{"id":6468,"date":"2024-01-11T09:29:56","date_gmt":"2024-01-11T12:29:56","guid":{"rendered":"https:\/\/fronteiralivre.com.br\/2024\/01\/11\/os-numeros-mostram-agronegocio-recebe-muitos-recursos-e-contribui-pouco-para-o-pais\/"},"modified":"2024-01-11T09:29:56","modified_gmt":"2024-01-11T12:29:56","slug":"os-numeros-mostram-agronegocio-recebe-muitos-recursos-e-contribui-pouco-para-o-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fronteiralivre.com.br\/es\/os-numeros-mostram-agronegocio-recebe-muitos-recursos-e-contribui-pouco-para-o-pais\/","title":{"rendered":"Os n\u00fameros mostram: agroneg\u00f3cio recebe muitos recursos e contribui pouco para o pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\">Era um lugar com muitas riquezas naturais e que de t\u00e3o extenso, n\u00e3o dava para ver onde come\u00e7ava e nem onde terminava. O povo do reino de Agrus vivia da agricultura e da pecu\u00e1ria, que eram as mais pr\u00f3speras de todo o mundo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Assim come\u00e7a o primeiro epis\u00f3dio do desenho animado \u201cO Reino de Agrus\u201d, que conta a lenda de um povo que tinha a agricultura e a pecu\u00e1ria como suas principais formas de sobreviv\u00eancia.\u00a0 \u201c\u00c9 um poderoso recurso para ensinar as crian\u00e7as e os jovens sobre a import\u00e2ncia que o agroneg\u00f3cio tem em nossas vidas. Ao mesmo tempo em que \u00e9 uma forma de destacar e valorizar o trabalho no campo, especialmente o dos pequenos e m\u00e9dios produtores\u201d, diz a apresenta\u00e7\u00e3o sobre o desenho animado. A anima\u00e7\u00e3o faz parte da campanha \u201cTodos a uma s\u00f3 voz\u201d, projeto de marketing do agroneg\u00f3cio nos meios de comunica\u00e7\u00e3o e com foco em crian\u00e7as e adolescentes .<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A iniciativa \u00e9 uma das muitas que tentam vender a ideia de que o agroneg\u00f3cio nacional \u00e9 o salvador da economia brasileira.<\/p>\n<ul style=\"text-align: left;\">\n<li><span style=\"color: #ff9900;\"><strong><a style=\"color: #ff9900;\" title=\"Compartilhe esta not\u00edcia no WhatsApp\" href=\"https:\/\/chat.whatsapp.com\/BH53cpNbCjB0HXXwaQa3mD\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Receba not\u00edcias pelo WhatsApp<\/a><\/strong><\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #ff9900;\"><strong><a style=\"color: #ff9900;\" title=\"Compartilhe esta not\u00edcia no Telegram\" href=\"https:\/\/t.me\/portalnfl\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Receba not\u00edcias pelo Telegram\u00a0<\/a><\/strong><\/span><\/li>\n<\/ul>\n<h3 style=\"text-align: left;\"><strong>Vers\u00e3o falsa<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: left;\">No artigo\u00a0<span style=\"text-decoration: underline; color: rgb(230, 126, 35);\"><a style=\"color: rgb(230, 126, 35); text-decoration: underline;\" href=\"http:\/\/library.fes.de\/pdf-files\/bueros\/brasilien\/18319-20211011.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201c<strong>O agro n\u00e3o \u00e9 tech, o agro n\u00e3o \u00e9 pop e muito menos tudo\u201d<\/strong><\/a><\/span>, realizado pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Reforma Agr\u00e1ria (Abra) com apoio da funda\u00e7\u00e3o\u00a0<span style=\"color: rgb(230, 126, 35);\"><strong><a style=\"color: rgb(230, 126, 35);\" href=\"https:\/\/brasil.fes.de\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Friedrich-Ebert-Stiftung Brasil<\/a><\/strong><\/span>\u00a0e rec\u00e9m publicado, os ge\u00f3grafos Marco Antonio Mitidiero Junior e Yamila Goldfarb desmascaram a vers\u00e3o de que agroneg\u00f3cio \u00e9 a maior for\u00e7a econ\u00f4mica do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u201cO Agro usa diversas estrat\u00e9gias para construir o consenso na sociedade brasileira de que \u00e9 o setor mais din\u00e2mico, moderno e importante da economia brasileira. No entanto, uma an\u00e1lise detalhada dos n\u00fameros do agro revela outra realidade. A de um setor que recebe muito e contribui pouco com o pa\u00eds\u201d, afirmam Mitidiero Junior, que \u00e9 professor da Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB) e presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa em Geografia (Anpege), e Goldfarb, pesquisadora e vice-presidente da Abra.