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Home Entrevistas

Entrevista: Alex Bretas

Educação Informal: Mãe eu não quero estudar

Por Redação
04/08/2017 - 12:38
em Entrevistas
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Minha vida na escola não foi não fácil, queria ser jogador profissional de tênis, surfar e jogar bola nas horas vagas, e isso causou um problemão dentro de casa, o que só fui começar a perceber com clareza quando entrei na faculdade.

A faculdade que cursei, The Art Institute, era bem diferente de todo ensino que havia experimentado até então, em que o tom era professoral, a via de conhecimento era única e se resumia à decoreba e quadro negro. No A.I. as aulas eram práticas, com diversas dinâmicas distintas, com muitas ferramentas e equipamentos para testarmos. Os erros também eram muito bem avaliados. Lá o valor da experiência, troca e debates, era mais importante. O paralelo com os treinos de tênis eram inevitáveis. Ali eu aprendia me divertindo.

Os anos passaram e sempre que fui visitar escolas aqui no Brasil me surpreendia com a falta de inovação. Os alunos continuavam aprendendo do jeito que eu fui “forçado” a aprender e que meus pais e avós aprenderam também. Com essa pulga atras da orelha, comecei a pesquisar mais sobre o assunto e com grande felicidade encontrei muita gente bacana que está pensando e agindo em prol de novos modelos educacionais.

Hoje eu entrevisto uma dessas figuras que conheci.  O Alex Bretas é fascinado pela educação que liberta e emancipa. Fundou o projeto de investigação independente Educação Fora da Caixa e por meio dele lançou dois livros sobre educação inovadora com foco em adultos, “Kit Educação Fora da Caixa” e “Doutorado informal”. Atualmente, é sócio do UnCollege Brasil e um dos idealizadores do programa Desaprender, que é um programa de quatro meses do UnCollege Brasil para quem quer aprender livremente e em comunidade. Se você quiser participar [ acesse ]

Vamos a entrevista…

O que você definiria como educação informal?
Educação informal, pra mim, são os aprendizados que a vida nos proporciona. Isso não é pouca coisa. Ao longo dos últimos séculos, é como se tivéssemos encarcerado a educação nos prédios que denominamos como escolas e universidades. Aprender não se resume a esses locais: aprender é o que nos torna humanos, é o que nos fez chegar até aqui como espécie. Mas não o aprender que é sinônimo de ficar sentado numa cadeira durante horas ouvindo explicações do professor, e sim o aprender que significa se perceber e mudar com o mundo.

Você acredita que o sistema de educação tradicional (dos últimos 150 anos) entrou em colapso?
Tem uma história que diz que um médico do final do século XIX, se entrasse num bloco cirúrgico de hoje, não saberia o que fazer com tantas inovações tecnológicas e procedimentos novos. Se um professor contemporâneo desse médico fizesse o mesmo e entrasse na sala de aula atual, certamente estaria à vontade. Acredito que essa história ilustra muito bem como diversos outros campos avançaram, mas na educação a sensação é como se estivéssemos parados no tempo. Existem várias iniciativas e projetos disruptivos rolando – e muitas discussões interessantíssimas sobre educação inovadora dentro e fora da academia também -, mas no limite, a grande maioria das escolas e universidades têm medo de fazer diferente. Ou então não acreditam que precisam fazer diferente, por uma série de motivos.

Por que a forma de ensino tradicional já não nos serve no mundo de hoje?
Acredito que existem várias razões, mas uma das principais é que hoje os mais velhos não sabem mais que os mais novos. Isso já aconteceu na história da humanidade, mas com a internet, as novas mídias e os espíritos renovados das novas gerações, isso deixou de ser uma verdade. Todos, agora, precisam aprender uns com os outros. Representantes de diferentes gerações têm coisas muito importantes para compartilhar com pessoas de outras faixas etárias.

Outro motivo: ensinar é talvez uma das formas mais eficazes para estimular pessoas a reproduzirem coisas e a agirem sempre do mesmo modo. Estamos vivendo um período social e econômico em que não podemos nos contentar em fazer mais do mesmo. Aprender a aprender é a competência que precisamos desenvolver para criar, ao invés de reproduzir. As histórias de algumas das empresas mais valiosas do mundo como a Apple e o Google e de algumas das iniciativas sociais mais inovadoras do século XX como o Grameen Bank atestam isso.

O que as grandes universidades do mundo, como as Ivy Leagues americanas, estão fazendo a respeito?
Não conheço muito do que tem sido feito no contexto acadêmico, mas sei que vários pequenos projetos estão ditando os rumos da educação que acredito que teremos no futuro. Nos Estados Unidos surgiu o UnCollege, que trouxemos para o Brasil, e outros projetos super interessantes como o Mycelium e o Minerva Schools. Se as grandes universidades estiverem atentas, certamente elas têm acompanhado o nascimento desses projetos.

