{"id":152,"date":"2025-09-11T11:07:01","date_gmt":"2025-09-11T14:07:01","guid":{"rendered":"https:\/\/fronteiralivre.com.br\/2019\/08\/28\/o-que-e-permacultura\/"},"modified":"2025-09-11T11:07:01","modified_gmt":"2025-09-11T14:07:01","slug":"o-que-e-permacultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fronteiralivre.com.br\/es\/o-que-e-permacultura\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 Permacultura"},"content":{"rendered":"<p>Refugiado das loucuras da sociedade de consumo, Mollison percebeu que nem os cantos remotos do interior australiano onde morava seria poupado do colapso planet\u00e1rio iminente \u2013 a flora e a fauna estavam diminuindo sensivelmente\u2026<br \/>\n\u201cResolvi\u201d, falou Mollison na sua passagem pelo Brasil em junho de 1992, \u201cque, se voltasse para o mundo, voltaria com uma coisa muito positiva\u201d.<\/p>\n<p>Foi assim que nasceu a ideia de criar sistemas de florestas produtivas para substituir as monoculturas de trigo e soja, respons\u00e1veis pelo desmatamento mundial. Observando e imitando as formas de florestas naturais do lugar, revelou-se poss\u00edvel a cria\u00e7\u00e3o de sistemas altamente produtivos, est\u00e1veis e recuperadores dos ecossistemas locais.<\/p>\n<p>Depois de dez anos implantando, com grande sucesso, tais sistemas em todos os continentes, Mollison e seus colaboradores perceberam que n\u00e3o adianta concentrar-se em sistemas naturais sem considerar os outros sistemas t\u00e3o vitais para a sobreviv\u00eancia humana: sistemas monet\u00e1rios, urbanos (arquitetura, reciclagem de lixo e \u00e1guas), sociais e de cren\u00e7as. A \u201cPermanent Culture\u201d.<\/p>\n<p>Hoje a permacultura conta com mais de 10.000 praticantes em todos os continentes e mais de 220 professores trabalhando em tempo integral. A permacultura chegou no Brasil atrav\u00e9s do primeiro curso dado por Bill Mollison, em Porto Alegre. Hoje existe uma equipe de profissionais \u2013 agr\u00f4nomos, engenheiros, arquitetos, etc. \u2013 que est\u00e3o se aprofundando nestas id\u00e9ias e que j\u00e1 fundaram o primeiro sistema LETS de troca de servi\u00e7os da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Baseada na pr\u00e1tica de \u201cCuidar da Terra, cuidar dos homens e compartilhar os excedentes\u201d (quer sejam dinheiro, tempo ou informa\u00e7\u00f5es), a permacultura ousa acreditar na possibilidade da abund\u00e2ncia para toda a humanidade atrav\u00e9s do uso intensivo de todos os espa\u00e7os, atrav\u00e9s do aproveitamento e gera\u00e7\u00e3o de energia, da reciclagem de todos os produtos (acabando assim com a polui\u00e7\u00e3o) e atrav\u00e9s da coopera\u00e7\u00e3o entre os homens para resolver os grandes e perigosos problemas que hoje assolam o planeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Princ\u00edpios da Permacultura \u2013\u00a0Princ\u00edpios \u00c9ticos:<\/strong><br \/>\n\u2013 Cuidados com o planeta<br \/>\n\u2013 Cuidados com as pessoas<br \/>\n\u2013 Compartilhar excedentes (inclusive conhecimentos)<br \/>\n\u2013 Limites ao consumo<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Quanto mais se aproxima da natureza, menos se trabalha.<br \/>\n<\/strong><br \/>\nQuando criamos sistemas auto-sustentados, n\u00e3o precisamos trabalhar para alimentar e proteger os elementos do sistema. Uma floresta produtiva, uma vez estabelecida, exige muito pouco cuidado para se manter, Comparados com as monoculturas, sistemas altamente artificiais que nunca ocorrer\u00e3o na natureza, sistemas permaculturais que se aproximam da natureza n\u00e3o precisam de adubo, irriga\u00e7\u00e3o nem defensivos. Produzem s\u00e9culos a fio e melhoram cada vez mais o solo, recuperando tamb\u00e9m o regime das \u00e1guas da regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Podemos incorporar animais nestes sistemas se criarmos condi\u00e7\u00f5es de vida parecidas com aquelas do habitat natural do animal. Tomando o exemplo da galinha, percebemos que \u00e9 a natureza da galinha de pastar e de ciscar, de comer uma grande variedade de verduras, gr\u00e3os (pode ser sementes de capins) e insetos. Elas vivem em bandos e sempre dormem no mesmo lugar, no alto. S\u00e3o