Ribeirão Preto (SP) — O governo federal anunciou a criação de uma nova linha de crédito de R$ 10 bilhões voltada à modernização do maquinário agrícola no país. A medida foi apresentada neste domingo (26), durante a abertura da Agrishow, em Ribeirão Preto, e integra uma estratégia mais ampla de estímulo à produtividade no campo.
Além do financiamento para aquisição de tratores, colheitadeiras e implementos agrícolas, o governo também confirmou que prepara um programa de renegociação de dívidas rurais, que deve alcançar produtores em diferentes níveis de endividamento.
Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, o crédito será disponibilizado com juros mais baixos e deve entrar em operação nas próximas semanas.
“São R$ 10 bilhões para financiar tratores, implementos, colheitadeiras e toda a parte de máquinas agrícolas. Em três semanas, a gente vai ter esse recurso com juros mais baixos para modernizar o parque produtivo”, afirmou.
A nova linha faz parte do programa MOVE Brasil e segue modelo semelhante ao financiamento voltado à renovação da frota de caminhões, lançado no início do ano e que teve alta demanda.
A proposta é ampliar o acesso a crédito para modernização tecnológica, com impacto direto na produtividade e nos custos operacionais do setor agropecuário.
Os recursos serão operados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com possibilidade de contratação direta ou por meio de bancos, cooperativas e outras instituições financeiras credenciadas.
Pela primeira vez, cooperativas agrícolas também poderão acessar diretamente o crédito da Finep para financiar máquinas, equipamentos e tecnologias voltadas à agricultura digital.
Renegociação de dívidas entra na pauta
Durante o anúncio, o governo também indicou que trabalha na construção de um programa de renegociação de dívidas rurais, que deve atender tanto produtores inadimplentes quanto aqueles que mantêm seus compromissos em dia.
A medida busca ampliar a capacidade de investimento no campo e reduzir a pressão financeira sobre o setor.
A iniciativa se soma a outras ações voltadas ao fortalecimento da produção agropecuária, incluindo o Plano Safra 2025/2026, que prevê volume recorde de recursos para financiamento da produção.
A estratégia combina crédito para investimento em infraestrutura produtiva com financiamento da atividade agrícola, criando condições para ampliar escala e competitividade.
A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, destacou que a mecanização e a tecnificação seguem como desafios centrais, especialmente para a agricultura familiar.
Segundo ela, o avanço depende da articulação entre setor produtivo e indústria, com foco em soluções adaptadas à pequena escala.
Já o ministro da Agricultura, André de Paula, relacionou o momento do setor à expansão de mercados internacionais e à entrada em vigor de acordos comerciais, como o firmado entre Mercosul e União Europeia.
O anúncio ocorre em um contexto de expansão do agronegócio brasileiro. Nos últimos anos, o país ampliou o acesso a mercados externos e registrou crescimento nas exportações do setor.
Em 2025, o agronegócio respondeu por quase metade das exportações brasileiras, com recorde histórico de faturamento. A produção de grãos também atingiu patamares inéditos, com projeções de novos avanços no ciclo seguinte.
















