As ilhas gélidas onde as mulheres são escassas – e os homens procuram estrangeiras para casar

Athaya Slaetalid com o marido Jan e seu filho Jacob — Foto: BBC

Athaya Slaetalid com o marido Jan e seu filho Jacob — Foto: BBC

Cada vez mais tailandesas e filipinas migram para as lhas Faroé, mas elas precisam se adaptar ao clima e à cultura local.

Quando Athaya Slaetalid se mudou da Tailândia para as Ilhas Faroé, no norte do Altântico, onde o inverno dura seis meses, ela passava os dias ao lado do aquecedor. “As pessoas me diziam para sair quando o sol brilhava, mas eu só conseguia responder: ‘Não! Deixem-me em paz, estou com muito frio’.”

Athaya mora nas ilhas há seis anos e admite que o início foi difícil. Ela conhecera seu marido, Jan, por intermédio de um amigo faroense, que gerenciava um negócio na Tailândia. Jan sabia que seria um desafio levar sua esposa para um local com cultura, clima e cenário tão diferentes.

Ilhas Faroé fazem parte do reino da Dinamarca e, por isso, têm sua influência arquitetônica — Foto: BBC

“Eu tinha algumas preocupações, porque a maneira como ela vivia era oposta à nossa”, ele admite. “Mas, conhecendo Athaya, eu sabia que ela conseguiria lidar com a mudança”.

Existem agora mais de 300 mulheres da Tailândia e das Filipinas morando nas Ilhas Faroé. Não parece muito, mas, ante uma população de apenas 50 mil pessoas no arquipélago, elas compõem a maior minoria étnica nesse conjunto de 18 ilhas localizado entre a Islândia e a Noruega.

Nos últimos anos, as Ilhas Faroé têm sofrido com o declínio da sua população, uma vez que jovens deixam a nação, geralmente para estudar, e acabam não voltando mais.

Mulheres se mudam mais

As mulheres são as que mais fixam raízes no exterior. Como resultado, de acordo com o primeiro-ministro Axel Johannesen, as Ilhas Faroé têm um “déficit de gênero”: aproximadamente 2 mil mulheres a menos que homens.

Isso, por sua vez, levou os homens locais a buscar romances – e casamentos – para além das ilhas. Muitas das mulheres asiáticas dali conheceram seus maridos faroenses online, alguns em sites de encontros. Outros fizeram contato pelas redes sociais ou através de outros casais de asiáticas e faroenses.

Para os recém-chegados, o choque cultural pode ser dramático. Oficialmente parte do reino da Dinamarca, as Ilhas Faroé têm sua própria língua (originária da língua nórdica antiga) e uma cultura bastante diferente – especialmente em relação à comida. Carne seca de carneiro (skerpikjøt) e de bacalhau (ræstur fiskur) e, às vezes, carne e gordura de baleia (tvøst og spik) são os sabores típicos, e não há as tradicionais ervas e especiarias asiáticas.

Embora nunca fique tão gelado quanto na vizinha Islândia, o clima frio e úmido é um desafio para muitas pessoas. Para se ter uma ideia, um bom dia de verão tem temperaturas de cerca de 16°C.

Athaya é uma mulher confiante com um sorriso pronto que agora trabalha num restaurante em Tórshavn, capital das Ilhas Faroé. Ela e Jan vivem numa casa aconchegante nas margens de um fiorde rodeado por montanhas. Mas ela conta sobre o quão difícil foi no início mudar-se de país.

“Quando nosso filho Jacob era bebê, eu ficava em casa o dia todo, sem ninguém para conversar”, ela diz.

Vilarejos calmos e em contato direto com a natureza fazem parte do cenário bucólico da pequena nação — Foto: BBC

“Os outros moradores do vilarejo são mais velhos, e a maioria não fala inglês. As pessoas da nossa idade estavam fora, no trabalho, e não havia crianças com quem Jacob pudesse brincar. Eu me sentia muito sozinha. Quando você está em casa aqui, você realmente fica dentro de casa. Posso dizer que fiquei deprimida. Mas sabia que seria dessa forma por dois ou três anos”.

Então, quando Jacob entrou para o jardim de infância, ela começou a trabalhar com serviços de bufê e conheceu outras tailandesas.

“Aquilo foi importante porque me deu uma rede (de apoio). E me deu o gosto de (estar em) casa de novo”.

Krongrak Jokladal também se sentiu isolada quando chegou da Tailândia. Seu marido, Trondur, é marinheiro e trabalha fora de casa vários meses seguidos.

Ela inaugurou seu próprio salão de massagem tailandesa no centro de Tórshavn. “Não é possível trabalhar em horários regulares com um bebê, e embora meus sogros ajudassem, ter um negócio própro significa que eu posso escolher meus horários”, ela diz.

A tailandesa Krongrak Jokladal é dona de seu salão de massagem — Foto: BBC
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