Entre os dias 26 e 29 de novembro, Brasília (DF) sediou o primeiro Encontro Nacional de Agroecologia Indígena (ENAI), que promoveu debates sobre sustentabilidade e preservação cultural em comunidades indígenas. Com a presença de lideranças indígenas, agricultores, pesquisadores, representantes governamentais e da sociedade civil, o evento focou na criação de políticas públicas voltadas para a agroecologia.
Organizado pelo Grupo de Trabalho de Povos Indígenas da Articulação Nacional de Agroecologia (GT Povos Indígenas/ANA), o encontro contou com o apoio da Embrapa e do Ministério dos Povos Indígenas (MPI). A Fundação Luterana de Diaconia (FLD), em parceria com a Itaipu Binacional, foi uma das principais participantes, apresentando o projeto Opaná: Chão Indígena.
O evento ressaltou que a agroecologia não se limita à produção agrícola; ela integra a preservação ambiental, a segurança alimentar e a valorização cultural. As sementes tradicionais, reconhecidas como patrimônio cultural, foram destacadas como recursos fundamentais para a autonomia produtiva das comunidades indígenas.
A preservação das sementes tradicionais e a promoção da produção sustentável foram temas centrais das discussões. Além de assegurar a segurança alimentar, essas iniciativas valorizam a cultura e os conhecimentos indígenas. A proteção da agrobiodiversidade é vista como uma prioridade, especialmente diante das mudanças climáticas que ameaçam as práticas agrícolas tradicionais.
Uma audiência pública durante o evento debateu as ações governamentais para a promoção da agroecologia nas terras indígenas. As iniciativas apresentadas estão alinhadas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e destacam a importância dos povos indígenas na construção de uma agenda ambientalmente responsável.
O encontro representou um avanço significativo na formulação de políticas públicas que integram sustentabilidade, segurança alimentar e valorização cultural, reafirmando a posição do Brasil como líder na promoção de práticas agroecológicas e na preservação da diversidade cultural.
O evento culminou em um compromisso coletivo de ampliar ações voltadas à preservação dos recursos naturais, à proteção dos saberes ancestrais e ao fortalecimento da liderança indígena na construção de um futuro sustentável.
O projeto Opaná: Chão Indígena foca na segurança alimentar das comunidades indígenas através da agroecologia, no acesso a água potável e saneamento, e no fortalecimento cultural. Além disso, promove ações de educação antirracista para não indígenas. Atualmente, o projeto atende mais de 900 famílias em 32 comunidades Guarani do Oeste e Litoral do Paraná, abrangendo os povos Avá Guarani e Guarani Mbya em dez municípios paranaenses, com o apoio da Itaipu Binacional.
