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Para avaliar o papel do agroneg\u00f3cio na economia do pa\u00eds, os ge\u00f3grafos analisaram a participa\u00e7\u00e3o do setor na balan\u00e7a comercial brasileira, no Produto Interno Bruto (PIB),\u00a0 na distribui\u00e7\u00e3o e no recebimento de cr\u00e9ditos\/financiamento, no ordenamento tribut\u00e1rio, na produ\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas, na gera\u00e7\u00e3o de postos de trabalho e renda; na rela\u00e7\u00e3o com os impactos ambientais e no suprimento da demanda de alimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u201cA an\u00e1lise da balan\u00e7a de pagamentos e dos cr\u00e9ditos recebidos pelo setor somados aos incentivos fiscais, como \u00e9 o caso da Lei Kandir, \u00e0 baixa arrecada\u00e7\u00e3o, como no caso do ITR, e \u00e0 constante renegocia\u00e7\u00e3o e perd\u00e3o das d\u00edvidas do setor mostra um pa\u00eds atado a uma economia reprimarizada, de uso intensivo de recursos naturais e profundamente dependente\u201d, analisam os autores.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left;\"><strong>Dom\u00ednio da mat\u00e9ria-prima bruta<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: left;\">Em 2019, na balan\u00e7a comercial brasileira, o total das exporta\u00e7\u00f5es foi de 225 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, superando o total de importa\u00e7\u00f5es que chegou a 177 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Ou seja, houve um saldo positivo de 48 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. As exporta\u00e7\u00f5es est\u00e3o dominadas pela agropecu\u00e1ria e pela ind\u00fastria extrativa, pela venda de mat\u00e9rias-primas, enquanto nas importa\u00e7\u00f5es o dom\u00ednio marcante est\u00e1 nas compras da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, que correspondem aos produtos manufaturados.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">E a venda de algumas mat\u00e9rias-primas marcam as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras:\u00a0 a soja (11,57% do valor total das exporta\u00e7\u00f5es), o petr\u00f3leo (10,74%), o min\u00e9rio de ferro (8,98%) e o milho (3,20%) s\u00e3o os quatro principais produtos exportados. O caf\u00e9 em gr\u00e3o n\u00e3o torrado (2,03%) tamb\u00e9m se destaca, posicionando-se como o oitavo nas vendas ao exterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A an\u00e1lise aponta para o fato de que a pauta exportadora \u00e9 dominada pela venda de mat\u00e9rias-primas brutas, sem nenhuma elabora\u00e7\u00e3o, com participa\u00e7\u00e3o t\u00edmida dos produtos semielaborados e a p\u00edfia import\u00e2ncia da venda de produtos de alta elabora\u00e7\u00e3o. A soja participa com 11,57%, ao passo que o principal produto da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, que exige alta elabora\u00e7\u00e3o, s\u00e3o as plataformas de perfura\u00e7\u00e3o, com 1,24% das exporta\u00e7\u00f5es, praticamente dez vezes menos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">J\u00e1 ao se olhar para as importa\u00e7\u00f5es, h\u00e1 o predom\u00ednio dos produtos de m\u00e9dia e alta elabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left;\">Veja mais: <span style=\"color: rgb(230, 126, 35);\"><a style=\"color: rgb(230, 126, 35);\" href=\"https:\/\/www.fronteiralivre.com.br\/noticia\/3200\/envelhecimento-da-populacao-pode-comprometer-a-garantia-dos-direitos-ao-idoso\">Envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o pode comprometer a garantia dos direitos ao idoso<\/a><\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: left;\">A partir da an\u00e1lise de determinados dados