Foz do Iguaçu, PR – A ocupação de 21 casas ainda em construção no conjunto Lagoa Azul, na região de Três Lagoas, colocou em evidência a pressão por moradia na cidade. O caso ocorre em um cenário onde cerca de 9 mil famílias estão cadastradas no Fozhabita à espera de acesso à casa própria.
Desde quarta-feira (22), o município cumpre decisão judicial de reintegração de posse das unidades ocupadas desde janeiro. As casas fazem parte de um total de 42 moradias do Condomínio Primavera (Lagoa Azul), destinadas a famílias atendidas pelo aluguel social da autarquia. Segundo a Defesa Civil, os imóveis ainda em obra não apresentam condições de segurança para moradia.
A prefeitura argumenta que a ocupação compromete a organização da fila habitacional e atrasa a entrega para famílias já selecionadas. Ao mesmo tempo, o episódio evidencia a dimensão da demanda por moradia na cidade.
Atualmente, os principais empreendimentos habitacionais em construção em Foz do Iguaçu são financiados com recursos do governo federal. Os residenciais Gal Costa, Elis Regina e Rita Lee, dentro do programa Minha Casa Minha Vida, somam 512 moradias destinadas à fila do Fozhabita.
Além disso, há 254 unidades em convênio com a Itaipu Binacional, voltadas a moradores da área de alagamento do bairro Brás. Somadas às 42 casas do Lagoa Azul, essas iniciativas ampliam a oferta, mas ainda representam apenas parte da demanda existente no município.
A ocupação no Lagoa Azul ocorreu após a paralisação das obras, em janeiro, quando a construtora deixou o canteiro. Sem conclusão e sem entrega imediata, as unidades acabaram sendo ocupadas durante a madrugada em uma ação coletiva.
Durante a reintegração, o município informou ter realizado acompanhamento social e encaminhamento de parte das famílias. Também reforçou que o acesso à moradia deve seguir cadastro e critérios definidos pela política habitacional.
O conflito no Lagoa Azul não se explica apenas pela ocupação em si. Ele revela um descompasso concreto: de um lado, milhares de famílias aguardando na fila; de outro, um número limitado de unidades em construção.
A existência de quase 9 mil cadastros no Fozhabita mostra que a demanda por moradia segue alta e contínua. Nesse contexto, episódios como a ocupação deixam de ser pontuais e passam a refletir a dificuldade de acesso a um direito básico.
A pergunta que atravessa o caso não é apenas jurídica, mas social: como responder a uma demanda que cresce mais rápido do que a capacidade de entrega?
Famílias interessadas em acesso à moradia devem procurar o Fozhabita para realizar o cadastro habitacional e entrar na fila dos programas públicos. O atendimento é feito presencialmente na sede do instituto, na Rua Quintino Bocaiúva, 595, no Centro de Foz do Iguaçu, de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h.
Informações também podem ser obtidas pelo telefone (45) 3521-1230.
















