{"id":37402,"date":"2026-01-14T06:22:43","date_gmt":"2026-01-14T09:22:43","guid":{"rendered":"https:\/\/fronteiralivre.com.br\/?p=37402"},"modified":"2026-01-14T06:22:43","modified_gmt":"2026-01-14T09:22:43","slug":"venezuela-o-imperio-ameaca-e-esta-nu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fronteiralivre.com.br\/es\/venezuela-o-imperio-ameaca-e-esta-nu\/","title":{"rendered":"Venezuela: o Imp\u00e9rio amea\u00e7a \u2014 e est\u00e1 nu"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-right\"><em><strong>Por\u00a0Antonio Martins &#8211; Opini\u00e3o<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">A Venezuela n\u00e3o \u00e9 para principiantes. Em 3 de janeiro de 2026, um ataque militar maci\u00e7o dos Estados Unidos, que concentram no Caribe a\u00a0<span style=\"color: #ff0000;\"><strong><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/stories.theconversation.com\/tracking-the-us-military-in-the-caribbean\/\">maior for\u00e7a naval agressora<\/a>\u00a0<\/strong><\/span>j\u00e1 reunida nas Am\u00e9ricas, sequestrou Nicol\u00e1s Maduro e decapitou o governo do pa\u00eds. Desde ent\u00e3o, Donald Trump e o secret\u00e1rio de Estado, Marco Rubio, t\u00eam multiplicado amea\u00e7as. Falaram num \u201csegundo ataque\u201d. Alardearam que \u201cqualquer integrante do governo ou das for\u00e7as armadas\u201d pode sofrer o mesmo que impuseram a Maduro. Acrescentaram que Delcy Rodriguez, a vice-presidente agora em exerc\u00edcio, pode defrontar-se com\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=pIwmqfUOgpw\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>\u201calgo pior\u201d<\/strong><\/span><\/a>. Na vocifera\u00e7\u00e3o mais recente, o pr\u00f3prio Trump \u201cassegurou\u201d num post em rede social, em 6 de janeiro, que Washington\u00a0<span style=\"color: #ff0000;\"><strong><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2026\/01\/06\/business\/venezuela-oil-supply.html?smid=url-share\">exigir\u00e1 de Caracas<\/a><\/strong><\/span>\u00a0de 30 a 50 milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo (dois meses de produ\u00e7\u00e3o), cuja receita seria administrada por ele em pessoa\u2026<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">No mesmo dia em que esta \u00faltima intimida\u00e7\u00e3o foi proferida, Delcy Rodriguez fez sua primeira apari\u00e7\u00e3o nas ruas de Caracas, na condi\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>presidenta interina.\u00a0<\/em><a href=\"https:\/\/www.telesurtv.net\/venezuela-siete-dias-duelo-asesinados-eeuu\/\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Escolheu como cen\u00e1rio<\/strong><\/span><\/a>\u00a0um local simb\u00f3lico: a Comuna Socialista Jos\u00e9 F\u00e9lix Ribas, parte do projeto chavista (retomado apenas recentemente por Maduro) de criar<span style=\"color: #ff0000;\"><strong>\u00a0<a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/www.telesurtv.net\/venezuela-siete-dias-duelo-asesinados-eeuu\/\">institui\u00e7\u00f5es de poder e de iniciativa econ\u00f4mica popular<\/a>.<\/strong> <\/span>Foi categ\u00f3rica: \u201caqui governa o povo, aqui h\u00e1 poder constitucional\u201d. Denunciou a a\u00e7\u00e3o de Trump como \u201cagress\u00e3o armada unilateral\u201d. Exigiu que \u201ccessem o ass\u00e9dio \u00e0 Venezuela e a agress\u00e3o ao povo de Bol\u00edvar\u201d, e que o presidente seja libertado.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ainda est\u00e3o rolando os dados \u2014 na Venezuela e em toda a Am\u00e9rica Latina. A a\u00e7\u00e3o militar fulminante dos Estados Unidos e as falas de Trump desde ent\u00e3o marcam uma guinada nas rela\u00e7\u00f5es entre Washington e a regi\u00e3o. O direito internacional foi violado de m\u00faltiplas maneiras; e de forma indisfar\u00e7ada. A Casa Branca anuncia a volta da Doutrina Monroe e da estrat\u00e9gia do\u00a0<em>Big Stick,<\/em>\u00a0agora em vers\u00e3o piorada (a\u00a0<span style=\"color: #ff0000;\"><strong><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/11\/17\/world\/americas\/trump-latin-america-monroe-doctrine.html\">\u201cDoutrina Donroe\u201d<\/a><\/strong><\/span>). Mas o exame mais profundo dos fatos, que se far\u00e1 a seguir, revela que seu poder tem limites.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Eles aparecem nas pr\u00f3prias decis\u00f5es de Trump. Apesar do imenso poder b\u00e9lico que re\u00fane, e de seu esfor\u00e7o para concentr\u00e1-lo nas Am\u00e9ricas (o \u201chemisf\u00e9rio ocidental\u201d da Doutrina Monroe), o presidente\u00a0<em>n\u00e3o pode\u00a0<\/em>lan\u00e7ar uma invas\u00e3o em larga escala, como fizeram seus antecessores recentes no Iraque e Afeganist\u00e3o. Em decorr\u00eancia disso, tamb\u00e9m refugou diante do passo que pareceria natural, ap\u00f3s o sucesso do ataque: ir adiante. E tentar a mudan\u00e7a de regime.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">A contradi\u00e7\u00e3o entre os planos e os poderes reais de Trump abre uma brecha, e o objetivo principal deste texto \u00e9 explor\u00e1-la. A Am\u00e9rica Latina, e em particular o Brasil, j\u00e1 n\u00e3o podem manter com os Estados Unidos as mesmas rela\u00e7\u00f5es de antes \u2014 mas os governos e a opini\u00e3o p\u00fablica demoram a dar-se conta disso.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">N\u00e3o se trata de emitir declara\u00e7\u00f5es de protesto (as que o Brasil patrocinou ou firmou at\u00e9 o momento s\u00e3o razo\u00e1veis). A Doutrina Donroe, o ataque pioneiro \u00e0 Venezuela e as amea\u00e7as subsequentes de Trump a outros pa\u00edses da regi\u00e3o constituem, em conjunto, uma declara\u00e7\u00e3o permanente de guerra. Nesse sentido, o imp\u00e9rio est\u00e1 nu \u2014 pois despiu-se da roupagem que o associava, no passado, \u00e0 \u201cdemocracia\u201d, \u00e0 \u201cliberdade\u201d ou ao \u201cEstado de direito\u201d.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Mas o poder potencialmente agressor tira proveito de duas ordens de vulnerabilidade. A primeira, de fundo, \u00e9 a aus\u00eancia prolongada de projetos nacionais. Foco principal da aplica\u00e7\u00e3o do neoliberalismo, a maior parte dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina continua submissa \u2014 mesmo agora, quando esta ideologia est\u00e1 em farrapos \u2014 \u00e0 cren\u00e7a nas \u201csolu\u00e7\u00f5es de mercado\u201d. O Brasil \u00e9 parte do grupo.