Foz do Iguaçu registra 207 casos de esporotricose em animais e em humanos

Cidade soma 25 casos humanos e reforça cuidados com animais

Esporotricose é transmitida principalmente por gatos infectados. Foto: PMFI.

Foz do Iguaçu (PR) — O avanço da esporotricose zoonótica acendeu alerta em Foz do Iguaçu, que já contabiliza 207 casos em animais e 25 em humanos apenas em 2026. O crescimento da doença, transmitida principalmente por gatos, tem levado autoridades a reforçar um ponto central: a responsabilidade dos tutores é decisiva para conter a disseminação.

O monitoramento feito pelo município mostra que o problema não é pontual. Desde 2021, os registros vêm em curva de crescimento, acompanhando um padrão observado em outras cidades brasileiras.

Os números revelam uma expansão consistente da doença nos últimos anos. Em 2021, foram 110 casos em animais e 8 em humanos. Dois anos depois, em 2023, o município registrou 351 casos em animais e 177 em pessoas. Em 2024, os casos em animais chegaram a 507, enquanto os humanos somaram 128. Em 2025, foram 498 registros em animais e 174 em humanos.

O cenário indica que a doença segue ativa e com potencial de transmissão, principalmente em áreas onde há grande circulação de animais sem controle.

“Esse crescimento está diretamente ligado ao fato de muitos animais serem criados soltos e não receberem tratamento adequado quando adoecem”, explicou a médica veterinária do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Luciana Chiyo.

Falta de controle e abandono ampliam risco

A principal forma de contenção da esporotricose passa pela guarda responsável dos animais, especialmente gatos, que são os principais transmissores do fungo.

Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, manter os animais dentro de casa, observar sinais de doença e buscar atendimento rápido são medidas essenciais para interromper a cadeia de transmissão.

“A orientação é clara: manter os animais em casa, observar qualquer alteração e procurar atendimento. Isso protege o animal e também a saúde pública”, afirmou o secretário municipal de Meio Ambiente, Johnys Freitas.

Além do risco sanitário, o abandono de animais doentes agrava o problema e configura crime, com possibilidade de pena de até cinco anos de prisão, além de multa.

A esporotricose é causada pelo fungo Sporothrix brasiliensis e se manifesta, principalmente, por lesões na pele que não cicatrizam. Em gatos, também podem surgir sintomas respiratórios, como espirros e secreções.

A transmissão ocorre, na maioria dos casos, por arranhaduras, mordidas ou contato direto com feridas de animais infectados. Em humanos, não há evidência de transmissão entre pessoas.

Cães podem contrair a doença, mas não são considerados transmissores relevantes.

Prevenção depende de controle e cuidado

Sem vacina disponível, a principal forma de prevenção é impedir que gatos tenham acesso à rua. A recomendação inclui ambientes telados, controle de saídas e acompanhamento veterinário.

A castração pode ajudar na redução de comportamentos de fuga, mas não impede, sozinha, o acesso à rua.

O tratamento da esporotricose é feito com antifúngicos e pode durar meses, especialmente em animais. A interrupção do tratamento aumenta o risco de transmissão e dificulta a recuperação.

“A doença tem cura, mas o tratamento precisa ser seguido corretamente. Durante esse período, ainda há risco de transmissão, por isso o cuidado deve ser redobrado”, reforçou a veterinária do CCZ.

Em humanos, casos suspeitos devem ser atendidos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), especialmente quando há histórico de contato com animais infectados.

A Prefeitura de Foz do Iguaçu oferece diagnóstico e acompanhamento por meio do CCZ, além de ações de controle, orientação e castração em áreas com maior incidência.

Denúncias de abandono ou maus-tratos podem ser feitas pelos canais oficiais do município, incluindo telefone 156, Guarda Municipal (153), Disque Denúncia (181) e WhatsApp da Diretoria de Bem-Estar Animal.

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