comerciais, explicam Goldfarb e Mitidiero Junior, a conclus\u00e3o \u00e9 que o agroneg\u00f3cio \u00e9 o salvador da economia nacional. \u201cSeu sucesso estaria expresso nesses n\u00fameros da balan\u00e7a comercial e indicaria que esse \u00e9 o \u00fanico caminho de desenvolvimento da economia brasileira. Investir no agro seria a salva\u00e7\u00e3o da lavoura\u201d, afirmam os ge\u00f3grafos. Por\u00e9m, questionam: \u201cQual pa\u00eds rico e avan\u00e7ado alcan\u00e7ou esse status produzindo e exportando mat\u00e9ria-prima? Nenhum dos chamados pa\u00edses ricos desenvolveu sua economia sem investimentos pesados no setor industrial e de servi\u00e7os, acompanhado por investimentos mais pesados ainda em educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e tecnologia, posicionando-se, a partir dessa estrat\u00e9gia, na divis\u00e3o internacional do trabalho, da produ\u00e7\u00e3o e do com\u00e9rcio&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O gr\u00e1fico apresenta o saldo da balan\u00e7a comercial do agroneg\u00f3cio e do agregado de outros setores da economia (ind\u00fastria e servi\u00e7os).<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Como a an\u00e1lise explica, a forma de exposi\u00e7\u00e3o dos dados permite a visualiza\u00e7\u00e3o mais concreta, segundo a vis\u00e3o do agro, de que sem a agropecu\u00e1ria a economia brasileira teria ido \u00e0 fal\u00eancia. Entre 2010 e 2020, os produtos da ind\u00fastria e servi\u00e7os d\u00e3o preju\u00edzo, segundo a \u00f3tica da balan\u00e7a comercial, ao passo que a venda dos produtos prim\u00e1rios alcan\u00e7a super\u00e1vits entre as trocas do setor e garante o super\u00e1vit da balan\u00e7a comercial como um todo.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left;\"><strong>Retrato do atraso<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: left;\">Em 2019 e 2020, o agro garantiu super\u00e1vit nas trocas comerciais de mat\u00e9rias-primas de 83,1 e 87,7 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, respectivamente, enquanto o d\u00e9ficit do agregado dos demais setores chegou a 35 e 36,7 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Para esses dois anos, o Brasil conseguiu ter super\u00e1vit geral de 48 e 50,9 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. \u201cO\u00a0 argumento \u00e9 um s\u00f3, o agro garante a positividade da balan\u00e7a comercial. Contudo, o gr\u00e1fico \u00e9 o retrato do atraso. Trata-se da perpetua\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de inser\u00e7\u00e3o subalterna e dependente do Brasil no com\u00e9rcio e na economia global\u201d, diz o texto dos ge\u00f3grafos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Os autores afirmam que \u00e9 importante problematizar as informa\u00e7\u00f5es da balan\u00e7a comercial entre produtos prim\u00e1rios, que obteve super\u00e1vits na m\u00e9dia de 82 bilh\u00f5es de d\u00f3lares nos \u00faltimos cinco anos. O principal produto prim\u00e1rio de exporta\u00e7\u00e3o brasileiro \u2013 que \u00e9 o principal produto de exporta\u00e7\u00e3o de toda a economia \u2013 \u00e9 a soja.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A diferen\u00e7a do valor de exporta\u00e7\u00e3o entre o primeiro e o segundo produto mais vendido pelo agro mostra o peso dessa produ\u00e7\u00e3o: em 2019, o Brasil exportou 26 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em soja, sendo que o segundo produto prim\u00e1rio mais vendido foi a carne bovina, com\u00a07,6 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. \u201cO que para alguns pode ser interpretado como o sucesso da sojicultura, para outros mostra-se como uma clara depend\u00eancia da pauta exportadora basicamente em um produto apenas\u201d, sinalizam.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O terceiro mais vendido, em 2019, foi a celulose (7,4 bi), seguido do milho (7,2 bi) e da carne de frango (6,9 bi). O sexto colocado em vendas merece destaque pelo seu significado para al\u00e9m dos n\u00fameros, o farelo de soja, com 5,8 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left;\"><strong>Por que o Brasil precisa comprar produtos de f\u00e1cil produ\u00e7\u00e3o nacional?