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">A segunda debilidade \u00e9 mais espec\u00edfica, por\u00e9m mais urgente. Por isso mesmo, sugere um ponto de partida para a a\u00e7\u00e3o. As brechas diante do poder da Casa Branca s\u00e3o especialmente graves em tr\u00eas dimens\u00f5es: a) as tecnologias de informa\u00e7\u00e3o, as plataformas de comunica\u00e7\u00e3o em rede e a intelig\u00eancia artificial, onde as<em>\u00a0big techs<\/em>\u00a0norte-americanas, associadas \u00e0 ultradireita, exercem pleno dom\u00ednio; b) as For\u00e7as Armadas, cujo armamento, comunica\u00e7\u00e3o e log\u00edstica est\u00e3o subordinados aos Estados Unidos; c) a diplomacia, que permanece incapaz de enxergar \u2014 e, muito menos, de explorar \u2014 as novas possibilidades abertas pelo decl\u00ednio da ordem euroc\u00eantrica. Segue cega, em especial, como se ver\u00e1, aos acenos m\u00faltiplos lan\u00e7ados pela China.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Certos riscos s\u00e3o tamb\u00e9m oportunidades. H\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas, a esquerda brasileira vive um processo de institucionaliza\u00e7\u00e3o que a afastou de pensar \u2014 e projetar para a popula\u00e7\u00e3o \u2014 um horizonte hist\u00f3rico. H\u00e1 agora um estridente sinal de alerta. Ele ajudar\u00e1 a despertar da letargia?<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\"><strong>O assalto: N\u00e3o saia \u00e0 ca\u00e7a de traidores. Uma desigualdade brutal de for\u00e7as tornou o sequestro poss\u00edvel<\/strong><\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Poucas horas separam dois fatos surpreendentes \u2014 um dependente do outro. Por volta das duas da madrugada de s\u00e1bado (3\/1), ap\u00f3s meses de preparativos, o peso das for\u00e7as militares mais poderosas do planeta abateu-se como um raio sobre Caracas. Come\u00e7ava a opera\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Decis\u00e3o Absoluta\u00a0<\/em>(\u201cAbsolute Resolve\u201d), que se desenrolaria em pouco mais de duas horas. Os pilotos de 150 avi\u00f5es, estacionados em bases a\u00e9reas e em embarca\u00e7\u00f5es de guerra deslocadas para o Caribe, receberam enfim a ordem de iniciar a miss\u00e3o ensaiada exaustivamente ao longo de meses.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Em poucos minutos, quatro alvos estrat\u00e9gicos para a defesa da Venezuela foram arrasados \u2014 o que colocou o pa\u00eds de joelhos, conforme\u00a0<span style=\"color: #ff0000;\"><strong><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/venezuela-ha-resistencia-apos-ataque-brutal\/\">relata Carla Ferreira<\/a>:<\/strong><\/span> o\u00a0<strong>Forte Ti\u00fana<\/strong>, principal instala\u00e7\u00e3o militar do pa\u00eds, sede do Minist\u00e9rio da Defesa e do Comando Estrat\u00e9gico da For\u00e7a Armada; a\u00a0<strong>Base A\u00e9rea de La Carlota<\/strong>, n\u00facleo log\u00edstico de prote\u00e7\u00e3o da capital; o\u00a0<strong>Comando Geral da Mil\u00edcia Bolivariana,\u00a0<\/strong>c\u00e9rebro das for\u00e7as de resist\u00eancia civil armada, muito pr\u00f3ximo ao Pal\u00e1cio Presidencial de Miraflores e o\u00a0<strong>Porto de La Guaira<\/strong>, que abastece a capital com suprimentos m\u00e9dicos, bens de consumo e manufaturados. Foram destro\u00e7adas igualmente as baterias antia\u00e9reas que deveriam proteger Caracas.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ao se deslocarem, os avi\u00f5es \u2014 entre eles, poderosos F-18, F-22 e F-35 \u2014\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/interactive\/2026\/01\/03\/world\/americas\/maduro-capture-venezuela-strikes-maps.html\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>abriram um corredor letal<\/strong><\/span><\/a>. Um ataque eletr\u00f4nico,\u00a0<span style=\"color: #ff0000;\"><strong><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/www.sociedademilitar.com.br\/2024\/12\/marinha-dos-eua-e-boeing-chocam-o-setor-militar-com-o-ea-18g-growler-uma-plataforma-de-ataque-eletronico-equipada-com-tecnologia-avancada-para-missoes-cvl.html\">produzido pelos especializados Boeing Growler<\/a><\/strong><\/span>, colocou a Venezuela em blecaute e sob \u201capag\u00e3o cibern\u00e9tico\u201d, e ampliou a blindagem, ao bloquear as possibilidades de intercepta\u00e7\u00e3o. Pela grande fresta\u00a0<span style=\"color: #ff0000;\"><strong><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/www.economist.com\/the-americas\/2026\/01\/03\/how-the-pentagon-snatched-nicolas-maduro\">penetraram<\/a><\/strong><\/span>, voando a altitudes muito baixas e invis\u00edveis aos radares, os helic\u00f3pteros Chinook. Em seu interior estavam centenas de soldados da For\u00e7a Delta, de elite. Haviam sido informados \u2014 por\u00a0agentes da CIA, drones de espionagem e possivelmente informantes no aparato de seguran\u00e7a venezuelano \u2014 sobre o local preciso (o Forte Ti\u00fana) em que se encontravam, naquela noite, Nicol\u00e1s Maduro e Cilia Flores, sua esposa. Conheciam em detalhes seu interior, ap\u00f3s haverem simulado a opera\u00e7\u00e3o em cen\u00e1rios que o reproduziam, em escala 1:1, no Comando Conjunto das Opera\u00e7\u00f5es Especiais, no estado norte-americano de Kentucky.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">A fase final durou pouco mais de meia hora. Maduro e Cilia foram sequestrados, algemados e conduzidos ao mini-porta-avi\u00f5es USS Iwo Jima, de onde partiram para a base naval de Guant\u00e1namo e de l\u00e1, por helic\u00f3ptero, a Nova York. Cerca de oitenta integrantes da seguran\u00e7a de Maduro \u2014 entre os quais, 32 cubanos \u2014<span style=\"color: #ff0000;\"><strong>\u00a0<a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/internacional\/ultimas-noticias\/2026\/01\/04\/equipe-seguranca-maduro-denuncia.htm\">foram assassinados<\/a><\/strong><\/span>\u00a0pelos invasores. Nenhum soldado norte-americano morreu, diz o Pent\u00e1gono. O\u00a0<span style=\"color: #ff0000;\"><strong><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Military_budget_of_the_United_States\">or\u00e7amento de guerra dos Estados Unidos<\/a><\/strong><\/span>, que ultrapassar\u00e1 1 trilh\u00e3o de d\u00f3lares em 2026, \u00e9 o maior do mundo e superior ao dos dez pa\u00edses que se seguem no quesito, somados. Equivale ao PIB da Col\u00f4mbia ou ao da B\u00e9lgica. Do ponto de vista militar, a opera\u00e7\u00e3o foi um sucesso.