relativamente resistentes ao frio, mas temem o calor, exigindo sombra. Sofrem preda\u00e7\u00f5es de gavi\u00f5es e raposas, precisando de uma boa prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Analisando estas necessidades do animal, podemos muito bem criar uma floresta forrageira para galinhas, incorporando \u00e1rvores frut\u00edferas (amora, goiaba, acerola, etc.), com verduras rasteiras e gr\u00e3os (milhetos, capins, etc.), criando um pasto equilibrado onde a galinha se alimenta e se protege. O \u00fanico trabalho que sobra para o homem nestas condi\u00e7\u00f5es \u00e9 de coletar os ovos e vigiar o estado do pasto e dos animais. Uma vez estabelecido, este sistema dura muitos anos com o m\u00ednimo de investimento, dando lucro maior do que as granjas industrializadas que exigem altos investimentos em insumos e medicamentos. E, obviamente, a qualidade dos produtos ser\u00e1 muito maior.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Substituir altos investimentos e trabalho por planejamento e criatividade.\u00a0ou\u00a0 \u201cSe o sistema est\u00e1 lhe dando muito trabalho, voc\u00ea ainda n\u00e3o pensou o suficiente\u201d Scott Pittman<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">O homem est\u00e1 longe de aproveitar plenamente os seus dons criativos. No planejamento de uma propriedade, reflex\u00e3o e observa\u00e7\u00e3o podem mostrar solu\u00e7\u00f5es engenhosas para os problemas, evitando gastos e trabalho. Podemos aproveitar ao m\u00e1ximo a for\u00e7a da gravidade, por exemplo, para a distribui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, colocando \u00e1reas de capta\u00e7\u00e3o no alto da propriedade em vez de coloc\u00e1-las, como muitos fazem nas baixas, e depois depender de bombas, Ou podemos observar que os animais de modo geral depositam mais esterco de noite do que de dia. O gado pode pastar nas \u00e1reas ricas das baixadas durante o dia e dormir em est\u00e1bulos no alto da propriedade, retransportando assim os nutriente para o alto da propriedade, de onde, com a ajuda da for\u00e7a da gravidade, a distribui\u00e7\u00e3o se torna mais f\u00e1cil.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Precisamos ter a coragem de criar solu\u00e7\u00f5es totalmente diferentes dos vizinhos. E precisamos perceber que nenhum sistema \u00e9 perfeito: sempre tem espa\u00e7o para mais um elemento, para mais uma fun\u00e7\u00e3o, muitas vezes simplesmente conectando dois elementos j\u00e1 existentes. O limite do sistema \u00e9 a nossa criatividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>O problema \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o<br \/>\n<\/strong><br \/>\nProblemas apontam situa\u00e7\u00f5es especiais que podem ter uma fun\u00e7\u00e3o \u00fanica. Se uma \u00e1rea \u00e9 \u00e1rida, por exemplo, pode-se especializar em plantas da fam\u00edlia dos cactos, como o Figo da \u00cdndia ou a cochonilha, um inseto que produz uma tinta valiosa e que se desenvolve no cactos Opuntia. Se uma encosta \u00e9 pedregosa, ela pode oferecer condi\u00e7\u00f5es especiais para certas plantas que n\u00e3o de adaptariam em outra \u00e1reas mais f\u00e9rteis da propriedade. Se as lavouras sofrem ataques de carac\u00f3is, sinal que esta regi\u00e3o se presta para a cria\u00e7\u00e3o destes. Todo problema aponta para uma oportunidade. \u00c9 quest\u00e3o de enfoque.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>A diversifica\u00e7\u00e3o garante a estabilidade<br \/>\n<\/strong><br \/>\nA estabilidade de uma propriedade ou de uma comunidade depende da disponibilidade de uma gama de produtos espalhados ao longo do ano. Isto protege contra desastres clim\u00e1ticos, porque no caso de qualquer emerg\u00eancia (seca, tempestade), alguns dos produtos v\u00e3o escapar, devido a uma resist\u00eancia maior, ou devido ao fato de crescer em \u00e9pocas diferentes. Deve-se sempre cogitar culturas de emerg\u00eancia, garantidas de dar alguma produ\u00e7\u00e3o mesmo sob condi\u00e7\u00f5es adversas. Os povos antigos fazem policulturas por este motivo. Policulturas que incorporam \u00e1rvores no sistema s\u00e3o as mais est\u00e1veis do todas. Uma floresta produtiva