Em sete anos, desde 2016, piso nacional ficou abaixo da inflação em três
Retomada agora, a política de valorização do salário mínimo foi interrompida justamente a partir de 2016, ano do impeachment de Dilma Rousseff. Nos sete anos seguintes, ficou abaixo da inflação em três. O resultado indica que o piso nacional, que acumulara 77% de ganho real até então, praticamente não saiu do lugar. Para uma inflação (INPC) de 44,66%, acumulou reajuste de 47,94% – apenas 2,27% acima. (Confira abaixo histórico de reajustes elaborado pelo Dieese.)
Com isso, a consequência foi redução do poder de compra. Um trabalhador remunerado pelo mínimo comprava o equivalente a 2,02 cestas básicas em 2015. No ano passado, 1,62 cesta, queda de 19,8%.
Mais prejuízo para quem ganha menos
“A inflação vem acumulando alta em 12 meses, desde o segundo semestre de 2020, como resultado basicamente da elevação dos preços de três grupos de itens que compõem os orçamentos familiares: alimentação e bebidas, transportes e habitação”, destaca o Dieese, em nota técnica publicada em janeiro. “Isso significa que os trabalhadores com renda muito próxima ao valor do SM foram os mais afetados com o rebaixamento drástico do poder de compra.”
A partir de 1º de janeiro, o salário mínimo oficial passou de R$ 1.212 para R$ 1.302. Reajuste de 7,42%, para uma inflação de 5,93% – ganho real de 1,41%. Foi o único aumento efetivamente acima da inflação durante o governo anterior, mas, como diz o Dieese, “insuficiente para colocar o piso salarial nacional em rota de recuperação, como ocorria até 2016”. Nesta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o piso irá a R$ 1.320 em 1º de maio.