<\/p>\n<h3 class=\"has-text-align-justify\"><strong>A boca nervosa: Toda a Am\u00e9rica Latina est\u00e1 agora sob amea\u00e7a, anuncia Trump<\/strong><\/h3>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Mais tortuosos e complexos s\u00e3o os caminhos da pol\u00edtica. Eram cerca de 13h30 do mesmo s\u00e1bado (3\/1) quando Donald Trump falou pela primeira vez \u00e0 imprensa, em sua mans\u00e3o na Fl\u00f3rida, sobre o sequestro de Maduro. Como defender a invas\u00e3o e bombardeio de um pa\u00eds soberano \u2014 que jamais atacou ou amea\u00e7ou os Estados Unidos \u2014 e o sequestro do seu chefe de Estado? Al\u00e9m da dificuldade natural do problema, havia agravantes. A hip\u00f3tese de que a Venezuela abastece de coca\u00edna os Estados Unidos<span style=\"color: #ff0000;\"><strong>\u00a0<a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/venezuela-a-fabricacao-de-uma-mentira\/\">\u00e9 inveross\u00edmil<\/a><\/strong><\/span>, segundo as pr\u00f3prias ag\u00eancias de intelig\u00eancia norte-americanas. Os Estados Unidos jamais apresentaram, no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU ou na Corte Internacional de Justi\u00e7a, qualquer queixa a respeito. E, por interesse geopol\u00edtico e partid\u00e1rio, o pr\u00f3prio Trump\u00a0<span style=\"color: #ff0000;\"><strong><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/12\/02\/us\/politics\/hernandez-honduras-trump.html\">acaba de tirar da pris\u00e3o<\/a><\/strong><\/span>\u00a0o traficante internacional Juan Orlando Hern\u00e1ndez, ex-presidente de Honduras, sentenciado a 45 anos num tribunal de Nova York ap\u00f3s extradi\u00e7\u00e3o e devido processo legal.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">A resposta enunciada por Trump continuar\u00e1 a marcar as rela\u00e7\u00f5es internacionais muito depois que a a\u00e7\u00e3o espetaculosa da For\u00e7a Delta em Caracas tenha se perdido na poeira do tempo. Em 3 e 4\/1, em declara\u00e7\u00f5es sucessivas de seus governantes, os Estados Unidos anunciaram que tentar\u00e3o impor, em toda a Am\u00e9rica, uma vers\u00e3o agravada da\u00a0<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Monroe_Doctrine\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Doutrina Monroe<\/strong><\/span><\/a>\u00a0(de 1823) e da\u00a0<span style=\"color: #ff0000;\"><strong><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Big_stick_ideology\">Ideologia do Grande Porrete<\/a>\u00a0<\/strong><\/span>[<em>Big Stick Ideology<\/em>] (de 1904). A amea\u00e7a estava expl\u00edcita, em teoria, na nova\u00a0<span style=\"color: #ff0000;\"><strong><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/historia-e-memoria\/america-latina-diante-da-ameaca-trump\/\">Estrat\u00e9gia de Seguran\u00e7a Nacional<\/a><\/strong><\/span>\u00a0tornada p\u00fablica pela Casa Branca em dezembro de 2025. Mas a extens\u00e3o da cobi\u00e7a de Washington pelas riquezas latino-americanas e a inten\u00e7\u00e3o de usurpar a soberania dos Estados do continente seriam expostas com crueza a seguir.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">O jorro intimidat\u00f3rio emanou primeiro da garganta do pr\u00f3prio Trump. \u201cA domina\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos sobre as Am\u00e9ricas nunca ser\u00e1 questionada de novo. [Isso] n\u00e3o vai acontecer\u201d,\u00a0<span style=\"color: #ff0000;\"><strong><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/www.economist.com\/the-americas\/2026\/01\/03\/donald-trump-wants-to-run-venezuela-and-dominate-the-western-hemisphere\">disse o presidente<\/a><\/strong><\/span>\u00a0aos jornalistas. O sequestro de Maduro foi, previsivelmente, associado a seu suposto envolvimento com a produ\u00e7\u00e3o de coca\u00edna. Mas, em seguida, ficou claro tratar-se apenas de um pretexto, porque o presidente passou a descrever o destino que pretende dar\u2026 ao petr\u00f3leo venezuelano. \u201cVamos manej\u00e1-lo profissionalmente, temos as maiores empresas petroleiras do planeta. Investiremos bilh\u00f5es e bilh\u00f5es de d\u00f3lares\u201d. Para assegurar este controle, sob a nova estrat\u00e9gia, Trump disse n\u00e3o descartar a hip\u00f3tese de uma\u00a0<strong><span style=\"color: #ff0000;\"><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=XnosVnwu93Y\">invas\u00e3o militar<\/a><\/span><\/strong>\u00a0(botas no ch\u00e3o,\u00a0<em>boots on the ground<\/em>) [embora tema muito desencade\u00e1-la, como se ver\u00e1].<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Logo, ficaria expl\u00edcito que o alvo da Casa Branca abrange muito mais que a Venezuela. No domingo (4\/1) pela manh\u00e3,\u00a0<span style=\"color: #ff0000;\"><strong><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=CI5iKY9q1ow\">ao falar \u00e0 Fox News<\/a><\/strong><\/span><em><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>,<\/strong><\/span>\u00a0<\/em>Trump estenderia a amea\u00e7a \u00e0 presidente mexicana Claudia Sheinbaum. Indagado sobre se o ataque a Caracas sugeria algo a Claudia, ele respondeu de pronto: \u201cEla n\u00e3o est\u00e1 governando seu pa\u00eds \u2014 s\u00e3o os cart\u00e9is (\u2026) Algo precisa ser feito\u201d. No mesmo dia, em<span style=\"color: #ff0000;\"><strong>\u00a0<a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/www.theatlantic.com\/national-security\/2026\/01\/trump-venezuela-maduro-delcy-rodriguez\/685497\/\"><em>entrevista \u00e0 revista Atlantic<\/em><\/a><\/strong><\/span><em><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>,<\/strong><\/span>\u00a0<\/em>\u00a0as vocifera\u00e7\u00f5es voltaram-se contra a Groenl\u00e2ndia: \u201cPrecisamos dela para nossa Defesa\u201d. E mais tarde, a bordo do avi\u00e3o presidencial, a boca nervosa buscou Gustavo Petro, presidente da Col\u00f4mbia: o pa\u00eds \u201ctamb\u00e9m est\u00e1 muito doente, governado por um homem doente, que gosta de produzir coca\u00edna e vend\u00ea-la aos Estados Unidos \u2014 e n\u00e3o vai continuar fazendo isso por muito tempo\u201d\u2026<\/p>\n<h3 class=\"has-text-align-justify\"><strong>Governo teleguiado? Trump e Rubio querem controlar a Venezuela \u00e0 dist\u00e2ncia<\/strong><\/h3>\n<p class=\"has-text-align-justify\">No retrocesso trumpiano \u00e0 Doutrina Monroe e \u00e0 Ideologia do Grande Porrete, h\u00e1 uma inova\u00e7\u00e3o destacada e paradoxal. Est\u00e1 exposta no ataque \u00e0 Venezuela. Ao menos at\u00e9 o momento, os Estados Unidos n\u00e3o buscam a mudan\u00e7a de regime [<em>regime change],\u00a0<\/em>que perseguiram em todo o mundo por d\u00e9cadas, tanto sob governos do Partido Republicano quanto do Democrata. Exigem a\u00a0<em>reorienta\u00e7\u00e3o total da pol\u00edtica<\/em>. Maduro foi sequestrado, mas n\u00e3o morto (ao contr\u00e1rio de Saddam Hussein e Mouamar Khadafi). Al\u00e9m disso \u2014 e muito mais importante \u2014 Trump e seus assessores disseram oferecer, tanto \u00e0 vice-presidente venezuelana Delcy Rodriguez, quanto aos integrantes do aparato estatal e militar do pa\u00eds, um consolo. Poder\u00e3o permanecer em seus postos e desfrutar dos respectivos confortos, desde que\u2026 obede\u00e7am aos novos senhores. Nesta tentativa de arranjo, esdr\u00faxula e incerta ao extremo, est\u00e1 uma das chaves para compreender o que se passa agora tanto em Caracas quanto em Washington.