emancipação. Essa dinâmica é assim definida por ele, “a formação de pessoas capazes de se integrar à sociedade por meio do conhecimento e das habilidades que nós lhe transmitimos, e a formação de cidadãos, que não só tem que se adaptar e obedecer, mas aprender a pensar por si mesmos e se tornar atores sociais em uma democracia vibrante”, define. Esses dois movimentos devem ocorrer juntos no mesmo ato de aprender, ou seja, cada ato de transmissão deve ser acompanhado do questionamento sobre a capacidade de gerar emancipação.
Philippe Meirieu destaca ainda a importância de superarmos a visão vigente em nossos dias de uma educação preponderantemente utilitarista para retomarmos o prazer de aprender, presente no reencontro com a cultura. Isso se dá, pois a cultura não responde apenas aos problemas concretos e imediatos, mas às questões fundamentais que o ser humano se faz sobre sua origem, seu futuro, sobre o que o inquieta e sobre o que lhe dá esperança.
Questionado a respeito das greves e da violência contra os professores no Brasil, o pedagogo afirma que a revolta dos professores é sempre o sintoma de uma mal estar na sociedade. Não é um movimento caprichoso a ser reprimido, deve sim ser levado a sério. Para ele, a escola tem a missão de estar à frente da sociedade, muitas vezes, remando contra a maré e destaca a educação como responsabilidade de todos, não só de professores, mas de pais, políticos, do mundo econômico e do associativo.
