{"id":39803,"date":"2026-02-15T10:48:44","date_gmt":"2026-02-15T13:48:44","guid":{"rendered":"https:\/\/fronteiralivre.com.br\/?p=39803"},"modified":"2026-02-15T10:48:44","modified_gmt":"2026-02-15T13:48:44","slug":"silencio-combustivel-feminicidio-meter-a-colher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fronteiralivre.com.br\/es\/silencio-combustivel-feminicidio-meter-a-colher\/","title":{"rendered":"O sil\u00eancio \u00e9 o combust\u00edvel do feminic\u00eddio: Por que precisamos &#8220;meter a colher&#8221; sim"},"content":{"rendered":"<p data-path-to-node=\"4\"><strong>*Editorial Fronteira Livre<\/strong><\/p>\n<p data-path-to-node=\"5\">No Brasil de 2025, a cada dois minutos, cinco mulheres s\u00e3o violentamente agredidas. O dado, embora frio em sua estat\u00edstica, sangra na realidade de cada esquina. Ocupamos o 5\u00ba lugar em um ranking global de feminic\u00eddios, uma marca vergonhosa para uma na\u00e7\u00e3o que ainda tenta esconder o sangue debaixo do tapete com o velho ditado de que <strong>&#8220;em briga de marido e mulher n\u00e3o se mete a colher&#8221;.<\/strong> No <b data-path-to-node=\"5\" data-index-in-node=\"388\">Fronteira Livre<\/b>, afirmamos o contr\u00e1rio: onde h\u00e1 viol\u00eancia, a sociedade tem o dever de intervir.<\/p>\n<h3 data-path-to-node=\"6\"><b data-path-to-node=\"6\" data-index-in-node=\"0\">A raiz do problema: O machismo como estrutura<\/b><\/h3>\n<p data-path-to-node=\"7\">A viol\u00eancia contra a mulher n\u00e3o nasce do nada. Ela \u00e9 o est\u00e1gio final de uma cultura patriarcal que ensina homens a serem <strong>&#8220;donos&#8221; de corpos e vontades<\/strong>. Quando ouvimos que <strong>&#8220;mulher apanha porque gosta&#8221;<\/strong>, testemunhamos uma crise de consci\u00eancia social. Nenhuma mulher permanece no ciclo da viol\u00eancia por prazer. Elas ficam por <b data-path-to-node=\"7\" data-index-in-node=\"321\">medo, vergonha e falta de recursos<\/b>. Elas ficam tentando sobreviver, protegendo seus filhos e esperando que o monstro que amaram um dia volte a ser humano.<\/p>\n<p data-path-to-node=\"8\">Diferente do que o senso comum propaga,<strong> a agress\u00e3o n\u00e3o escolhe CEP ou conta banc\u00e1ria. Ela invade mans\u00f5es e favelas, ignora diplomas e religi\u00f5es.<\/strong> \u00c9 um fen\u00f4meno democr\u00e1tico em sua crueldade.<\/p>\n<h3 data-path-to-node=\"9\"><b data-path-to-node=\"9\" data-index-in-node=\"0\">O \u00f3dio que se transforma em crime: F\u00e9 e posse<\/b><\/h3>\n<p data-path-to-node=\"10\">Os epis\u00f3dios recentes mostram as diversas faces dessa viol\u00eancia. Em Foz do Igua\u00e7u, o ataque brutal contra duas mulheres mu\u00e7ulmanas em um shopping n\u00e3o foi apenas intoler\u00e2ncia religiosa; foi um ataque ao corpo feminino. Ao arrancar o <strong><i data-path-to-node=\"10\" data-index-in-node=\"232\">hijab<\/i> de uma mulher<\/strong>, o agressor tentou despoj\u00e1-la de sua identidade e dignidade. A misoginia aqui se vestiu de xenofobia.