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">O experimento come\u00e7ou a ser ensaiado na entrevista de s\u00e1bado, em Palm Beach. Um Trump imperial manifestou a inten\u00e7\u00e3o da Casa Branca de \u201cdirigir o pa\u00eds\u201d [<em>we\u2019re going to run the country].\u00a0<\/em>Mas descartou, para espanto e decep\u00e7\u00e3o de muitos, a hip\u00f3tese de instalar no poder a opositora Maria Corina Machado. Identificada com a ultradireita internacional, ela possui algum capital pol\u00edtico e\u00a0<span style=\"color: #ff0000;\"><strong><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/geopoliticaleconomy.com\/2025\/11\/13\/privatization-maria-corina-machado-sell-trillion-venezuela\/\">tentara, pouco antes, cortejar<\/a>\u00a0<\/strong><\/span>as corpora\u00e7\u00f5es norte-americanas com a promessa de \u201cprivatiza\u00e7\u00e3o maci\u00e7a\u201d do petr\u00f3leo, ouro e infraestrutura venezuelanas. Em suas pr\u00f3prias palavras, \u201cuma oportunidade de 1,9 trilh\u00e3o de d\u00f3lares\u201d\u2026<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Trump preferiu apostar na vice-presidente de Maduro, Delcy Rodriguez, que segundo suas palavras, governar\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es especial\u00edssimas. \u201cMarco [Rubio, secret\u00e1rio de Estado] est\u00e1 trabalhando nisso diretamente e acaba de conversar com ela. No essencial, est\u00e1 disposta a fazer o que julgo necess\u00e1rio para tornar a Venezuela grande de novo\u201d\u2026 Por\u00e9m, amea\u00e7ou: \u201cEstamos prontos para realizar um segundo ataque, muito maior, se necess\u00e1rio\u201d. Foi al\u00e9m: \u201cTodas as figuras pol\u00edticas e militares na Venezuela deveriam entender que o que se passou com Maduro pode ocorrer tamb\u00e9m com elas\u201d<strong>.\u00a0<\/strong>E deixou claro que a situa\u00e7\u00e3o perdurar\u00e1 at\u00e9 que os Estados Unidos possam \u201corganizar uma transi\u00e7\u00e3o segura\u201d.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Poucas horas depois, ao pronunciar-se na TV estatal, Delcy\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bloomberglinea.com.br\/internacional\/vice-presidente-da-venezuela-pede-retorno-de-maduro-e-confronta-discurso-de-trump\/\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>sugeriu<\/strong><\/span><\/a>\u00a0outro rumo. Classificou a interven\u00e7\u00e3o de Washington como \u201cb\u00e1rbara\u201d, reafirmou que Maduro \u00e9 \u201co \u00fanico presidente do pa\u00eds\u201d, denunciou seu \u201csequestro\u201d (empregando o termo preciso) e pediu sua liberta\u00e7\u00e3o. Foi o que bastou para que Trump e seus assessores voltassem \u00e0 carga. No domingo pela manh\u00e3, o secret\u00e1rio Marco Rubio\u00a0<span style=\"color: #ff0000;\"><strong><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"http:\/\/nn039365982br\/\">anunciou, em entrevista<\/a><\/strong><\/span>, que os Estados Unidos continuar\u00e3o bloqueando as exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo venezuelano at\u00e9 que a empresa estatal que explora a maior parte das jazidas (PDVSA) abra-se ao investimento externo \u2014 em especial norte-americano. \u201c[O bloqueio] vai permanecer at\u00e9 que vejamos mudan\u00e7as, n\u00e3o apenas para favorecer o interesse nacional dos Estados Unidos, que \u00e9 o objetivo n\u00famero um, mas tamb\u00e9m para promover um melhor futuro para o povo\u201d.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Horas mais tarde, o pr\u00f3prio presidente voltou ao tema,\u00a0<span style=\"color: #ff0000;\"><strong><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2026\/01\/04\/us\/politics\/rubio-military-quarantine-venezuela-oil.html\">em outro contato com jornalistas<\/a>.<\/strong><\/span> Indagado sobre o petr\u00f3leo, respondeu de pronto: \u201cPrecisamos de acesso total. Ao petr\u00f3leo e a outras coisas no pa\u00eds\u201d. E a respeito de quem exerce o poder em Caracas, garantiu: \u201cEstamos lidando com quem tomou posse. N\u00e3o me pergunte quem est\u00e1 no comando [<em>in charge],\u00a0<\/em>porque eu responderei, e isso pode ser muito controverso\u201d. O rep\u00f3rter insistiu: \u201cO que isso significa?\u201d. \u201cSignifica que n\u00f3s estamos no comando\u201d, respondeu Trump.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">A repeti\u00e7\u00e3o muito reiterada de uma amea\u00e7a pode revelar d\u00favida sobre a capacidade de cumpri-la.<\/p>\n<h3 class=\"has-text-align-justify\"><strong>Os limites: Ao contr\u00e1rio do que tenta fazer crer, o imperador n\u00e3o pode tudo<\/strong><\/h3>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Invadir um pa\u00eds soberano, sequestrar seu presidente e retirar-se. Renunciar \u00e0 \u201cmudan\u00e7a de regime\u201d. Desfazer-se de uma aliada como Maria Corina Machado. Crer no controle de um governo por meio de arreganhos. O que ter\u00e1 levado Trump a seguir, na opera\u00e7\u00e3o contra a Venezuela, um padr\u00e3o t\u00e3o distinto dos empregados normalmente nas interven\u00e7\u00f5es praticadas pelos Estados Unidos? Os fatos s\u00e3o recentes e est\u00e3o em desenvolvimento. Para respostas seguras, ser\u00e1 preciso mais tempo. Por\u00e9m, com base no exame de acontecimentos e tend\u00eancias objetivas, \u00e9 poss\u00edvel ensaiar boas hip\u00f3teses.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">A primeira remete a um dos aspectos do decl\u00ednio do poder norte-americano: a quebra do consenso social necess\u00e1rio para as guerras. Trump captou este sentimento. Um dos pontos-chave de seu discurso, na disputa pela Casa Branca, foi a den\u00fancia das interven\u00e7\u00f5es no exterior. Ao conden\u00e1-las, apontou-as como produto da a\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>establishment.