Informalidade cresce e atinge jovens, mulheres e idosos na Argentina

Avanço da informalidade ocorre em meio à crise e à retirada de direitos trabalhistas pelo governo de extrema direita de Javier Milei

Informalidade amplia desigualdade e reduz renda no país. Foto: Reprodução/Internet.

Buenos Aires, Argentina – A taxa de informalidade no mercado de trabalho argentino atingiu 43% no quarto trimestre de 2025, segundo dados do Indec. O índice indica que mais de quatro em cada dez trabalhadores atuam fora do sistema formal, sem acesso a direitos como aposentadoria, assistência à saúde e estabilidade.

Desde a posse do presidente Javier Milei, a informalidade cresceu 1,6 ponto percentual, em um cenário de mudanças nas políticas econômicas e trabalhistas que vêm sendo apontadas por analistas como fator de ampliação da precarização.

A informalidade não atinge todos os grupos da mesma forma. Entre jovens de até 29 anos, os índices são mais elevados. No caso das mulheres, 59,7% estão em empregos não registrados, enquanto entre os homens o percentual chega a 57,3%.

Os dados indicam maior vulnerabilidade desses grupos em um mercado de trabalho com menor capacidade de absorção formal.

O avanço da informalidade também atinge pessoas com 65 anos ou mais, que deveriam estar amparadas pela aposentadoria.

Entre mulheres nessa faixa etária, a informalidade subiu de 56,4% para 61,6% entre 2024 e 2025. Entre os homens, passou de 45,3% para 55,6%.

O movimento está associado à perda de poder de compra dos benefícios previdenciários, o que tem levado idosos a buscar renda complementar em atividades informais.

Mais de 8 milhões sem direitos básicos

Em números absolutos, mais de oito milhões de pessoas trabalham na informalidade na Argentina. Entre os assalariados, 36,8% não possuem registro formal. Considerando trabalhadores por conta própria em situação irregular, o índice supera 40% do total de ocupados.

A ausência de registro implica falta de contribuições previdenciárias, cobertura de saúde e garantias trabalhistas.

O nível educacional aparece como fator determinante. Entre pessoas que não concluíram o ensino médio, 67,2% estão na informalidade. Já entre aqueles com ensino superior completo, o índice cai para 16%.

A diferença evidencia o impacto da educação no acesso a empregos com maior proteção social.

Alguns segmentos concentram os maiores índices de informalidade:

Esses setores são marcados por alta rotatividade, baixa regulação e vínculos frágeis de trabalho.

Informalidade reduz renda e amplia desigualdade

Trabalhadores informais recebem, em média, entre 35% e 40% menos que os formais. Além disso, mais de 50% deles estão concentrados nas faixas de menor renda.

A ausência de mecanismos de proteção também expõe esse grupo de forma mais intensa à inflação, agravando a desigualdade.

O mercado informal opera com baixa regulação, relações flexíveis e múltiplas ocupações simultâneas. Muitos trabalhadores combinam atividades precárias para manter a renda.

O levantamento também aponta situações intermediárias: cerca de 4,2% dos trabalhadores formais recebem parte do salário fora do sistema, enquanto 30,3% dos informais não contribuem para a previdência.

O avanço da informalidade ocorre em meio a mudanças estruturais na economia argentina. Medidas de flexibilização, redução de gastos públicos e reconfiguração do papel do Estado têm sido adotadas pelo governo de Javier Milei.

Para analistas do mercado de trabalho, esse conjunto de políticas tende a reduzir mecanismos de proteção social e ampliar a presença de vínculos informais, consolidando a precarização como característica estrutural do emprego no país.

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