Por Marco Roberto de Souza Albuquerque
Comentário do vídeo: Como se articula a oposição contra o Presidente? da Gabriela Priori
A prioridade das forças republicanas (chamemo-las, como sói fazer-se hoje em dia — progressistas) deve ser a promoção do impeachment.
A Inclinação a apostar em só evidenciar as disfuncionalidades e ilicitudes do projeto fascista encabeçado por Bolsonaro — com vistas a “desidratá-lo” até o pleito de 22 para então derrotá-lo nas urnas — implica um risco, e não convém menoscabá-lo: pode não haver eleições ano que vem.
Ademais de a razão-mor de semelhante projeto ser, por meio de um golpe, a instauração de um regime de arbítrio — como todas as diretrizes do fascismo à Bolsonaro, esses e outros intuitos boçais não são ocultados nem desmentidos: são ditos e confirmados, gravados e difundidos — o “partido militar” não cessa de insinuar sua disposição a mandar a ordem constitucional para as cucuias em favor de um Governo pródigo em favorecer a Caserna com toda sorte de mimos e sinecuras.
Claro: convenhamos que as correlações de força na atual geopolítica diferem — e muito! — da geoestratégia da Guerra Fria. Se nem na Venezuela, onde as garantias democráticas e a funcionalidade institucional se encontram em uma razão diametralmente inversa à pujança de suas jazidas petrolíferas — se há feito, a sério, o cálculo de o Pentágono financiar e apoiar um golpe…
Contudo tenha-se em mente esta máxima, atribuída à argúcia e à mordacidade de Getúlio Vargas: “O problema dos generais, no Brasil, é o seguinte: a metade não é capaz de nada, mas a outra é capaz de tudo”.
O momento agora, para as grandes personalidades partidárias, deve ser o de articular, na Câmara, o impeachment de Bolsonaro. Mobilizar os deputados de oposição, chamar às falas os líderes do Centrão, pressionar o presidente da Casa.
Ciro, Lula, “terceira via”, todas essas apostas e expectativas podem deitar-se a perder se os militares resolverem, ainda este ano, tutelar o Brasil tendo em conta duas premissas: a) a oposição têm “esticado demasiado a corda” e b) os brasileiros ainda não aprenderam a votar.
Leiamos — e com toda a atenção, por favor! — a entrevista concedida à Veja, no último dia dezessete, pelo general Luis Carlos Gomes Mattos, presidente do Superior Tribunal Militar: nela as duas premissas anteriores são declaradas. E não falta o que ler — e temer — nas entrelinhas.
Eis o enlace da entrevista: https://bit.ly/2URZdaJ
Como ainda hoje adverte o prefácio ao dicionário Aurélio — convém ler: desde o golpe de 2016, vêm-se escrevendo — a mano militari — ameaças ao Estado democrático de direito, seja no Twitter, seja em outras páginas frescas de nossa História, nas quais se tem desenrolado o capítulo “Fascismo na Nova República”.
O impeachment — considerando-se todo o complexo envolvido: desde as ruas até a Câmara, passando pela Imprensa — enfraqueceria sensivelmente a prosápia golpista dos generais e a sanha celerada dos arrivistas que a eles se associem numa aventura contra a ordem constitucional.
Destituído o presidente (oxalá a própria chapa Bolsonaro-Mourão!), levados aos tribunais todos os implicados no morticínio ocasionado pelo desgoverno na crise sanitária — então poderemos, a contento, cuidar das expectativas e apostas para o Governo que saia das urnas — talvez não em 22, mas antes!
Todavia, se não houver denodo e empenho pelo impeachment (e já!) — quiçá, ano que vem, não haja nem expectativas, nem apostas, nem urnas.
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