\u00a0<\/em>Referiu-se com insist\u00eancia ao custo que elas impuseram aos norte-americanos, a quanto beneficiaram o complexo industrial-militar e desviaram recursos que, segundo ele, poderiam \u201cfazer os Estados Unidos grandes de novo\u201d (MAGA). A narrativa tornou-se hegem\u00f4nica. Em dezembro de 2025, segundo pesquisas citadas pelo site\u00a0<span style=\"color: #ff0000;\"><strong><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/theconversation.com\/what-trumps-venezuela-intervention-means-for-us-domestic-politics-272688\">The Conversation<\/a><\/strong><\/span><em><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>,<\/strong><\/span>\u00a0<\/em>63% dos eleitores norte-americanos rejeitavam uma a\u00e7\u00e3o militar contra a Venezuela.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">\u00c9 esta, provavelmente, a raz\u00e3o principal para o descarte de Maria Corina. Coloc\u00e1-la no poder significaria uma enorme provoca\u00e7\u00e3o para os partid\u00e1rios do chavismo. O pa\u00eds mergulharia em instabilidade \u2014 o pior cen\u00e1rio poss\u00edvel para os enormes investimentos necess\u00e1rios \u00e0 ind\u00fastria petroleira e para suas instala\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis. Tendo-a instalado no Pal\u00e1cio Miraflores, os Estados Unidos precisariam defend\u00ea-la. Trump se chocaria tanto com uma ampla maioria do eleitorado quanto com seu pr\u00f3prio discurso.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">A segunda hip\u00f3tese liga-se \u00e0s op\u00e7\u00f5es particulares de Trump para tentar fazer frente ao decl\u00ednio. Ele n\u00e3o admite recorrer \u00e0s institui\u00e7\u00f5es internacionais constru\u00eddas no p\u00f3s-II Guerra para sustentar o hegemonismo norte-americano. Chama-as de \u201cglobalistas\u201d. Nas rela\u00e7\u00f5es bilaterais com outros pa\u00edses, projeta ao m\u00e1ximo a for\u00e7a econ\u00f4mica e militar dos Estados Unidos para arrancar concess\u00f5es. (Vale relembrar suas relevantes vit\u00f3rias nos acordos comerciais com a Uni\u00e3o Europeia e Jap\u00e3o, ap\u00f3s impor o \u201ctarifa\u00e7o\u201d). Busca acrescentar a esta for\u00e7a sua brutalidade pessoal: o \u00edmpeto supremacista, o ass\u00e9dio constante, os xingamentos, o uso contumaz da mentira e da falsifica\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 obcecado em restaurar o poderio das corpora\u00e7\u00f5es norte-americanas. N\u00e3o s\u00e3o exatamente estes os elementos centrais de sua agress\u00e3o \u00e0 Venezuela e de sua tentativa de teleguiar seus governantes?<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">A receita ser\u00e1 eficaz na Venezuela? \u00c9, evidentemente, muito cedo para saber. A demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a dos Estados Unidos foi impressionante e arrasadora. O sequestro de Nicol\u00e1s Maduro deixa o chavismo desprovido de seu principal l\u00edder popular e do ponto de unidade entre todas as suas vertentes. A burocratiza\u00e7\u00e3o, not\u00f3ria, de parte de seus membros com postos no Estado tende a tornar tentadora a proposta abjeta de Trump. A press\u00e3o ser\u00e1 ampliada pelo <span style=\"color: #ff0000;\"><strong><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2026\/01\/06\/world\/americas\/venezuela-us-blockade-economy-oil.html\">bloqueio dos carregamentos de petr\u00f3leo<\/a>\u00a0<\/strong><\/span>venezuelano, que os Estados Unidos n\u00e3o relaxaram e que priva o pa\u00eds de sua principal fonte de divisas.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Mas h\u00e1 outra face do chavismo. A que se constituiu nas batalhas hist\u00f3ricas do\u00a0<em>comandante.<\/em>\u00a0A que se inspirou no projeto antiimperialista e de redistribui\u00e7\u00e3o ampla da riqueza petroleira. A que participou de processos como a Constituinte popular de 1999 e as m\u00faltiplas tentativas de inventar uma democracia popular, capaz de superar os limites das institui\u00e7\u00f5es liberais. A que se entusiasmou com os esfor\u00e7os de Maduro para reanimar as \u201ccomunas populares\u201d, ap\u00f3s o vexame nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2024. Diferentemente do que ocorreu nas ditaduras militares patrocinadas por Washington, durante a Guerra Fria, esta tradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 sendo arrasada \u2014 e dificilmente o ser\u00e1, enquanto Delcy Rodriguez permanecer \u00e0 frente do governo. O projeto de Trump, como se viu, \u00e9 outro.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">O que ocorrer\u00e1 quando ambas as faces desta moeda \u2014 a tentativa de obrigar o chavismo a agir contra o que o constituiu; e a perman\u00eancia, no poder, de um movimento cujas origens rebeldes n\u00e3o se perderam \u2014 tornarem-se incompat\u00edveis? A interven\u00e7\u00e3o de Trump colocou de novo a Venezuela no centro do cen\u00e1rio geopol\u00edtico global. Tudo o que ocorrer por l\u00e1 ter\u00e1 repercuss\u00e3o. Trump ordenar\u00e1 a Delcy Rodriguez executar seu projeto? Ela aquiescer\u00e1? Caso o fa\u00e7a, haver\u00e1 revolta? O que ocorrer\u00e1, ent\u00e3o?<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">O enorme espanto provocado pela a\u00e7\u00e3o fulminante dos Estados Unidos, no s\u00e1bado, pode ter levado alguns a pensar que um cap\u00edtulo da hist\u00f3ria da Am\u00e9rica Latina estava se fechando. Na Venezuela, ao contr\u00e1rio, uma nova p\u00e1gina da disputa pelo futuro do pa\u00eds \u2014 extremamente dif\u00edcil e \u00e1rdua, mas n\u00e3o perdida \u2014 pode estar se abrindo.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Mas e no conjunto da Am\u00e9rica Latina, e em particular no Brasil?<\/p>\n<h3 class=\"has-text-align-justify\"><strong>A oportunidade: Diante da Doutrina Donroe, ou a Am\u00e9rica Latina e o Brasil se curvam, ou se reinventam<\/strong><\/h3>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Em maio de 2025, uma vasta mat\u00e9ria da\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.defesanet.com.br\/geopolitica\/agenda-trump\/eua-articulam-acesso-estrategico-a-fernando-de-noronha-e-natal-sob-alegacao-de-direito-historico-e-investimento-belico\/#google_vignette\">revista digital Defesanet<\/a><\/strong>\u00a0revelou que integrantes do governo Trump cobi\u00e7avam as infraestruturas de Fernando de Noronha e a Base A\u00e9rea de Natal (RN). A nova Estrat\u00e9gia de Seguran\u00e7a Nacional da Casa Branca estava em elabora\u00e7\u00e3o. A publica\u00e7\u00e3o apurou que diplomatas do \u201centorno de Trump\u201d haviam suscitado o tema em contatos com pol\u00edticos e militares brasileiros. Pretendiam instalar nos dois locais estruturas (equipamentos e aeroportos) de vigil\u00e2ncia e proje\u00e7\u00e3o de poder sobre o Atl\u00e2ntico Sul, o que naturalmente exigiria constitui\u00e7\u00e3o de enclaves