Galpão da Cinemateca Brasileira consumido pelas chamas, faz parte do maior acervo de imagens em movimento da América do Sul.

Foto: Reprodução

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O acervo é constituído por 250 mil rolos de filmes, alguns compostos por nitrato de celulose, que podem entrar em autocombustão caso não sejam mantidas as condições de refrigeração. Esse alerta vem sendo feito pelos trabalhadores da instituição desde 2020, mas nenhuma medida foi tomada pela Secretaria de Cultura do governo de Jair Bolsonaro (sem partido).

Em junho de 2020, a presidência da organização enviou uma carta para o Ministério da Educação com a cobrança de uma dívida de R$ 13 milhões.

“Não há corpo técnico contratado, o acervo segue desacompanhado e não há qualquer informação sobre suas condições. Por esse motivo, lançamos um alerta acerca dos riscos que correm o acervo, os equipamentos, as bases de dados e a edificação da instituição”, diz a carta endereçada ao atual secretário especial de Cultura, Mario Frias. Não houve resposta.

O atual secretário de Cultura, Mario Frias, e o ministro de Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, visitaram a Cinemateca e prometeram uma solução para “resolver o impasse”. Nunca cumpriram com as promessas. 

Bolsonaro chegou a prometer um cargo inexistente para a ex-secretária de Cultura Regina Duarte, à qual nunca assumiu, o posto oferecido pelo presidente sequer existia na na instituição.

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Enquanto as chamas consomem o acervo, que contém entre outros itens a biblioteca de Glauber Rocha, grande parte do acervo da Embrafilme e o Acervo Paulo Emílio Salles Gomes, o secretário especial de Cultura, Mario Frias e André Porciuncula, número dois da secretaria, estão na Itália para a Conferência dos Ministros da Cultura do G20, assim como o Ministro do Turismo, Gilson Machado, a quem a secretaria é ligada hierarquicamente, segundo informou a coluna Painel do jornal  Folha de S. Paulo.

Em nota enviada à imprensa, a Secretaria Especial de Cultura diz que “lamenta profundamente e acompanha de perto o incêndio que atinge um galpão da Cinemateca Brasileira, em São Paulo (SP)”. A secretaria afirma ainda que “todo o sistema de climatização do espaço passou por manutenção há cerca de um mês”.

“A Secretaria já solicitou apoio à Polícia Federal para investigação das causas do incêndio e só após o seu controle total pelo Corpo de Bombeiros que atua no local poderá determinar o impacto e as ações necessárias para uma eventual recuperação do acervo e, também, do espaço físico. Por fim, o governo federal, por meio da secretaria, reafirma o seu compromisso com o espaço e com a manutenção de sua história”, diz o texto.

 

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