Brasília (DF) — O emprego formal de mulheres negras cresceu 29% entre 2023 e 2025 nas grandes empresas brasileiras, mas a desigualdade salarial entre homens e mulheres segue em alta, segundo relatório divulgado pelo governo federal. Os dados fazem parte do 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, apresentado pelos ministérios do Trabalho e Emprego e das Mulheres.
O levantamento mostra que o número de mulheres pretas e pardas empregadas em estabelecimentos com 100 ou mais trabalhadores passou de 3,2 milhões para 4,2 milhões no período, o que representa mais de 1 milhão de novas contratações formais. No total, o emprego feminino cresceu 11%, saltando de 7,2 milhões para 8 milhões de trabalhadoras.
Apesar da ampliação da participação feminina no mercado formal, o relatório aponta que a diferença salarial entre homens e mulheres aumentou. Em 2025, as mulheres receberam, em média, 21,3% a menos que os homens em empresas com mais de 100 empregados — percentual superior ao registrado em 2023, que era de 20,7%.
Na admissão, a desigualdade também cresceu. O salário inicial das mulheres ficou, em média, 14,3% abaixo do dos homens, frente a 13,7% dois anos antes. A massa de rendimentos das mulheres avançou de 33,7% para 35,2%, mas ainda distante da participação feminina no emprego formal, que é de 41,4%.
“Quando defendemos a igualdade salarial, não estamos falando apenas do valor nominal do salário, mas das condições de trabalho, da função exercida e de direitos que muitas vezes não são cumpridos”, afirmou a ministra das Mulheres, Márcia Lopes.
Impacto econômico da desigualdade
O estudo também aponta o peso econômico da desigualdade de gênero. Para que a renda das mulheres acompanhasse sua participação no mercado de trabalho, seria necessário ampliar em R$ 95,5 bilhões por ano a remuneração feminina. Segundo o relatório, essa equiparação poderia elevar em mais de 10% a massa total de rendimentos do país.
“Não se trata apenas de salário na mesma função, mas da valorização das mulheres ao longo da carreira e das oportunidades de ascensão”, destacou o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.
O relatório registra aumento na presença de mulheres em cargos de liderança e maior adesão a políticas afirmativas nas empresas. O número de estabelecimentos com mulheres em cargos de gerência e direção cresceu 12%, alcançando 13,7 mil empresas.
Também houve avanço em iniciativas de inclusão, como programas de contratação de mulheres vítimas de violência, adotados por 7% das empresas analisadas, com maior incidência em estados como Minas Gerais e Espírito Santo. Esses estados também se destacam em políticas voltadas à inclusão de mulheres LGBTQIAPN+.
Além disso, o levantamento aponta crescimento de políticas específicas para contratação de mulheres com deficiência e mulheres negras, indicando maior presença de ações voltadas à diversidade no mercado de trabalho.
Entre 2023 e 2025, o número de empresas com mais de 100 empregados no Brasil cresceu 5,5%, passando de 50,7 mil para 53,5 mil estabelecimentos. No mesmo período, o total de empregos nessas empresas aumentou 7%, chegando a 19,3 milhões de trabalhadores.
A diferença salarial também varia conforme o porte das empresas. Em estabelecimentos menores, a remuneração de admissão das mulheres se aproxima mais da dos homens. Já nas grandes empresas, onde os salários são mais altos, a desigualdade tende a ser maior.
