operacionais, blindados \u00e0s autoridades brasileiras. Esgrimiam, como argumento, um esdr\u00faxulo \u201cdireito funcional de re\u00faso estrat\u00e9gico\u201d \u2014 o mesmo que a Casa Branca tem usado para tentar recuperar o controle do Canal do Panam\u00e1. A pr\u00f3pria Defesanet considerou: \u201co nome disso \u00e9 col\u00f4nia\u201d\u2026<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">O epis\u00f3dio revela, quase na forma de caricatura, uma nova realidade. Diante da Doutrina Donroe, e do que ela j\u00e1 produziu na Venezuela, os governos e sociedades da Am\u00e9rica Latina t\u00eam duas alternativas. Caso se curvem ou se omitam, aprofundar\u00e3o a letargia e o sentimento de impot\u00eancia que se espalharam pela regi\u00e3o h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas, quando se tornou hegem\u00f4nico o projeto neoliberal. Os impasses estruturais \u2014 desigualdade, regress\u00e3o produtiva, atraso tecnol\u00f3gico, devasta\u00e7\u00e3o da natureza, institui\u00e7\u00f5es alienadas da vida real e tantos outros \u2014 continuar\u00e3o n\u00e3o enfrentados. Os pa\u00edses ser\u00e3o vassalos de uma pot\u00eancia em decl\u00ednio, condenados \u00e0s mis\u00e9rias do capitalismo tardio e \u00e0 condi\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Mas a intimida\u00e7\u00e3o de Trump e seu desejo de apertar o garrote da coloniza\u00e7\u00e3o podem, paradoxalmente, soar o toque de despertar. Nesta hip\u00f3tese, a consci\u00eancia de que h\u00e1 risco de submiss\u00e3o mais profunda leva a identificar as vulnerabilidades. E o esfor\u00e7o por san\u00e1-las desencadeia uma mobiliza\u00e7\u00e3o nacional capaz de reavivar ideias hoje adormecidas: como\u00a0<em>projeto pa\u00eds<\/em>,\u00a0<em>reconstru\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0e\u00a0<em>horizonte pol\u00edtico<\/em>.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Nesse movimento, tr\u00eas objetivos podem ser estrat\u00e9gicos: a)\u00a0<em>Soberania Digital;\u00a0<\/em>b) revis\u00e3o da\u00a0<em>Pol\u00edtica Nacional de Defesa<\/em>\u00a0e c) pol\u00edtica externa voltada \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma ordem p\u00f3s-euroc\u00eantrica e a parcerias com o Sul Global. S\u00e3o desafiadores. Exigir\u00e3o constru\u00e7\u00e3o persistente e prolongada. Contudo, s\u00e3o claros, capazes de mobilizar e de gerar efeitos secund\u00e1rios positivos.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">A luta pela Soberania Digital \u00e9, das tr\u00eas, a mais crucial, urgente e complexa. Mas talvez seja a que mais pode libertar energias pol\u00edticas e econ\u00f4micas hoje contidas. O cen\u00e1rio atual \u00e9 contradit\u00f3rio. Em alguns aspectos, a depend\u00eancia frente aos Estados Unidos \u00e9 dram\u00e1tica: o Brasil encontra-se rendido a suas\u00a0<em>big techs.\u00a0<\/em>Um<strong>\u00a0<a href=\"https:\/\/revista.ibict.br\/liinc\/article\/view\/7451\/7453\">estudo<\/a>\u00a0<\/strong>realizado em 2025 pelos pesquisadores S\u00e9rgio Amadeu e Jeff Xiong demonstrou que o pa\u00eds hospeda em servidores de corpora\u00e7\u00f5es norte-americanas a quase totalidade dos dados estrat\u00e9gicos que gera. Est\u00e3o nestas condi\u00e7\u00f5es os dados das universidades brasileiras, dos centros de pesquisa e tecnologia, do SUS, do IBGE, da Receita Federal, dos tribunais superiores (inclusive o STF e o TSE), por exemplo.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Na mesma situa\u00e7\u00e3o submissa encontra-se o desenvolvimento de software b\u00e1sico \u2014 a ponto, por exemplo, de \u201cGoogle e Microsoft hospedarem os e-mails e os reposit\u00f3rios de dados (drive) de 154 universidades p\u00fablicas brasileiras\u201d. Tamb\u00e9m s\u00e3o estrangeiras as plataformas usadas quase universalmente no pa\u00eds para pesquisa na internet (Google), comunica\u00e7\u00e3o pessoal por mensagens (WhatsApp-Meta), redes sociais (Facebook e Instagram-Meta ou TikTok-Bytedance), ou para servi\u00e7os de transporte pessoal, de entregas, de hospedagem, de contrata\u00e7\u00e3o pontual de servi\u00e7os e muitos outros. Todas elas capturam, processam, distribuem\u00a0 por meio de algoritmos e monetizam e comercializam tanto a comunica\u00e7\u00e3o gerada conscientemente pela popula\u00e7\u00e3o (uma postagem de texto ou v\u00eddeo em rede social, por exemplo) quanto os dados gerados de forma involunt\u00e1ria (como um formul\u00e1rio qualquer preenchido online). A programa\u00e7\u00e3o algor\u00edtmica, agora refor\u00e7ada por intelig\u00eancia artificial, tem enorme poder de influir sobre comportamentos \u2014 inclusive eleitorais. E o alinhamento das big techs com pol\u00edticas de ultradireita tornou-se declarado desde a posse de Trump.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Em contrapartida, o pa\u00eds tem duas enormes potencialidades no mesmo campo: um grande contingente de programadores e desenvolvedores muito bem formados (que hoje, por falta de alternativas, trabalham principalmente para as\u00a0<em>big techs<\/em>) e movimentos sociais informados, criativos e capazes de formular pol\u00edtica para a \u00e1rea. Se a luta pela soberania digital tornar-se prioridade de Estado, a supera\u00e7\u00e3o da vulnerabilidade poder\u00e1 avan\u00e7ar de forma consistente e relativamente r\u00e1pida.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Em 2025, o hacktivista Uir\u00e1 Por\u00e3 tra\u00e7ou, em\u00a0<span style=\"color: #ff0000;\"><strong><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ZZMh72Wjey4\">entrevista a\u00a0<em>Outras Palavras<\/em><\/a>,<\/strong><\/span> um poss\u00edvel roteiro:<\/p>\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Construir, a partir das universidades, uma rede brasileira de\u00a0<em>data centers\u00a0<\/em>p\u00fablicos;<\/li>\n<li>Recuperar as duas empresas estatais do setor (Dataprev e Serpro), hoje enredadas em parcerias submissas com as\u00a0<em>big techs\u00a0<\/em>dos Estados Unidos;<\/li>\n<li>Articular, nestas empresas e ligadas regionalmente aos\u00a0<em>data centers\u00a0<\/em>universit\u00e1rios, equipes de desenvolvedores dispostos a produzir aplicativos para munic\u00edpios, outros entes p\u00fablicos, empresas e sociedade civil. Neste desenho, a Soberania Digital deixa de ser apenas um objetivo estrat\u00e9gico de Estado e passa a se desdobrar em servi\u00e7os \u00e0 sociedade, est\u00edmulo \u00e0 forma\u00e7\u00e3o em massa de profissionais qualificados e espa\u00e7o de desenvolvimento de consci\u00eancia e reinven\u00e7\u00e3o social.