<\/p>\n<p data-path-to-node=\"11\"><strong>J\u00e1 no caso de Tainara, em S\u00e3o Paulo,<\/strong> vimos a face mais letal do machismo: o sentimento de posse disfar\u00e7ado de ci\u00fames. <strong data-start=\"118\" data-end=\"141\">Em novembro de 2025<\/strong>, ela foi arrastada por cerca de um quil\u00f4metro por um ex-namorado que n\u00e3o aceitava o fim da rela\u00e7\u00e3o \u2014 uma materializa\u00e7\u00e3o do horror. Douglas Alves da Silva n\u00e3o<strong> \u201cperdeu o controle\u201d<\/strong>. Homens que agridem mulheres sabem se controlar \u2014 eles n\u00e3o atacam seus patr\u00f5es ou policiais. <strong>Eles escolhem suas v\u00edtimas com base na certeza da impunidade e na cren\u00e7a de que a mulher \u00e9 um objeto sob sua propriedade.<\/strong> Tainara morreu na noite de 24 de dezembro, ap\u00f3s quase um m\u00eas internada em estado grave.<\/p>\n<h3 data-path-to-node=\"6,0\"><b data-path-to-node=\"6,0\" data-index-in-node=\"0\">60% dos feminic\u00eddios s\u00e3o motivados pelo sentimento de posse<\/b><\/h3>\n<p data-path-to-node=\"6,1\">Um levantamento do Tribunal de Justi\u00e7a (MS) revela a face mais cruel do machismo estrutural: em <b data-path-to-node=\"6,1\" data-index-in-node=\"96\">42% dos casos<\/b>, o feminic\u00eddio ocorre porque o autor n\u00e3o aceita o fim do relacionamento. Somados aos <b data-path-to-node=\"6,1\" data-index-in-node=\"195\">18% motivados por ci\u00fames<\/b>, chegamos \u00e0 marca de que <b data-path-to-node=\"6,1\" data-index-in-node=\"245\">6 em cada 10 mortes de mulheres<\/b> acontecem porque o agressor se sente <strong>&#8220;dono&#8221; da v\u00edtima.<\/strong><\/p>\n<h4 data-path-to-node=\"6,2\">Essa realidade \u00e9 fruto de uma educa\u00e7\u00e3o que, historicamente:<\/h4>\n<ul data-path-to-node=\"6,3\">\n<li>\n<p data-path-to-node=\"6,3,0,0\"><b data-path-to-node=\"6,3,0,0\" data-index-in-node=\"0\">Incentiva meninos<\/b> \u00e0 agressividade, \u00e0 for\u00e7a f\u00edsica e \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o imediata de seus desejos e domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p data-path-to-node=\"6,3,1,0\"><b data-path-to-node=\"6,3,1,0\" data-index-in-node=\"0\">Condiciona meninas<\/b> \u00e0 passividade, \u00e0 submiss\u00e3o e ao cuidado excessivo com o outro em detrimento de si mesmas.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p data-path-to-node=\"6,4\">O resultado dessa balan\u00e7a desequilibrada \u00e9 a <strong>cren\u00e7a masculina de que ele possui o direito de &#8220;punir&#8221; ou &#8220;disciplinar&#8221;<\/strong> a mulher que ousa exercer sua autonomia e encerrar um ciclo.<\/p>\n<h3 data-path-to-node=\"12\"><b data-path-to-node=\"12\" data-index-in-node=\"0\">A fal\u00e1cia do transtorno mental: O caso BBB 26<\/b><\/h3>\n<p data-path-to-node=\"13\">Um diagn\u00f3stico m\u00e9dico n\u00e3o produz misoginia. Recentemente, a situa\u00e7\u00e3o de Pedro Esp\u00edndola no <b data-path-to-node=\"13\" data-index-in-node=\"91\">BBB 26<\/b> trouxe essa discuss\u00e3o \u00e0 tona. <strong>Ap\u00f3s cometer importuna\u00e7\u00e3o sexual ao vivo \u2014 tentando agarrar o pesco\u00e7o de uma participante e for\u00e7ar um beijo \u2014<\/strong>, as redes sociais foram inundadas por justificativas como <strong>&#8220;ele est\u00e1 em surto&#8221; ou &#8220;ele tem transtorno mental&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p data-path-to-node=\"14\"><strong>Essa alega\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m apareceu no caso de Foz, onde o agressor alegou uso de medica\u00e7\u00e3o controlada, n\u00e3o inocenta o autor.