Eletricitários farão ato em frente ao TCU contra privatização da Eletrobras dia 18

Ato dos Eletricitários em 20 de abril, em frente ao TCU

Ato dos Eletricitários em 20 de abril, em frente ao TCU

A data é importante porque está marcada a divulgação do voto do ministro Vital do Rego, que suspeita que a venda da Eletrobras trará prejuízos de R$ 67 bilhões ao país

A data é importante porque está marcada a divulgação do voto do ministro Vital do Rego, que suspeita que a venda da Eletrobras trará prejuízos de R$ 67 bilhões ao país

A privatização da Eletrobras ganha um capítulo importante e decisivo no próximo dia 18 (quarta-feira), quando o ministro Vital do Rego, do Tribunal de Contas da União (TCU) deverá divulgar o seu voto em que analisa a lisura do processo de venda da estatal. Entenda abaixo.

Para marcar a data, o Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE) e o Salve Energia estão convocando a categoria a comparecer num ato, em frente ao prédio do TCU, em Brasília, a partir das 13 horas. Pela manhã, a partir das 9 horas haverá um “tuitaço” com a hastag #18MEletrobrasPública

O voto de Vital do Rego é importante porque pode influenciar os demais ministros do TCU a impedir o processo de venda da estatal, por ser fraudulento, com diversas irregularidades.

“Acreditamos que o ministro Vital do Rego dará um voto divergente à privatização devido às irregularidades no processo tanto no valor da transação como nas irregularidades de demonstração financeira, o balanço e no valor das ações”, diz Tiago Vergara do Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE)

Segundo os eletricitários, além dos prejuízos bilionários ao país, a privatização levará a contas de luz mais caras e ainda ameaça a segurança nacional, já que energia é estratégica para qualquer país do mundo.

Leia mais: Custo da energia: contas de luz vão aumentar se Bolsonaro privatizar a Eletrobras

Antes da manifestação dia 18, em que são esperados cerca de 700 eletricitários, haverá duas audiências públicas na segunda-feira, dia 16. A primeira às 14 horas e a outra na terça (17), às 11 horas. Ambas serão na Câmara dos Deputados.

Confira o calendário de luta

“Queremos dobrar o número de manifestantes em frente ao TCU, em relação ao último ato no dia 20 de abril, em que reunimos 300 pessoas. Entendemos que Brasília é longe para a maioria da categoria e como não há uma paralisação, é muito difícil que venham companheiros de outros estados”, acredita Vergara.

Para mobilizar a categoria, os dirigentes estão divulgando um vídeo de chamamento em defesa da Eletrobras Pública.

CNE

O processo de privatização da Eletrobras no TCU

O processo de privatização da Eletrobras só poderá ser concluído com a aprovação do TCU e somente depois disso é que o governo poderá vender cerca de 70% das suas ações da empresa. Com a privatização, o governo deixa de ser acionista majoritário e passa a ter 45% da Eletrobras, que ficará sob o controle do capital privado.

Por enquanto a venda está travada no Tribunal de Contas da União. Isto porque o ministro Vital do Rêgo, pediu no dia 20 de abril, vistas interrompendo o julgamento do modelo de privatização que o governo de Jair Bolsonaro (PL) pretende aplicar na venda do sistema Eletrobras, para ter mais detalhes dos estudos e informações sobre o preço da Eletrobras, que segundo ele, estaria R$ 67 bilhões abaixo do mercado.

Segundo o ministro, também há dúvidas sobre os impactos para a tarifa de energia, afirmando que o Ministério de Minas e Energia (MNE) não deixa claro no projeto qual será o impacto quando a privatização ocorrer.

Outras irregularidades na Eletrobras

O TCU aprovou por unanimidade, no último dia 12, pedido de auditoria feito pelo ministro Vital do Rêgo, o mesmo que pediu vistas do processo de privatização, sobre os recursos que têm sido provisionados pela Eletrobras, o que pode atrasar ainda mais venda da estatal.

A revisão realizada fundamentou-se, principalmente, em julgados do Superior Tribunal de Justiça (STJ) – que teriam expressado entendimentos desfavoráveis à empresa em processos relativos ao “Empréstimo Compulsório de Energia”.

No ofício encaminhado ao presidente do tribunal e demais ministros, Vital do Rêgo afirmou que constatou “elevada contabilização de provisões para contingências”. Só no 3º bimestre de 2021 o montante provisionado pela Eletrobras tinha sido de R$ 9 bilhões, o que elevou o total de R$ 17 bilhões para R$ 26 bilhões.

O tribunal vai apurar se há risco de prejuízo aos cofres públicos. Isso, porque a reserva desses valores reduz o lucro apurado pela Eletrobras – e, consequentemente, a parcela do lucro distribuída aos acionistas na forma de dividendos. A União, acionista majoritária da estatal, também recebe esses dividendos.

O ministro afirmou que, caso a Eletrobras seja privatizada e a empresa vença a ação judicial, a tendência é que esse dinheiro separado vire lucro distribuído aos acionistas. Neste caso, a União sairia prejudicada, já que não teria mais o controle da Eletrobras.

“Caso se concretize, a União terá deixado de receber vultosos dividendos relativos ao exercício de 2021, pois, embora possa receber em futura reversão do provisionamento, o fará numa proporção inferior, já que, agora, ela detém 72% do capital social e, com a capitalização, vai cair para 45%”, argumentou.

Por Rosely Rocha e Marize Muniz

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