<\/li>\n<\/ol>\n<p class=\"has-text-align-justify\">A revis\u00e3o da <span style=\"color: #ff0000;\"><strong><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/defesa\/pt-br\/assuntos\/copy_of_estado-e-defesa\/politica-nacional-de-defesa\">Pol\u00edtica Nacional de Defesa<\/a><\/strong><\/span>\u00a0\u00e9 necess\u00e1ria para enfrentar uma debilidade ainda mais escancarada. A pr\u00f3pria orienta\u00e7\u00e3o de parte das fragatas da Marinha nos oceanos\u00a0<span style=\"color: #ff0000;\"><strong><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/apublica.org\/2024\/10\/starlink-militares-usam-internet-via-satelite-de-elon-musk-sem-teste-de-seguranca-da-rede\/\">depende hoje\u2026 do Starlink<\/a>\u00a0<\/strong><\/span>de Elon Musk. Mas n\u00e3o s\u00f3. O historiador Manuel Domingos, que estuda em profundidade as For\u00e7as Armadas brasileiras, lembra, num texto recente, que as For\u00e7as Armadas brasileiras vivem, desde o Bar\u00e3o do Rio Branco, o fetiche da depend\u00eancia pela tecnologia\u00a0<em>comprada\u00a0<\/em>das pot\u00eancias ocidentais. N\u00e3o se compreende a Defesa como a\u00e7\u00e3o org\u00e2nica da sociedade brasileira \u2014 o que poderia levar ao desenvolvimento tecnol\u00f3gico aut\u00f4nomo. Adquirem-se pacotes \u2014 os ca\u00e7as suecos Gripen ou submarinos franceses, por exemplo \u2014 que submetem o pa\u00eds a m\u00faltiplas depend\u00eancias.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Em junho de 2024, por exemplo, o Departamento de Justi\u00e7a dos EUA\u00a0 solicitou \u00e0 Saab, fabricante dos ca\u00e7as Gripen vendidos ao Brasil, que fornecesse \u201cesclarecimentos\u201d sobre a opera\u00e7\u00e3o. A revista\u00a0<span style=\"color: #ff0000;\"><strong><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/www.sociedademilitar.com.br\/2024\/10\/pressao-americana-na-saab-alerta-para-o-brasil-thrf.html#:~:text=A%20recente%20press%C3%A3o%20americana%20na%20Saab%2C%20empresa,componentes%20estrangeiros%20em%20projetos%20de%20defesa%20estrat%C3%A9gicos.\"><em>Sociedade Militar\u00a0<\/em>advertiu<\/a><\/strong><\/span>, \u00e0 \u00e9poca: \u201cO movimento levanta suspeitas sobre poss\u00edveis interfer\u00eancias que visam, na verdade, manter o Brasil em um estado de depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos (\u2026) O Gripen, apesar de ser um ca\u00e7a moderno, depende de uma cadeia de fornecedores internacionais: o motor \u00e9 americano, o sistema de eje\u00e7\u00e3o \u00e9 brit\u00e2nico, e v\u00e1rios outros componentes v\u00eam de diferentes partes do mundo. Isso significa que, se em algum momento Estados Unidos ou Reino Unido decidirem colocar o p\u00e9 no freio, por quest\u00f5es pol\u00edticas ou comerciais, esses ca\u00e7as ficariam no ch\u00e3o. E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 teoria \u2014 a hist\u00f3ria j\u00e1 mostrou isso em diversos epis\u00f3dios\u201d\u2026<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Livrar o pa\u00eds de tal depend\u00eancia, para evitar que o pr\u00f3prio equipamento das For\u00e7as Armadas\u00a0 esteja sob risco de bloqueio, pode ser um projeto compreens\u00edvel e politizador. Mas, assim como no caso da Soberania Digital, vai al\u00e9m dos interesses de Estado. Manuel Domingos sustenta, em seu texto, que a Pol\u00edtica de Defesa Nacional, publicada em maio de 2024, \u201cfez-se p\u00f3 na madrugada do \u00faltimo s\u00e1bado\u201d, quando os Estados Unidos demonstraram a que est\u00e3o dispostos. Mas lembra que uma revis\u00e3o poderia, al\u00e9m da autonomia tecnol\u00f3gica, colocar em debate outros pontos igualmente importantes para um projeto de pa\u00eds. Entre eles, orientar as For\u00e7as Armadas para seu papel de Defesa do territ\u00f3rio (colocando em xeque as tend\u00eancias a volt\u00e1-las contra \u201cinimigos internos\u201d) e pensar, tamb\u00e9m no campo militar, uma pol\u00edtica de\u00a0 integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul \u2014 inclusive para ter mais for\u00e7a contra as amea\u00e7as reais\u2026<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">A amea\u00e7a Trump, como se v\u00ea, pode levar o Brasil a refletir sobre si mesmo. Mas num tempo de desafios globais \u2014 como as desigualdades crescentes, os riscos de colapso ambiental e as amea\u00e7as constantes de guerra \u2014 n\u00e3o \u00e9 preciso repensar tamb\u00e9m as alian\u00e7as geopol\u00edticas?<\/p>\n<h3 class=\"has-text-align-justify\"><strong>As alian\u00e7as: Para enfrentar os EUA, a Am\u00e9rica Latina precisa de aliados. A China est\u00e1 se apresentando<\/strong><\/h3>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Uma terceira debilidade salta aos olhos ao se analisarem as condi\u00e7\u00f5es para a Am\u00e9rica Latina e o Brasil enfrentarem a nova atitude amea\u00e7adora dos Estados Unidos. Em especial no governo Lula 3, a pol\u00edtica externa tornou-se t\u00edmida, convencional e incapaz de imaginar constru\u00e7\u00f5es e parcerias fora da ordem euroc\u00eantrica.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Foram-se os tempos do chanceler Celso Amorim e de suas iniciativas ousadas e surpreendentes \u2014 a participa\u00e7\u00e3o central na cria\u00e7\u00e3o dos Brics, a realiza\u00e7\u00e3o de uma reuni\u00e3o de c\u00fapula entre Am\u00e9rica do Sul e pa\u00edses \u00e1rabes (que sobressaltou Washington) ou a tentativa (com a Turquia) de costurar um acordo de paz entre Estados Unidos e Ir\u00e3 (sabotada por Hillary Clinton). Sob Mauro Vieira, prevalece no Itamaraty o que o economista<span style=\"color: #ff0000;\"><strong>\u00a0<a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/direitosouprivilegios\/um-novo-conceito-geopolitico\/\">Paulo Nogueira Batista Jr. chamou<\/a>,<\/strong><\/span> com ironia mordaz, de \u201cturma do visto permanente nos Estados Unidos\u201d. S\u00e3o os diplomatas que temem (mesmo a partir do governo Trump) qualquer gesto que incomode os Estados Unidos \u2014 em especial as aproxima\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas com os BRICS e a China.