<\/strong> Pelo contr\u00e1rio: relacionar agress\u00e3o \u00e0 mulher a doen\u00e7as mentais interrompe o processo de justi\u00e7a e causa mais sofrimento \u00e0s v\u00edtimas. <strong>\u00c9 preciso parar de usar a sa\u00fade mental ou medicamentos fortes para justificar o machismo.<\/strong> O agressor sabe o que est\u00e1 fazendo; ele age assim porque acredita que n\u00e3o haver\u00e1 consequ\u00eancias.<\/p>\n<h3 data-path-to-node=\"15\"><b data-path-to-node=\"15\" data-index-in-node=\"0\">Desconstruindo os mitos da conviv\u00eancia<\/b><\/h3>\n<h4 data-path-to-node=\"13\">Precisamos enterrar as desculpas que legitimam o agressor:<\/h4>\n<ol start=\"1\" data-path-to-node=\"14\">\n<li>\n<p data-path-to-node=\"14,0,0\"><b data-path-to-node=\"14,0,0\" data-index-in-node=\"0\">&#8220;Ele estava b\u00eabado ou sob efeito de drogas&#8221;:<\/b> o \u00e1lcool pode ser um gatilho, mas n\u00e3o \u00e9 a causa. Milhares de homens bebem e n\u00e3o agridem. A agress\u00e3o vem da cren\u00e7a de superioridade, do desejo de dominar e ferir uma mulher. Isso \u00e9 cultural.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p data-path-to-node=\"14,1,0\"><b data-path-to-node=\"14,1,0\" data-index-in-node=\"0\">&#8220;Se era t\u00e3o ruim, por que ela n\u00e3o saiu antes?&#8221;:<\/b> o momento da separa\u00e7\u00e3o \u00e9 justamente quando ocorre a maioria dos feminic\u00eddios. O isolamento paralisante impede a rea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p data-path-to-node=\"14,2,0\"><b data-path-to-node=\"14,2,0\" data-index-in-node=\"0\">&#8220;\u00c9 melhor pelo bem dos filhos&#8221;:<\/b> crian\u00e7as que crescem em lares violentos n\u00e3o s\u00e3o protegidas; elas s\u00e3o traumatizadas e tendem a reproduzir o ciclo no futuro.<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<h3 data-path-to-node=\"18\"><b data-path-to-node=\"18\" data-index-in-node=\"0\">O impacto p\u00fablico e o papel do estado<\/b><\/h3>\n<div class=\"flex flex-col text-sm pb-25\">\n<article class=\"text-token-text-primary w-full focus:outline-none [--shadow-height:45px] has-data-writing-block:pointer-events-none has-data-writing-block:-mt-(--shadow-height) has-data-writing-block:pt-(--shadow-height) [&amp;:has([data-writing-block])&gt;*]:pointer-events-auto scroll-mt-[calc(var(--header-height)+min(200px,max(70px,20svh)))]\" dir=\"auto\" tabindex=\"-1\" data-turn-id=\"request-698fb9f4-83a4-832b-9489-766cbae5a388-2\" data-testid=\"conversation-turn-48\" data-scroll-anchor=\"true\" data-turn=\"assistant\">\n<div class=\"text-base my-auto mx-auto pb-10 [--thread-content-margin:--spacing(4)] @w-sm\/main:[--thread-content-margin:--spacing(6)] @w-lg\/main:[--thread-content-margin:--spacing(16)] px-(--thread-content-margin)\">\n<div class=\"[--thread-content-max-width:40rem] @w-lg\/main:[--thread-content-max-width:48rem] mx-auto max-w-(--thread-content-max-width) flex-1 