Brasília, DF – Durante o evento, foi assinada a portaria interministerial que institui o novo Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) para o período de 2026 a 2036. Também foi anunciada a expansão do acervo da plataforma digital MEC Livros, que passará de 8 mil para 25 mil obras disponíveis gratuitamente.
“Ninguém vai comprar um livro se não tiver dinheiro. Nós temos que fazer as pessoas lerem, mesmo que não possam comprar um livro, e o MEC Livros é exatamente isso”, afirmou o presidente.
Ainda durante o discurso, Lula destacou o papel do Estado na democratização do acesso à cultura.
“O nosso papel não é dizer qual o livro que a pessoa vai ler. O nosso papel é criar condições para que toda, sem distinção, criatividade feita do ponto de vista cultural do ser humano, possa chegar à mão de todos. Esse é o papel do Estado”, declarou.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, apresentou dados sobre a ampliação de políticas públicas voltadas à leitura.
“Nós retomamos o Programa Nacional do Livro e do Material Didático na sua modalidade literária, o PNLD Literário, que, no governo passado, comprou 29 milhões de livros e, neste governo, até aqui, nós já compramos 84 milhões de livros. São 55 milhões de livros a mais”, disse.
Já a ministra da Cultura, Margareth Menezes, citou levantamento da Câmara Brasileira do Livro que aponta crescimento no número de leitores no país.
“Apenas em 2026, foram distribuídos 2,46 milhões de livros literários para 4.106 bibliotecas ativas no cadastro do Ministério da Cultura”, afirmou. Segundo ela, o país conta atualmente com 3.410 bibliotecas públicas e 696 comunitárias.
O 9º Prêmio Vivaleitura recebeu 1.848 inscrições de projetos em cinco categorias. As iniciativas vencedoras recebem R$ 50 mil, enquanto os projetos classificados entre o segundo e o quinto lugar recebem R$ 15 mil cada, totalizando R$ 550 mil em premiações. Ao todo, 782 municípios participaram da edição de 2025, com maior concentração de inscrições nas regiões Nordeste e Sudeste.
Entre os projetos vencedores estão iniciativas voltadas à promoção da leitura em bibliotecas comunitárias, escolas, espaços diversos, escrita criativa e sistemas prisional e socioeducativo. As propostas contemplam ações como formação de mediadores, incentivo à autoria e valorização de narrativas locais.
A plataforma MEC Livros também passará por mudanças operacionais. Um novo sistema permitirá a devolução antecipada de obras após a leitura de ao menos 10% do conteúdo ou quando o usuário atingir 90% da leitura. Atualmente, o prazo mínimo para devolução é de 14 dias. O limite segue de até dois empréstimos por mês por CPF.
Lançado há pouco mais de duas semanas, o aplicativo já registra mais de 586 mil usuários cadastrados e cerca de 276 mil obras emprestadas. O acervo inclui títulos nacionais e internacionais, obras em domínio público e conteúdos oriundos de parcerias institucionais. A plataforma também oferece recursos de acessibilidade, como ajuste de fonte, contraste, suporte para dislexia e compatibilidade com leitores de tela.
O novo Plano Nacional do Livro e Leitura estabelece metas para ampliar o acesso ao livro, incentivar a produção literária nacional e fortalecer a cadeia produtiva do setor. O plano também prevê a expansão de bibliotecas públicas, escolares e comunitárias e está alinhado à Política Nacional de Leitura e Escrita, regulamentada em 2025.
Dados históricos apontam que o índice de leitura no Brasil já chegou a 4,7 livros por habitante ao ano em ciclos anteriores. A meta do novo plano é elevar o percentual de leitores de 47% para 55% da população até 2035.
O Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), criado em 1937, segue como a principal política pública do setor. Em 2026, o governo federal destinou R$ 2,7 bilhões ao programa, com aquisição de 213 milhões de livros. O PNLD também foi ampliado para atender bibliotecas públicas e comunitárias, com investimento de R$ 24,5 milhões e distribuição de 4 milhões de exemplares.
Após mais de uma década, o PNLD voltado à Educação de Jovens e Adultos (EJA) foi retomado e atende atualmente 13,9 mil escolas em todo o país.