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Embora os chineses sejam, h\u00e1 muito, os principais parceiros comerciais do Brasil, o pa\u00eds estabeleceu com eles uma rela\u00e7\u00e3o que reproduz sua voca\u00e7\u00e3o colonial e sua regress\u00e3o produtiva. Exporta produtos prim\u00e1rios \u2014 em especial soja e min\u00e9rio de ferro. Importa bens e servi\u00e7os tecnol\u00f3gicos. Duas proposi\u00e7\u00f5es de Beijing, lan\u00e7adas nos \u00faltimos meses \u2014\u00a0<span style=\"color: #ff0000;\"><strong><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/socialistchina.org\/2025\/09\/05\/china-proposes-global-governance-initiative\/\"><em>Iniciativa de Governan\u00e7a Global<\/em><\/a><em>,\u00a0<\/em><\/strong><\/span>de setembro de 2025, e o\u00a0<span style=\"color: #ff0000;\"><strong><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/www.google.com\/url?sa=t&amp;source=web&amp;rct=j&amp;opi=89978449&amp;url=https:\/\/portuguese.news.cn\/20251210\/689d51babff74ab08d9f8f7c4e6eae50\/20251210689d51babff74ab08d9f8f7c4e6eae50_XxjwspP000025_20251210_CBMFN0A001.docx&amp;ved=2ahUKEwjeru6wgv2RAxWxBbkGHRqDOAsQFnoECBgQAQ&amp;usg=AOvVaw3mCmGhkFOxBPihKHu5cL53\">Documento sobre a Pol\u00edtica para a Am\u00e9rica Latina<\/a>,<\/strong><\/span> de dezembro \u2014\u00a0sugerem que a agenda bilateral poderia ser muito distinta.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">O primeiro enuncia cinco proposi\u00e7\u00f5es aparentemente gen\u00e9ricas, mas que se chocam de frente com o \u201cdireito imperial \u00e0 interven\u00e7\u00e3o\u201d enunciado por Trump. Tr\u00eas deles se destacam:\u00a0<em>a)<\/em>\u00a0a \u201csoberania igualit\u00e1ria\u201d (\u201ctodos os pa\u00edses, independentemente de tamanho, for\u00e7a ou riqueza, ter\u00e3o sua soberania e dignidade respeitadas, seus assuntos internos livres de interfer\u00eancia externa e o direito de escolher de forma independente seu sistema social e n\u00edvel de desenvolvimento\u201d),\u00a0<em>b)\u00a0<\/em>o respeito ao direito internacional e \u00e0s inst\u00e2ncias da ONU;<em>\u00a0c)<\/em>\u00a0uma \u201cabordagem centrada nos povos\u201d (\u201co bem-estar das popula\u00e7\u00f5es \u00e9 o prop\u00f3sito m\u00e1ximo da governan\u00e7a global\u201d). O segundo, mais longo e detalhado, formula propostas espec\u00edficas de colabora\u00e7\u00e3o, abrangendo, entre outros, \u00e1reas e temas que soam relevantes ao Brasil: (re)industrializa\u00e7\u00e3o, preserva\u00e7\u00e3o da natureza, energias limpas, ci\u00eancia e tecnologia (incluindo internet e IA), interc\u00e2mbio militar e outros.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Nenhum dos documentos recebeu destaque nas m\u00eddias convencionais brasileiras. Ambos merecem ser examinados com aten\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata de propor um \u201calinhamento \u00e0 China\u201d, como \u00e0s vezes alardeiam, em tom pejorativo, os que s\u00e3o contr\u00e1rios \u00e0 parceria. Mas de perceber que, enquanto Washington anuncia de forma clara uma postura imperialista e agressiva, h\u00e1 um aceno de outra natureza. Quem o faz \u00e9 um pa\u00eds do Sul Global, que sofreu um \u201cs\u00e9culo de humilha\u00e7\u00f5es\u201d das pot\u00eancias euroc\u00eantricas \u2014 mas recuperou-se numa revolu\u00e7\u00e3o popular, construiu um socialismo heterodoxo, tornou-se a maior economia, a grande f\u00e1brica do mundo e, nos \u00faltimos anos, um polo de desenvolvimento de alta tecnologia.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">H\u00e1 raz\u00f5es objetivas para acreditar que o gesto \u00e9 de boa-f\u00e9. N\u00e3o apenas porque a China afirma, com insist\u00eancia, sua op\u00e7\u00e3o pelo Sul Global, mas tamb\u00e9m porque, num certo sentido,\u00a0<em>necessita\u00a0<\/em>faz\u00ea-la. A polariza\u00e7\u00e3o que marcou a Guerra Fria est\u00e1 se armando outra vez. Trump v\u00ea Beijing como seu alvo n\u00famero um. A Europa curva-se aos Estados Unidos, mesmo desprezada. Barreiras comerciais e ideol\u00f3gicas contra a China est\u00e3o sendo erguidas de ambos os lados do Atl\u00e2ntico Norte. A op\u00e7\u00e3o pelo antigo \u201cterceiro mundo\u201d \u00e9, al\u00e9m de tudo, pragm\u00e1tica.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Em que condi\u00e7\u00f5es poderia se dar a parceria? No caso brasileiro,<span style=\"color: #ff0000;\"><strong>\u00a0<a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/descolonizacoes\/brasil-china-por-uma-nova-parceria\/\">este artigo<\/a><\/strong><\/span>\u00a0sonda possibilidades. Envolvem Amaz\u00f4nia em p\u00e9, internet, supera\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar, ind\u00fastria e defesa, entre outros pontos. Mas \u00e9, em ess\u00eancia, um convite a incluir este tema na pauta de debates do pa\u00eds. Desde a II Guerra Mundial, as alian\u00e7as com Washington s\u00e3o vistas, no Brasil, como naturais e quase incontorn\u00e1veis. Haver\u00e1 algum mal em cogitar outros caminhos, agora que a Doutrina Donroe pesa sobre n\u00f3s? Adotaremos a mesma postura da \u201cturma do visto permanente\u201d?<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ao invadir a Venezuela com imenso aparato, sequestrar seu presidente e anunciar o desejo de controle absoluto sobre a Am\u00e9rica Latina, Donald Trump fez um lance de arrog\u00e2ncia m\u00e1xima \u2014 mas alt\u00edssimo risco. Para a regi\u00e3o respirar, \u00e9 preciso que a aposta naufrague. Este texto visa ajudar a construir tal al\u00edvio. Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-right\">* Este texto foi publicado originalmente no\u00a0<em><strong><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/venezuela-o-imperio-ameaca-e-esta-nu\/\">Outras Palavras<\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>___<\/strong><\/p>\n<div><em>*<strong>Antonio Martins<\/strong>\u00a0\u00e9 editor de\u00a0<span style=\"color: #ff0000;\"><strong><a style=\"color: #ff0000;\" href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/strong><\/span><\/em><\/div>\n<p><strong>___<\/strong><\/p>\n<p><strong>As opini\u00f5es expressas neste artigo s\u00e3o de responsabilidade do autor (a) e n\u00e3o reflete necessariamente a nossa pol\u00edtica editorial. O Fronteira Livre adota os princ\u00edpios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo cr\u00edtico e independ\u00eancia.<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>https:\/\/fronteiralivre.com.br\/entretenimento\/filho-de-cassia-eller-chico-chico-faz-dois-shows-em-curitiba-em-janeiro<\/p>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\" \/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Antonio Martins &#8211; Opini\u00e3o &nbsp; A Venezuela n\u00e3o \u00e9 para principiantes. Em 3 de janeiro de 2026, um ataque militar maci\u00e7o dos Estados Unidos, que concentram no Caribe a\u00a0maior for\u00e7a naval agressora\u00a0j\u00e1 reunida nas Am\u00e9ricas, sequestrou Nicol\u00e1s Maduro e decapitou o governo do pa\u00eds. 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