A Polícia Civil de São Paulo abriu um inquérito para investigar uma denúncia contra alunos de Medicina da Faculdade Santa Marcelina. O caso ocorreu durante um evento esportivo para calouros, realizado no último sábado, quando os estudantes cantaram um hino e exibiram uma bandeira com a frase “entra a p…, escorre sangue”, fazendo alusão ao crime de estupro. A instituição informou que está apurando a situação.
Imagens do evento mostram pelo menos 20 estudantes segurando a faixa. A 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) instaurou um inquérito policial para examinar as circunstâncias do ocorrido, mesmo sem registro formal de ocorrência. “A unidade policial está à disposição para ouvir as denúncias”, afirmou a DDM.
O caso foi divulgado na segunda-feira (17) pelo Coletivo Francisca, formado por alunas e ex-alunas da faculdade. O grupo repudiou o ato em suas redes sociais e informou que enviou a denúncia à administração da Santa Marcelina.
“Além de extremamente violento e com diversas referências ao crime de estupro, o hino menciona relações sexuais com membros da Igreja que compõem o corpo docente da faculdade (‘vem irmãzinha, pega no meu…’”, declarou o coletivo.
A Faculdade Santa Marcelina manifestou-se contrária ao incidente e anunciou a abertura de uma sindicância interna. “Os alunos responsáveis pelos atos (que ocorreram fora de suas dependências) serão penalizados conforme os princípios estabelecidos e a gravidade da infração. As punições podem incluir advertências verbais e escritas, suspensão e até expulsão da faculdade.”
Em nota, a instituição ressaltou que, ao se matricular, o aluno aceita um compromisso formal com os princípios éticos e morais da faculdade, com a dignidade acadêmica e com a legislação vigente. “Atitudes como essa constituem um agravo à instituição, sua tradição, missão e valores, além de à sociedade como um todo.”
O incidente ocorreu durante a Intercalo, um evento esportivo para calouros. A apresentação da bandeira envolveu alunos do time de handebol e membros da atlética. Segundo o coletivo, a frase faz parte de um hino da atlética que, devido ao seu conteúdo machista, foi banido em 2017. As atléticas são associações formadas por faculdades e universidades voltadas à programação de eventos esportivos, sociais e culturais.
A denúncia busca que a Faculdade Santa Marcelina investigue e puna os responsáveis pela confecção da bandeira e pelas ações registradas na fotografia divulgada, enfatizando a importância de não criar um ambiente permissivo em relação às violências contra as mulheres. A nota destaca que “o crime ao qual se faz apologia é o crime de estupro”.
Em abril de 2023, um vídeo de alunos de Medicina em São Carlos, onde os estudantes desfilaram nus e simularam masturbação, resultou na expulsão de 15 alunos pela Universidade Santo Amaro. Eles foram reintegrados meses depois por decisão judicial, mas ainda respondem a um processo administrativo aberto pela instituição.
