<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: left;\">No caso interno, analisando as exporta\u00e7\u00f5es de mat\u00e9rias-primas, o Brasil isenta, por meio da Lei Kandir, a exporta\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria-prima bruta. Pagar imposto n\u00e3o \u00e9, em geral, um h\u00e1bito comum aos ruralistas, lembram os autores, o que conduz a exporta\u00e7\u00f5es de mercadorias sem nenhuma industrializa\u00e7\u00e3o. Ou seja, o pr\u00f3prio Estado brasileiro incentiva essa forma de inser\u00e7\u00e3o do pa\u00eds nas rela\u00e7\u00f5es comerciais globais.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Os dados de importa\u00e7\u00f5es de produtos agropecu\u00e1rios mostram outro aspecto das trocas comerciais brasileiras. Os quatro principais produtos agropecu\u00e1rios que o pa\u00eds comprou, em 2019, foram: trigo (1,4 bi d\u00f3lares), peixes (1,1 bi d\u00f3lares), produtos hort\u00edcolas, ra\u00edzes e tub\u00e9rculos (1 bi), e papel (850 milh\u00f5es de d\u00f3lares). Para nenhum desses produtos existem grandes limita\u00e7\u00f5es para produ\u00e7\u00e3o nacional. \u201cMesmo com imenso super\u00e1vit comercial entre os produtos do agro, por que o Brasil precisa comprar produtos de f\u00e1cil produ\u00e7\u00e3o nacional?\u201d, questionam Yamila Gordfarb e Marco Antonio Mitidiero.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Os ge\u00f3grafos analisam tamb\u00e9m a importa\u00e7\u00e3o de arroz.\u00a0 Os dados apontam que, entre os dez produtos agropecu\u00e1rios mais comprados do exterior, entre 2018 e 2020, o arroz ocupa a nona posi\u00e7\u00e3o. As importa\u00e7\u00f5es de arroz s\u00f3 cresceram nos \u00faltimos anos. Em 2018, foram 614 mil toneladas, chegando em 2020 a quase 1 milh\u00e3o de toneladas compradas, com o detalhe de que a maior parte \u00e9 de arroz sem casca semielaborado (730 mil toneladas). \u201cO que faz um pa\u00eds com uma das maiores disponibilidades de terra e \u00e1gua para produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola depender do mercado externo para suprir a demanda de um produto que \u00e9 a base da alimenta\u00e7\u00e3o de seu povo? A resposta n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil: a falta de uma pol\u00edtica agr\u00edcola que assegure a soberania alimentar e demais interesses da economia nacional tem permitido que produtores rurais priorizem o lucro obtido com exporta\u00e7\u00f5es, elevando a importa\u00e7\u00e3o onerosa e descabida para compensar a falta do produto no mercado interno.\u201d<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left;\"><strong>PIB brasileiro X PIB do agro<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: left;\">O texto ainda analisa a participa\u00e7\u00e3o do agro no Produto Interno Bruto (PIB).\u00a0 De acordo com a tabela a seguir, a agropecu\u00e1ria comp\u00f5e a menor fra\u00e7\u00e3o do PIB brasileiro. Os dados mostram que, em m\u00e9dia, o agro contribuiu com apenas 5,4% do PIB, enquanto o setor industrial com 25,5% e o setor de servi\u00e7os 52,4%.\u00a0 Ou seja, o setor que mais produz mercadorias para exporta\u00e7\u00e3o \u00e9 o que menos contribui na composi\u00e7\u00e3o dos valores do c\u00e1lculo geral de produ\u00e7\u00e3o de riqueza.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A pot\u00eancia do agro resumiu-se, entre os anos de 2010 e 2018, a um pouco mais que 5% do PIB. Na nova classifica\u00e7\u00e3o de intensidade tecnol\u00f3gica da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), dividida entre alta, m\u00e9dia-alta, m\u00e9dia, m\u00e9dia-baixa e baixa, as atividades econ\u00f4micas da agricultura, pecu\u00e1ria, florestal e pesca s\u00e3o classificadas no menor estrato (\u201cbaixa\u201d), com um percentual de intensidade tecnol\u00f3gica e participa\u00e7\u00e3o no PIB de 0,27%, enquanto, por exemplo, a ind\u00fastria farmac\u00eautica (que produz vacinas) contribui com 27,98% e produtos de inform\u00e1tica\/eletr\u00f4nicos 24%.