dificilmente se abate com a seca ou com o granizo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>A estabilidade vem quando se fecham os ciclos<br \/>\n<\/strong><br \/>\nQuando uma parte do sistema sustenta outra, evita-se a necessidade de procurar insumos fora da propriedade, fortalecendo assim todo o sistema. Da mesma maneira, uma comunidade inteira ganha estabilidade quando os produtos circulam localmente, evitando assim perdas por desperd\u00edcio ou sangria para uma metr\u00f3pole central. Considerando, por exemplo, que um ter\u00e3o dos produtos agr\u00edcolas no Brasil se perdem antes de chegar \u00e0 mesa do consumidor, podemos ver a import\u00e2ncia do consumo local, que assegura que o que se produz n\u00e3o se perde no processo de transporte e distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Da mesma maneira, se numa comunidade o mesmo dinheiro troca de m\u00e3os muitas vezes, isto tem o mesmo efeito de ter uma quantidade muito maior de dinheiro dispon\u00edvel. Se este dinheiro vai embora para o centro urbano, a comunidade local se empobrece.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Um dos maiores perigos para a estabilidade de uma propriedade rural ou de uma comunidade\u00b8 a polui\u00e7\u00e3o. A vida n\u00e3o se mant\u00e9m onde n\u00e3o h\u00e1 \u00e1gua limpa, por exemplo. Visto que a polui\u00e7\u00e3o prov\u00e9m de produtos ainda n\u00e3o utilizados, podemos v\u00ea-la como uma fonte de renda em potencial quando se trata de esgotos, ou mesmo de sub-produtos industriais. Os agrot\u00f3xicos obviamente nunca oferecem um potencial para reciclagem (e deveriam ser banidos da face do planeta).<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Precisamos responsabilizar-nos pelos nossos netos<br \/>\n<\/strong><br \/>\nTivemos o privil\u00e9gio de poder ainda desfrutar de florestas, de beber \u00e1gua limpa , de contemplar paisagens belas. Os nossos netos tamb\u00e9m t\u00eam este direito, e cabe a n\u00f3s a responsabilidade de assegurar que estes direitos sejam respeitados. Isto pode sugerir muitas frentes de a\u00e7\u00e3o: conserva\u00e7\u00e3o de \u00e1reas naturais ainda pouco modificadas pelo homem; desenvolvimento de uma forma de agricultura n\u00e3o devastadora; prote\u00e7\u00e3o das \u00e1guas, especialmente do len\u00e7ol fre\u00e1tico. (Um rio pode-se limpar em poucos anos. Um len\u00e7ol fre\u00e1tico, uma vez polu\u00eddo, dificilmente se limpa de novo). Em termos pr\u00e1ticos, uma floresta desmatada leva entre doze a vinte anos para se recompor, e leva entre sessenta e duzentos anos para chegar a um est\u00e1gio parecido ao original. Se colhermos somente as \u00e1rvores no final do seus ciclos e plantarmos culturas adaptadas a estas condi\u00e7\u00f5es de mata, podemos manter a cobertura vegetal e mesmo assim ter uma boa renda. Cada tipo de \u00e1rvore tem as suas utilidades. Hoje, nos desmatamentos, a grande massa de madeira (com exce\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores mais conhecidas como o mogno) \u00e9 desperdi\u00e7ada.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Um agricultor pode muito bem plantar uma parte de sua propriedade com madeiras nobres, criando assim um patrim\u00f4nio inabal\u00e1vel. N\u00e3o importa se estas madeiras come\u00e7arem a dar uma colheita daqui a vinte ou trinta anos: o agricultor, nesta \u00e9poca, j\u00e1 vai estar velho e as \u00e1rvores podem garantir sua velhice, uma forma de aposentadoria particular. E como se pode colher as madeiras gradativamente, replantando ao mesmo tempo que colhe, ele cria um patrim\u00f4nio para muitas gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Os problemas s\u00e3o basicamente dom\u00e9sticos e podem ser resolvidos no n\u00edvel dom\u00e9stico<br \/>\n<\/strong><br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00f5es em grande escala para problemas locais. N\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas para problemas que s\u00e3o basicamente sociais. Cada vez que uma fam\u00edlia consegue se auto-sustentar, produzindo os seus pr\u00f3prios alimentos e reciclando os seus dejetos, esta deixa de participar da agricultura devastadora e deixa de