Por Lucas Rafacho – Opinião
Pois bem, vamos ajudar essa “criançada” a entender as duas funcionalidades historicamente básicas da música.
– Primeiro ponto, finalidade de criação de ambientes:
O surgimento das primeiras expressões músicais aconteceu em sociedades tribais na antiguidade, onde era utilizada como algo secundário, um mecanismo de preparação do ambiente para algo a qual queria-se dirigir. E isso se dava através da manipulação e reprodução dos sons da natureza, de uma forma rítmica dando uma organização sonora para os movimentos corporais (a dança), sempre ligada à magia, à saúde, à metafísica e até à política destas civilizações, tendo papel frequente em rituais religiosos, festas e guerras.
Ou seja, cria-se um determinado ambiente para uma determinada ocasião. Vemos isso até hoje, em igrejas, casas noturnas, eventos cerimoniais e bailes funk, que talvez não conscientemente, tocam seus repertórios de acordo com o sentimento a qual almejam provocar no público, direcionando assim à alegria, à tristeza, à eufória, à melancolia e etc…
Objetivando a finalidade específica do tipo de música escolhida para cada ocasião, e é a própria ocasião que dirá se aquele tipo de música é boa ou ruim de acordo com aquilo que foi proposto, sem a necessidade de uma análise a profundada da estrutura da música, se há ou não uma riqueza melódica, se a letra é poética ou não, a forma como os acordes foram usados na composição. Tudo isso é irrelevante considerando se a música cumpriu a finalidade a qual se propõem, que é criar um determinado clímax.
Exemplificando: tocar a música Despacito, dentro de uma igreja ou em cerimônia cívica, a obra será taxada como ruim pois não cumpre a finalidade a qual aquela ocasião pede. Por sua vez se tocar a mesma, em uma casa noturna ou baile, muito provável que o público se agrade do ritmo e diga que é boa, cumprindo assim a finalidade que foi proposta.
– Segundo ponto, apreciação estrita da obra:
Outro quesito que deve ser levado em conta, para dar o título de boa ou ruim, é quando temos a música estritamente como objeto de apreciação e ela não é mais um fomentador de um ambiente específico. Agora a música é tratada como obra de arte, devendo ser criticada em si.
Aí sim, começamos à analisar os elementos da canção como ritmo, harmonia, melodia, letra e arranjo, estabelecendo níveis com base no estudo de teoria músical, pontuando a média da obra, para conseguir classifica-la como uma composição que tem relevância ou não. Porém para isso é necessário muito estudo e uma bagagem bem eclética com a experiência musical, para que o nosso gosto particular não influa na nossa análise técnica e não sejamos injustos.
Por isso, que deixemos de ser preconceituosos e arrogantes, música é arte e arte é democracia. Quero encerrar esse texto deixando uma frase de Platão.
“A música é o meio mais poderoso do que qualquer outro porque o ritmo e a harmonia têm sua sede na alma. Ela enriquece esta última, confere-lhe a graça e ilumina aquele que recebe uma verdadeira educação.”
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*Lucas Rafacho é Analista de Licitações da Prefeitura de Guaíra
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