Adnet desfila fantasiado de Bolsonaro, faz a famosa “flexão, e joga laranja para o público”

Foto: Reprodução

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São Clemente trouxe carro alegórico com frases como ‘tá ok?”, “a culpa é do Leonardo di Caprio” e “acabou a mamata”

No segundo dia do Grupo Especial do Carnaval Carioca em 2020, na noite da última segunda-feira, 24, teve a São Clemente entrando na Sapucaí com puro deboche e trazendo críticas sobre “golpes e trambiques” do Brasil.

Entre os destaques, o humorista Marcelo Adnet desfilou vestido de político — clara referência ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ele até imitou as famosas flexões fake,  fez arma com a mão e distribuiu laranjas para os foliões na abertura dos desfiles.

No carro alegórico onde ele estava, havia cartazes com frases como ‘tá ok?”, “a culpa é do Leonardo di Caprio” e “acabou a mamata”. Um desfile totalmente colorido e satírico.

A escola apresentou o enredo “O conto do vigário” do carnavalesco Jorge Silveira. Adnet assinou a composição do samba juntamente com outros compositores para a São Clemente. A letra se baseou na expressão popular, surgida no século 18 em Minas Gerais, e mostrou outras histórias de trapaças na história brasileira.


Enredo: O Conto do Vigário

Meu povo chegou, ô, ô
A maré vai virar, laiá
Na ginga, pra frente
Lá vem São Clemente
Sem medo de acreditar

O sino toca na capela e anuncia
Nossa Senhora, começou a confusão
Quem vai ficar com a imagem de Maria?
O burro vai tomar a decisão
Mas o jogo estava armado
Era o conto do vigário

Nessa terra fértil de enredo
Se aprende desde cedo
Todo papo que se planta, dá
Dom João deu uma volta em Napoleão
Fez da colônia dos malandros, capital
Trambique, patrimônio nacional

Tem laranja
Na minha mão, uma é três e três é dez
É o bilhete premiado, vendido na rua
Malandro passando terreno na Lua

Hoje, o vigário de gravata
Abençoa a mamata
Lobo em pele de cordeiro
Trago em três dias seu amor
La garantia soy yo

Só trabalho com dinheiro
Chamou o VAR, tá grampeado
Vazou, deu sururu
Tem marajá puxando férias em Bangu

Balança na rede
Abre a janela, aperta o coração
O filtro é fantasia da beleza
Na virtual roleta da desilusão

Brasil, compartilhou, viralizou, nem viu
E o país inteiro assim sambou
Caiu na fake news

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