poluir. Cada propriedade, mesmo bem pequena, pode captar \u00e1gua e produzir alimentos. As possibilidades s\u00e3o infinitas: podemos usar toda parede e at\u00e9 telhados das constru\u00e7\u00f5es para produzir alimentos. Podemos captar \u00e1gua numa variedade de maneiras e reciclar toda \u00e1gua que utilizamos, fazendo-a render muito mais. Tomando como exemplo a perigosa falta de \u00e1gua pot\u00e1vel: poucas pessoas se d\u00e3o conta de que a descarga dom\u00e9stica gasta 40% de toda a \u00e1gua consumida. Isto representa 100 litros de \u00e1gua por pessoa por dia! Pode-se imaginar a gravidade desta situa\u00e7\u00e3o numa cidade de milhares ou milh\u00f5es de pessoas. Podemos dar descarga com a \u00e1gua servida das pias ou do chuveiro, evitando assim este desperd\u00edcio desastroso para toda a humanidade. Em \u00e1reas mais suburbanas ou rurais, podemos desenvolver privadas secas, das quais existem muitos modelos eficazes hoje. Lembrando que os esgotos s\u00e3o tamb\u00e9m grandes fatores de polui\u00e7\u00e3o de lagos, de rios e do mar, vemos a import\u00e2ncia do tratamento dom\u00e9stico dos efluentes atrav\u00e9s de filtros ou de sistemas com plantas. Uma aldeia (ou bairro) de 300 pessoas tem a capacidade humana de preencher todas as necessidades das pessoas do lugar. Mesmo numa situa\u00e7\u00e3o urbana, pode-se aproveitar os espa\u00e7os baldios para produzir alimentos e pequenos animais. Cada vez que isto ocorre, economiza-se petr\u00f3leo e espa\u00e7os naturais que hoje est\u00e3o sendo desmatados para produzir alimentos em grande escala. Planta\u00e7\u00f5es pequenas e intensivas s\u00e3o muito mais produtivas em qualquer lugar do mundo. O pavor de falta de terras agr\u00edcolas \u00e9 um mito: toda terra pode ser agr\u00edcola! O que se chama \u201cagr\u00edcola\u201d hoje s\u00e3o aquelas onde pode-se entrar com m\u00e1quinas pesadas, comprovadamente destruidoras da estrutura do solo. De fato, as terras mais \u201cagr\u00edcolas\u201d, em termos de produ\u00e7\u00e3o, s\u00e3o aquelas frente \u00e0 porta da cozinha! (\u00e9 claro que o grande problema \u00e9 o fato da agricultura se industrializar e ser vista como produtora de dinheiro. Isto levanta grandes problemas pr\u00e1ticos, j\u00e1 que se destr\u00f3i para ganhar a curto tempo. Isto vai acabar de fato somente quando houver ou uma press\u00e3o p\u00fablica em massa ou quando tais sistemas n\u00e3o forem mais vi\u00e1veis economicamente. H\u00e1 sinais de que os dois processo est\u00e3o acontecendo. O aumento de custos em petr\u00f3leo e agrot\u00f3xicos faz com que a agricultura intensiva e org\u00e2nica hoje se torne muito mais lucrativa. Se os problemas s\u00e3o basicamente dom\u00e9sticos e podem ser resolvidos a n\u00edvel dom\u00e9stico, isto implica que n\u00f3s podemos resolver os nossos problemas, n\u00e3o precisando de algum engenheiro ou outro especialista, ou o governo, etc. para dar as solu\u00e7\u00f5es. O poder da a\u00e7\u00e3o volta para as m\u00e3os do indiv\u00edduo, da fam\u00edlia, ou da comunidade local.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Todo sistema deve produzir mais energia do que consome<br \/>\n<\/strong><br \/>\nQuando falamos em \u201cenergia\u201d, podemos pensar em calorias. V\u00e1rios levantamentos tem mostrado que a agricultura industrializada \u00e9, em muitos casos, deficit\u00e1ria energeticamente: para cada caloria de alimento produzida, gastam-se duas a oito (ou mais!) calorias na forma de petr\u00f3leo (transporte, insumos, m\u00e1quinas agr\u00edcolas, etc.). Qualquer sistema deficit\u00e1rio, que seja em termos monet\u00e1rios ou energ\u00e9ticos, \u00e9 fadado a falir, cedo ou tarde. Os sistemas permaculturais se tornam produtores energ\u00e9ticos de v\u00e1rias maneiras:<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">a) Produ\u00e7\u00e3o intensiva em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho. Sistemas permanentes exigem poucas ou nenhuma m\u00e1quina e pouco ou nenhum insumo, consumindo menos calorias do que produzem;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">b) Produ\u00e7\u00e3o para consumo local. Evitam-se assim gastos em