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u201cA pergunta que salta aos olhos \u00e9: como \u00e9 que o Agro que \u2018\u00e9 tech, pop e tudo\u2019 participa t\u00e3o pouco da composi\u00e7\u00e3o do PIB?\u201d, questionam os pesquisadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O agroneg\u00f3cio tamb\u00e9m passou a calcular o pr\u00f3prio PIB, usando uma metodologia particular e pouco clara, critica a an\u00e1lise. \u201cPara sedimentar a narrativa de que o \u2018Agro \u00e9 tudo\u2019, inventaram o \u2018Produto Interno Bruto do Agroneg\u00f3cio\u2019\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">De acordo com tal c\u00e1lculo, o agro seria respons\u00e1vel por mais de um quarto do PIB nacional, sendo que, em 2019, totalizou 20,5% e, em 2020, alcan\u00e7ou 26,6% do PIB. \u201cComo \u00e9 poss\u00edvel saltar de uma participa\u00e7\u00e3o na casa dos 5% ao ano para 26%?\u201d, perguntam os ge\u00f3grafos.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left;\"><strong>O \u201cmilagre\u201d da multiplica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: left;\">O Centro de Estudos Avan\u00e7ados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura \u201cLuiz de Queiroz\u201d (Esalq\/USP), \u00e9 o respons\u00e1vel pelo c\u00e1lculo do \u201cPIB do Agro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u201cEm uma opera\u00e7\u00e3o de multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es e peixes outros setores porteira afora foram aglutinados no c\u00e1lculo. Nessa metodologia, calcula-se a soma dos valores da produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria b\u00e1sica\/prim\u00e1ria, dos insumos para atividade, da agroind\u00fastria (processamento) e do que eles chamaram de agrosservi\u00e7os\u201d, explicam os ge\u00f3grafos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Embora o agro seja o setor que menos gera riqueza, recebe muitos cr\u00e9ditos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Ou seja, os cr\u00e9ditos v\u00e3o para quem n\u00e3o produz alimentos para os brasileiros, mas, sim,\u00a0<em>commodities<\/em>\u00a0para exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">No Brasil, o sistema nacional de cr\u00e9ditos \u00e9 a principal pol\u00edtica agropecu\u00e1ria e \u00e9 realizado pelo Plano Safra. Os cr\u00e9ditos s\u00e3o ofertados por institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas para custeio, investimento, comercializa\u00e7\u00e3o e industrializa\u00e7\u00e3o e s\u00e3o distribu\u00eddos segundo categorias: o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para os pequenos produtores familiares, o Programa Nacional de Apoio ao M\u00e9dio Produtor Rural (Pronamp) para os m\u00e9dios e para as demais categorias nas quais se encaixam, principalmente, os grandes produtores, o agro.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">No Plano Safra 2019\/2020, por exemplo, os valores das contrata\u00e7\u00f5es chegaram a 225 bilh\u00f5es de reais, um valor superior ao Plano Safra 2018\/2019 de 173,4 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Os dados da tabela mostram que\u00a0 os \u201cdemais\u201d, ou seja, o agroneg\u00f3cio, \u00e9 quem recebe, de longe, a maior fatia do bolo. No Plano Safra 2019\/2020, enquanto o Pronaf, que congrega o maior universo de produtores no campo brasileiro, recebeu 29 bilh\u00f5es de reais, o Pronamp recebeu 27,9 bilh\u00f5es e o agro 134,8 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A desigualdade na distribui\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos \u00e9 potencializada ao se olhar para os dados de n\u00famero de contratos, mostra o estudo. O Pronaf, que respondeu a 1.416.064 milh\u00e3o de contratos, ficou somente com 12,8% dos recursos; o Pronamp, com 186.363 mil dos contratos e com 12,4% dos cr\u00e9ditos; e os demais, que correspondem a apenas 328.066 mil contratos, receberam 59,9% da totalidade dos cr\u00e9ditos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u201cIsso resulta em uma imensa concentra\u00e7\u00e3o de recursos nas m\u00e3os de um pequeno n\u00famero de produtores rurais, em sua imensa maioria representantes do agro\u201d, avaliam Goldfarb e Mitidiero.