O governo argentino, sob a liderança de Javier Milei, anunciou planos para reforçar o controle na fronteira com o Brasil, ampliando as medidas já implementadas na divisa com a Bolívia. A ministra da Segurança, Patricia Bullrich, fez a declaração durante uma entrevista à rádio Mitre, em meio a um debate nacional sobre o endurecimento da fiscalização migratória e o combate ao contrabando e tráfico de drogas.
Bullrich destacou a necessidade de expandir as políticas de segurança para a fronteira em Misiones, um local onde a travessia a pé é comum e onde ocorreram incidentes violentos. “Estamos direcionando esforços para a fronteira com o Brasil, especialmente em Bernardo de Irigoyen, um ponto crítico que requer atenção”, afirmou.
A ministra também mencionou Salvador Mazza, na província de Salta, como outra área que necessita de um plano abrangente. Essa iniciativa é parte do “Plano Güemes”, anunciado em dezembro, que visa fortalecer a segurança nas fronteiras do norte do país. Recentemente, foi confirmada a construção de uma cerca de 200 metros na divisa com a Bolívia, em colaboração com o governo federal.
Essas medidas ocorrem em um contexto global de endurecimento das políticas de imigração. Nos Estados Unidos, por exemplo, Donald Trump tem implementado novas sanções a países que não aceitam deportações, o que tem influenciado o discurso de Milei.
A construção do que foi denominado “cercamento perimetral” em Aguas Blancas, na província de Salta, está programada para ser financiada pelo governo federal. A estrutura se estenderá do terminal rodoviário municipal até a Direção Nacional de Migrações, na fronteira com Bermejo, na Bolívia. Autoridades locais indicaram que a cerca será alta e robusta, semelhante às que cercam campos de futebol.
Entretanto, a construção gerou preocupações no governo boliviano, que alertou sobre os possíveis impactos diplomáticos. Em uma declaração, o Ministério das Relações Exteriores da Bolívia expressou que “qualquer medida unilateral pode afetar a boa vizinhança e a convivência pacífica entre povos irmãos”.
