Na história da educação, você pode citar alguns exemplos de pessoas que usaram a educação informal para inovar e transformar?
Muitas pessoas que consideramos como seres notáveis construíram seus próprios itinerários de aprendizagem, por vezes dentro dos espaços formais de ensino, e frequentemente por fora. Albert Einstein faltava às aulas da faculdade para pesquisar por conta própria e chegou a ter mentores que o acompanharam por bastante tempo, uma prática que também adotamos no doutorado informal. Elon Musk abandonou o curso de doutorado em Stanford e aprendeu “sozinho” sobre foguetes (sozinho entre aspas porque o aprendizado autônomo nunca é solitário). Muhammad Yunus, o fundador do Grameen Bank e prêmio Nobel da Paz, só fundou o banco que o tornou conhecido porque ousou pisar fora dos muros da universidade que lecionava e percebeu mais atentamente a comunidade ao redor. No Brasil existem inúmeros outros exemplos: Tião Rocha, fundador do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPCD) em Minas Gerais, Joaquim de Melo, fundador do Banco Palmas no Ceará, os Mestres Griôs, e tantos outros mais.

No Brasil, quais iniciativas vêm dando resultados concretos?
“Resultado” é uma palavra que precisa de uma contextualização antes. Que tipos de resultado estamos buscando com a educação que criamos? Esta é uma discussão que precisa muito ser feita. Pessoalmente, acredito que uma educação que “dá resultado” é aquela que nos faz ávidos por aprender sempre e prontos para fazê-lo com diferentes ferramentas e recursos. Neste sentido, o próprio CPCD, a escola Politéia em São Paulo e o Estaleiro Liberdade em diferentes estados são exemplos de iniciativas que dão conta de diferentes públicos e estratos sociais. Lançamos recentemente o novo programa do UnCollege no Brasil chamadoDesaprender, que também objetiva ser um espaço para apoiar as pessoas no desenvolvimento de seus próprios projetos de aprendizagem.

É possível escalar esses modelos? Como?
Escalar, no sentido de replicar pura e simplesmente, não. Para que um espaço de aprendizagem como esses surja, é preciso que um grupo de pessoas em determinada localidade se encontre e descubra uma inquietação comum em relação à educação engessada que vivenciaram. A partir daí as coisas acontecem de forma autêntica. Tentar replicar um modelo seria como fazer mais do mesmo somente com uma roupagem nova. Acredito em reedições, isto é, quando pessoas se sentem inspiradas pelo que vem acontecendo em outro local e, a partir disso, empreendem no lugar onde vivem agregando as particularidades do seu contexto. Por isso é tão importante promover iniciativas inovadoras, e é isso que busquei fazer nos dois livros que escrevi pelo projeto Educação Fora da Caixa.

Como aplicar técnicas da educação informal no dia a dia?
Num dos livros que escrevi, “Kit Educação Fora da Caixa”, descrevo 50 ferramentas de aprendizagem informal que podem ser aplicadas por qualquer pessoa. O livro está disponível gratuitamente para download. Algumas técnicas são muito simples, como por exemplo convidar uma pessoa que você admira para ser seu mentor no seu processo de aprendizado ou criar um grupo de estudos informal sobre determinado tema que se reúne periodicamente. Hoje as possibilidades são vastas: o crowdfunding, por exemplo, tem sido berço ou potencializador de diversos projetos de pesquisa muito interessantes. Eu mesmo financiei parte da minha pesquisa dessa forma. O mais legal é que o financiamento coletivo te dá disciplina para concretizar, porque é o dinheiro de várias pessoas que está em jogo quando você alcança a meta de arrecadação de um projeto. Isso ajuda a gerar comprometimento.

Que recado você deixaria para uma mãe que está prestes a colocar seu filho em uma escola?
Primeiro eu buscaria ouvir essa mãe e entender quais anseios ela tem em relação à educação do seu filho. Também acredito que é importante ouvir a própria criança, porque por mais que ela não se comunique da mesma forma que os adultos, ela também sabe se expressar. Depois exploraria junto com ela todas as opções disponíveis. Existem escolas e escolas, assim como há também possibilidades não escolares – o homeschooling e o unschooling ainda não são regulamentados no Brasil, mas existe uma comunidade de famílias que adotam essa prática bastante ativa por aqui. Mesmo que a opção seja colocar a criança na escola, acredito que muito da nossa formação não se esgota nesse espaço. Os pais precisam estar presentes e dar autonomia para que seus filhos experimentem diferentes caminhos à sua escolha e possam errar e aprender. E, convenhamos, tem sido mais fácil realizar isso fora das escolas que temos hoje do que dentro delas.

= =

Obrigado e até a próxima!
FS.

Tags: entrevistas
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