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Na regionaliza\u00e7\u00e3o do total de cr\u00e9ditos concedidos para a safra 2019\/2020, ao se comparar com o total de estabelecimentos rurais de cada regi\u00e3o, segundo os dados do Censo Agropecu\u00e1rio do IBGE 2017, constata-se que o Sul recebe 34% dos cr\u00e9ditos e possui 16,8% dos estabelecimentos rurais, o Centro-Oeste com 26% dos cr\u00e9ditos e 6,8% dos estabelecimentos, o Sudeste com 24% dos recursos e 19,1% dos estabelecimentos, o Nordeste com 9% dos recursos, mas com 45,7% dos estabelecimentos, e o Norte com 7% do cr\u00e9dito e 11,4% dos estabelecimentos rurais. Relativamente, o Centro-Oeste com o menor n\u00famero de estabelecimentos rurais \u00e9 a regi\u00e3o que mais recebe cr\u00e9ditos. \u201cOs dados n\u00e3o podiam apontar resultado diferente, pois \u00e9 nessa regi\u00e3o que a grande monocultura exportadora de\u00a0<em>commodities<\/em>\u00a0ganha mais for\u00e7a, com destaque para as fazendas de soja.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Nas safras de julho de 2016 a junho de 2017 e de julho de 2017 a junho de 2018, segundo dados do Banco Central, a pecu\u00e1ria foi a atividade que recebeu mais cr\u00e9ditos, com 74,9 bilh\u00f5es de reais, seguida pela soja com 61,9 bilh\u00f5es, pelo milho com 25,9 bilh\u00f5es, caf\u00e9 com 15,4 bilh\u00f5es e cana-de-a\u00e7\u00facar 13,7 bilh\u00f5es.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left;\"><strong>N\u00e3o paga a conta<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: left;\">Al\u00e9m de ser profundamente privilegiado na distribui\u00e7\u00e3o de recursos p\u00fablicos, o agroneg\u00f3cio deixa pouco para o Brasil, ou seja, \u00e9 um setor pouco tributado.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Um dado que explica a baixa arrecada\u00e7\u00e3o do setor, salienta a an\u00e1lise, \u00e9 a isen\u00e7\u00e3o que recai sobre as exporta\u00e7\u00f5es. Como exemplo, o artigo cita os valores pagos como Imposto de Exporta\u00e7\u00e3o pelas Atividades de Agricultura, Pecu\u00e1ria e Servi\u00e7os Relacionados, entre 2011 e 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Como se v\u00ea na tabela, em 2014, ano em que mais impostos foram pagos, as Atividades de Agricultura, Pecu\u00e1ria e Servi\u00e7os relacionados desembolsaram apenas 85 mil reais com imposto sobre exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Os pesquisadores explicam que a desigualdade do sistema tribut\u00e1rio brasileiro n\u00e3o se d\u00e1 pela quantidade de tributos cobrados, mas, principalmente, por seu car\u00e1ter regressivo, indireto e focado na taxa\u00e7\u00e3o sobre o consumo. Por sua vez, a agropecu\u00e1ria de exporta\u00e7\u00e3o \u00e9 isenta de v\u00e1rios impostos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O texto tamb\u00e9m avalia o Imposto Territorial Rural (ITR). O ITR \u00e9, desde 1997, autodeclarat\u00f3rio, assim como o Imposto de Renda, o que aumenta o risco de sonega\u00e7\u00e3o, uma vez que a fiscaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 praticamente inexistente.