“Eu fico muito feliz que está acontecendo isso aí em Brasília”, diz o músico Max Cavalera, atualmente na banda Soulfly e um dos fundadores do Sepultura, sobre a mobilização que reúne mais 6 mil indígenas, de 170 povos, na capital brasileira.
Os povos originários estão no Distrito Federal protestando contra o marco temporal para demarcação de terras, cujo julgamento deve ser retomado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) nesta quarta-feira (1/9).
“Tem que respeitar a cultura indígena, que está aqui há mais de 500 anos, mais velha do que todos nós. Temos que fazer o possível para evitar que isso acabe um dia, não só a linguagem, mas os costumes, as danças, os sonhos. Isso é coisa muito maravilhosa e que a gente na sociedade às vezes acaba esquecendo”, afirma o músico.
A declaração é dada num momento em que o icônico álbum Roots do Sepultura, um dos mais influentes da história do heavy metal, com mais de 2 milhões de cópias vendidas, completa 25 anos. Lançado em 1996, o álbum trouxe a faixa Itsári (“raízes” em xavante), gravada em parceria com o povo indígena da aldeia Wedera, em Canarana, no Mato Grasso.
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“Em 25 anos, as coisas mudaram”, diz Paulo Cipassé Xavante, cacique que recebeu o Sepultura em sua aldeia em 1996. “Os problemas em relação à questão indígena eram os mesmos, mas a coisa era camuflada. Hoje, nesse governo, é uma coisa mais direta. Não só para o indígena — para o indígena é pior —, mas os direitos dos trabalhadores brasileiros estão sendo desmontados devagar”, opina o líder xavante.