group\/turn-messages focus-visible:outline-hidden relative flex w-full min-w-0 flex-col agent-turn\" tabindex=\"-1\">\n<div class=\"flex max-w-full flex-col grow\">\n<div class=\"min-h-8 text-message relative flex w-full flex-col items-end gap-2 text-start break-words whitespace-normal [.text-message+&amp;]:mt-1\" dir=\"auto\" data-message-author-role=\"assistant\" data-message-id=\"ac8d5031-ac05-4484-8344-8d30113fb1dd\" data-message-model-slug=\"gpt-5-2\">\n<div class=\"flex w-full flex-col gap-1 empty:hidden first:pt-[1px]\">\n<div class=\"markdown prose dark:prose-invert w-full wrap-break-word light markdown-new-styling\">\n<p data-start=\"94\" data-end=\"421\" data-is-last-node=\"\" data-is-only-node=\"\"><strong>A viol\u00eancia dom\u00e9stica n\u00e3o \u00e9 \u201croupa suja que se lava em casa\u201d.<\/strong> Ela \u00e9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica, de ordem civil e criminal e tamb\u00e9m de impacto na economia nacional. Gera gastos com interna\u00e7\u00f5es, aux\u00edlios-doen\u00e7a e aposentadorias precoces. \u00c9 um dreno nos recursos do Estado, provocado por homens que acreditam estar acima da lei.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<p data-path-to-node=\"20\">A pesquisa do DataSenado de 2025 traz um fio de esperan\u00e7a: a queda de agress\u00f5es nos \u00faltimos 12 meses (de 7% para 4%). <strong>No entanto, o fato de quase metade das medidas protetivas serem descumpridas mostra que o sistema ainda falha em proteger quem denuncia.<\/strong><\/p>\n<h3 data-path-to-node=\"21\"><b data-path-to-node=\"21\" data-index-in-node=\"0\">Educa\u00e7\u00e3o e enfrentamento<\/b><\/h3>\n<p data-path-to-node=\"22\">Para o <b data-path-to-node=\"22\" data-index-in-node=\"7\">Fronteira Livre<\/b>, a puni\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental, mas o enfrentamento deve ser multidisciplinar. Precisamos de debate nas escolas, pol\u00edticas p\u00fablicas integradas e, acima de tudo, uma mudan\u00e7a na cultura do<strong> &#8220;n\u00e3o se envolver&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p data-path-to-node=\"23\">A Lei Maria da Penha \u00e9 clara: \u00e9 dever da fam\u00edlia, da sociedade e do poder p\u00fablico assegurar a dignidade da mulher. <strong>Quando voc\u00ea ouve um grito no vizinho e se cala, voc\u00ea est\u00e1 dando o aval para o pr\u00f3ximo golpe.<\/strong> Que a nossa reflex\u00e3o seja sobre a nossa responsabilidade. <strong>O machismo mata. O sil\u00eancio tamb\u00e9m.<\/strong><\/p>\n<p data-path-to-node=\"23\"><strong><em>Este texto reflete a opini\u00e3o institucional do portal Fronteira Livre sobre o tema abordado.<\/em><\/strong><\/p>\n<p data-path-to-node=\"23\">\n<p data-path-to-node=\"23\">\n<p>https:\/\/fronteiralivre.com.br\/mundo\/mexico-aumenta-salario-minimo-e-reduz-jornada-de-trabalho-para-40-horas-semanais<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Editorial Fronteira Livre No Brasil de 2025, a cada dois minutos, cinco mulheres s\u00e3o violentamente agredidas. O dado, embora frio em sua estat\u00edstica, sangra na realidade de cada esquina. 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