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">As al\u00edquotas do ITR variam segundo o grau de utiliza\u00e7\u00e3o da terra e a dimens\u00e3o da \u00e1rea total do im\u00f3vel rural. As al\u00edquotas s\u00e3o maiores \u00e0 medida que a dimens\u00e3o do im\u00f3vel rural aumenta e o seu grau de utiliza\u00e7\u00e3o diminui. Embora seja de compet\u00eancia da Uni\u00e3o, 50% da receita do ITR fica com os munic\u00edpios, podendo chegar a 100%, no caso dos que assinaram conv\u00eanio com a Receita Federal para fiscalizar e cobrar o tributo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">De acordo com a Sociedade Brasileira de Cartografia, o Brasil deixa de arrecadar R$ 2 bilh\u00f5es por ano em impostos na \u00e1rea rural. H\u00e1 muita diverg\u00eancia quanto \u00e0s declara\u00e7\u00f5es dos propriet\u00e1rios de terras e de \u00f3rg\u00e3os governamentais quanto ao uso da terra. Cerca de 87% dos propriet\u00e1rios de terra declaram alcan\u00e7ar grau de utiliza\u00e7\u00e3o maior que 80% de suas terras, enquanto que o Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra) indica que o grau de utiliza\u00e7\u00e3o m\u00e9dia da terra no Brasil \u00e9 da ordem de 59%. Esses dados mostram a grande evas\u00e3o (sonega\u00e7\u00e3o) existente no caso do ITR. \u201cO ITR representa uma injusti\u00e7a fiscal n\u00e3o apenas pela baixa arrecada\u00e7\u00e3o, mas porque os grandes e m\u00e9dios propriet\u00e1rios passaram, em 2010, a pagar menos por hectare, fazendo cair a m\u00e9dia de R$ 1,59 por hectare, em 2003, para R$ 1,52\u201d, afirmam os ge\u00f3grafos.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left;\"><strong>Agro \u00e9 t\u00f3xico<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: left;\">O texto de an\u00e1lise tamb\u00e9m trata do mercado de agrot\u00f3xicos, que movimenta no Brasil, em m\u00e9dia, 10 bilh\u00f5es de d\u00f3lares anualmente. Por\u00e9m, as ind\u00fastrias do setor s\u00e3o desoneradas integralmente do\u00a0<span class=\"tooltipsall tooltipsincontent classtoolTips23\" data-hasqtip=\"1\">IPI<\/span>\u00a0(al\u00edquota m\u00e9dia estimada em 10%), PIS\/Cofins (al\u00edquota cheia estimada em 9,25%) e usufruem de desonera\u00e7\u00e3o parcial de\u00a0<span class=\"tooltipsall tooltipsincontent classtoolTips18\" data-hasqtip=\"0\">ICMS<\/span>\u00a0e de Imposto de Importa\u00e7\u00e3o, sendo que este \u00faltimo \u00e9 extremamente mut\u00e1vel em decorr\u00eancia das in\u00fameras al\u00edquotas e dos volumes importados.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Como os agrot\u00f3xicos s\u00e3o considerados insumos para atividade agr\u00edcola, assim como os fertilizantes, sementes, avi\u00f5es para pulveriza\u00e7\u00e3o e maquin\u00e1rio, o gasto com a sua aquisi\u00e7\u00e3o \u00e9 abatido integralmente na apura\u00e7\u00e3o dos tributos sobre a renda (Imposto de Renda Pessoa Jur\u00eddica e Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido)<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Segundo estudo da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva (Abrasco), da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), as isen\u00e7\u00f5es e redu\u00e7\u00f5es de imposto das empresas produtoras de agrot\u00f3xicos somam quase 10 bilh\u00f5es de reais ao ano. Isso equivale a quase quatro vezes o or\u00e7amento do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente em 2020 (2,7 bilh\u00f5es). A isso se somam, ainda, investimentos p\u00fablicos nas transnacionais do setor. Nos \u00faltimos 14 anos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) emprestou 358,3 milh\u00f5es a empresas do setor.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left;\"><strong>N\u00e3o gera emprego e renda\u00a0<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: left;\">A m\u00e1xima de que o \u201cAgro \u00e9 pop\u201d e gera empregos no Brasil tamb\u00e9m n\u00e3o se sustenta em nenhuma base de dados. Em 2020, durante a pandemia, o setor agropecu\u00e1rio n\u00e3o parou, com crescimento na produ\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ando recordes nas colheitas e na exporta\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>commodities<\/em>. Contudo, 185.477 mil trabalhadores perderam seus empregos nessa safra, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (PNAD), realizada pelo IBGE.