transporte;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">c) Utiliza\u00e7\u00e3o das energias do lugar (gravidade, transporte animal, sol, vento, etc.);<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">d) Reciclagem dos dejetos. Os fertilizantes industrializados s\u00e3o produzidos a partir do petr\u00f3leo e exigem muitos gastos em transporte. Quando os insumos s\u00e3o produzidos localmente, evitam-se todos estes gastos;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">e) Utilizando energias alternativas captadas no lugar: cozinhado com fog\u00f5es solares e a lenha, biog\u00e1s, pain\u00e9is solares, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Visa-se coopera\u00e7\u00e3o em vez de competi\u00e7\u00e3o, integra\u00e7\u00e3o em vez de fragmenta\u00e7\u00e3o<br \/>\n<\/strong><br \/>\nO esp\u00edrito de coopera\u00e7\u00e3o \u00e9 a grande chave para a recupera\u00e7\u00e3o da qualidade de vida no planeta. Vista em termos sociais, a coopera\u00e7\u00e3o nos leva a ver todo estranho como amigo em potencial, enquanto a competi\u00e7\u00e3o nos ensina a ver todo estranho com advers\u00e1rio em potencial. Esta mudan\u00e7a de atitude traz mudan\u00e7as de comportamento fundamentais. Na coopera\u00e7\u00e3o, a energia \u00e9 gasta de uma maneira mais construtiva, somando a energia de uns com os outros, em vez de se anularem mutuamente, como \u00e9 o caso da competi\u00e7\u00e3o. Na agricultura, esta mudan\u00e7a de atitude tamb\u00e9m transforma o comportamento. Se uma praga ataca a lavoura, um agricultor que se baseia em coopera\u00e7\u00e3o com a natureza procurar\u00e1 compreender o porque deste ataque. A planta est\u00e1 enfraquecida? O inseto est\u00e1 com fome por falta de um posto natural? Chega-se at\u00e9 a plantar alimentos para o inseto considerado \u2018praga\u2019, reconhecendo que este, como todo ser natural, merece viver. Este conv\u00edvio pac\u00edfico com a natureza faz com que o agricultor n\u00e3o precise mais declarar guerra qu\u00edmica na sua propriedade, produzindo assim alimentos de qualidade e limpos, sem comprometer a qualidade da \u00e1gua nem do solo. A coopera\u00e7\u00e3o nos leva a ver tudo como sendo interligado. N\u00e3o \u00e9: \u201ceu contra voc\u00ea\u201d, mas \u201ceu junto com voc\u00ea\u201d. N\u00e3o \u00e9: eu contra a praga, mas eu trabalhando em conjunto com a natureza, dentro de um contexto. Desaparece o sentido da fragmenta\u00e7\u00e3o, de ver um mundo como formado de pe\u00e7as separadas, passando a ver o mundo como um todo integrado, onde mudan\u00e7as em um elemento dentro do sistema (agr\u00edcola ou social), modifica a situa\u00e7\u00e3o de muitos outros elementos que est\u00e3o interligados com este. Isto \u00e9 o que transforma o sistema todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A permacultura n\u00e3o \u00e9 apenas uma t\u00e9cnica ou muito menos um pacote. \u00c9 muito mais complexo que uma simples agricultura sem agrot\u00f3xicos, mais complexo que uma agricultura ecol\u00f3gica, ou sustent\u00e1vel, ou biodin\u00e2mica. \u00c9 uma forma de viver que pode ou n\u00e3o envolver essas e outras t\u00e9cnicas. Ao mesmo tempo \u00e9 muito mais simples por ser a conduta natural das coisas. Necessita apenas de uma observa\u00e7\u00e3o sem m\u00e1scaras, da natureza, sem pressa e com aten\u00e7\u00e3o. Sem preconceitos.<\/p>\n<p><strong>Grupo de Permacultura Centro de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias da UFSC<\/strong><br \/>\n<strong>http:\/\/www.cca.ufsc.br\/permacultura\/<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que \u00e9 Permacultura<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":31746,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_sub_headline":"","videourl":"","footnotes":""},"categories":[6762],"tags":[120,195,219,6764,220],"class_list":["post-152","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meio-ambiente","tag-agricultura","tag-geral","tag-meio-ambiente","tag-permacultura","tag-sustentabilidade"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>O que \u00e9 Permacultura | Fronteira Livre<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, 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