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Em 2020, quando o pa\u00eds bateu recordes de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e pecu\u00e1ria, os pre\u00e7os dos alimentos tamb\u00e9m subiram de forma avassaladora e a fome voltou a ser uma realidade. O aumento dos pre\u00e7os dos alimentos, em geral, atingiu 14,09%, enquanto a infla\u00e7\u00e3o oficial foi de 6,29%, em 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Segundo o Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), a infla\u00e7\u00e3o teve impacto de 6,22% para os pobres, mais que o dobro do impacto para os ricos, com 2,74%. No aspecto de comprometimento da renda, as fam\u00edlias pobres comprometeram 37% dos seus or\u00e7amentos com gastos alimentares, energia e g\u00e1s de cozinha, enquanto os ricos comprometeram apenas 15%.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Com os impactos da pandemia na perda de renda das fam\u00edlias, aliada ao aumento dos pre\u00e7os dos alimentos devido \u00e0s escolhas econ\u00f4micas dos governos federais mais recentes, o ano de 2020 terminou com os seguintes resultados: \u201cdo total de 211,7 milh\u00f5es de brasileiros(as), 116,8 milh\u00f5es conviviam com algum grau de Inseguran\u00e7a Alimentar e, destes, 43,4 milh\u00f5es n\u00e3o tinham alimentos em quantidade suficiente e 19 milh\u00f5es de brasileiros(as) enfrentavam a fome\u201d, segundo o\u00a0<strong><span style=\"color: rgb(230, 126, 35);\"><a style=\"color: rgb(230, 126, 35);\" href=\"http:\/\/olheparaafome.com.br\/VIGISAN_Inseguranca_alimentar.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Inqu\u00e9rito Nacional<\/a><\/span><\/strong>\u00a0sobre Inseguran\u00e7a Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left;\"><strong>Inseguran\u00e7a alimentar \u00e9 um projeto<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: left;\">No \u201ctudo\u201d que o agro invoca para si entra a fome. Com isso, o agro \u00e9, tamb\u00e9m, fome, diz a an\u00e1lise. \u201cO agro molda, defende e planeja uma estrutura pol\u00edtico-econ\u00f4mica de produ\u00e7\u00e3o de alimentos que des\u00e1gua no aumento da fome. Por isso, a inseguran\u00e7a alimentar no Brasil n\u00e3o \u00e9 uma consequ\u00eancia inesperada de uma pandemia ou uma falha do sistema econ\u00f4mico, mas, sim, projeto\u201d, concluem.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Os autores finalizam a an\u00e1lise explicando que o texto \u00e9 muito mais que apenas \u201cuma cr\u00edtica \u00e0 falsa ideia de que a economia brasileira \u00e9 sustentada pelo agro e que, portanto, bastaria aprimorar a forma de atua\u00e7\u00e3o deste ou ent\u00e3o industrializar (ou reindustrializar) a economia\u201d. Eles dizem que \u201cpoderia parecer, em um primeiro momento, que para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de inser\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica bastaria industrializar essa produ\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>commodities<\/em>, j\u00e1 que com isso agregar\u00edamos valor \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e ganhar\u00edamos autonomia tecnoprodutiva\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">No entanto, acreditam que \u201co buraco \u00e9 mais embaixo: N\u00e3o se trata apenas de agregar valor \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do agro, assim como n\u00e3o basta o agro passar a pagar mais impostos ou a produzir internamente seus insumos tecnol\u00f3gicos e todos os problemas estar\u00e3o resolvidos. Um outro desenvolvimento, uma outra agropecu\u00e1ria, ou seja, uma outra forma de produzir e distribuir \u00e9 o que nos move\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O que a an\u00e1lise pretendeu mostrar, afirmam, \u00e9 que \u201cnem do ponto de vista capitalista o pa\u00eds est\u00e1 no rumo certo. Isso porque o agro brasileiro \u00e9 um tiro no p\u00e9 do pr\u00f3prio desenvolvimento capitalista brasileiro\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Essa \u00e9 a hist\u00f3ria do Reino de Agrus. 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