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Peaky Blinders: Gangster e Luta de Classes na Inglaterra

Por Amilton Farias
29/06/2022 - 12:32
em Geral
Foto: Reprodução

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Movimento operário, comunistas, IRA, ciganos, gangsters, degradação social, racismo e tudo o que não sabíamos da história inglesa a contrapelo o primeiro pós guerra

A série narra o ascenso no mundo mafioso do grupo que leva o nome da série, Peaky Blinders. Seu líder e protagonista, Thomas Shelby( interpretado por Cillian Murphy) é estratégico gangster de origem cigana, que logo depois de estar no campo de batalha na França na Grande Guerra, volta a sua cidade natal, Birmingham, para reassumir os turbulentos negócios da família, com uma única ambição de ascender os Shelby na cristalizada hierarquia social inglesa do entre guerras.

Essa aspiração o levará a caminhos mais tenebrosos que imaginava, rapidamente percebendo que no topo da pirâmide, nas cúpulas mais ocultas, da economia e da política, as coisas estão mais podres e preocupantes do que no submundo.

A ficção começa em 1919, em uma Birmingham – o coração industrial inglês do primeiro quarto do século – suja, decadente, à tons frios, com o peso das almas daqueles que voltaram de suas trincheiras, carregando lembranças para sempre dos corpos que viram morrer, aliados ou inimigos.

O fim da Primeira Guerra e Revolução marcam o contexto histórico onde se passa os episódios. Mas para muitos, a guerra ainda não terminou: as terríveis quantias de mortes e as memórias das pilhas de cadáveres entrincheirados comidos pelos ratos permanecerão para sempre nas memórias e pesadelos dos soldados que tentam reconstruir suas vidas, ou melhor, tentam continuar com o pouco de vida que lhes restou depois da guerra.

Isso é o que se descobre com o olhar frio de Thomas Shelby, fixado em nenhuma outra parte que não sejam os recessos de sua cabeça que guardam os traumas da grande carnificina humana.

Outra consequência da guerra, implícita na série, será a mudança radical da relação de forças, lei da história como descreve o historiador marxista Franz Mehring. O exemplo Bolchevique se expande pelo mundo todo, assim também como na Alemanha, Hungria, Itália, Finlândia, Áustria, China e até em Seattle e na Inglaterra não será diferente, não conseguindo evitar o contágio do espírito revolucionário.

As greves operárias de Birmingham serão cada vez mais importantes no decorrer da série, conforme uma temporada vai sucedendo a outra

A genialidade do diretor Steven Knight reside na utilização de um contexto histórico tão polarizado, não só como um plano de fundo da trama, mas também como um personagem central da sua obra. A denúncia contra a guerra e suas consequências, assim como a denúncia aos delinquentes de colarinho de branco, responsáveis eternos das guerras que houveram e haverão, são recorrentes no script. Por outro lado, Steven Knight presta homenagem à classe trabalhadora inglesa ao recuperar uma parte de sua história tão crucial e tão pouco estudada na Inglaterra.

Vemos isso especialmente nas cenas em que Thomas Shelby, a caminho de atravessar a escura, esquizofrênica e sangrenta brecha que separa os ricos e os pobres, percebe que a trilha de crueldade e assassinatos deixadas pela vida de gângster é muito excedida pela desumanidade, a corrupção e a falta de escrúpulos da plutocracia britânica. Nesse trânsito, Thomas está descobrindo (com uma performance mais que magistral de Murphy) que, para o lorde inglês, é mais importante liquidar os comunistas do que acabar com a miséria.

A casta política encontrará nos Shelby os candidatos certos para serem os bispos encarregados de cuidar da Coroa, oferecendo proteção policial e possibilidades de promoção, em troca de “limpar a merda” que escorre pela democracia inglesa através de todos os poros na tentativa de pôr fim aos seus inimigos políticos, sejam irlandeses radicais ou comunistas. Steven Knight mostra extraordinariamente como o desejo pela riqueza de reis e políticos os arrasta, privados de qualquer ameaça de constrangimento, a cavar poços profundos onde enterrar a decência. É que o acúmulo de riqueza é incompatível com a honestidade e uma vida honesta.

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Não sabemos se Steven Knight leu Marx ou não, mas o enredo do artista surge muito bem com as críticas do teórico alemão ao mundo dos ricos. Em “As lutas de classes na França”, Marx, referindo-se à “aristocracia financeira” francesa, acusa: “Especialmente à beira da sociedade burguesa é onde foi desencadeada a fome dos desejos mais insalubres e desordenados (…) ouro, lama e sangue se misturam naturalmente. A aristocracia financeira, tanto em seu lucro quanto em seus prazeres, nada mais é do que a ressurreição do lumpenproletariado nas cúpulas da sociedade burguesa. ”

A série também constrói personagens femininas ad hoc com a efervescência do movimento feminino (atual e da época), e veremos as integrantes da família Shelby participando de uma greve feminina.

Com uma fotografia e direção artística de sonhos e muito bem cuidadas, com diálogos eletrizantes que atraem não poucas lágrimas e com uma trilha sonora de guitarras elétricas poderosas, como PJ Harvey, Arctic Monkeys, Radiohead, Queens of the Stone Age ou Black Rebel Motorcycle Club, Steven Knight consegue algo muito difícil no mundo cinematográfico: uma série de ficção histórica que não é de todo panfletária, mas toda uma obra de arte.

Além disso, as grandes performances de Cyllian Murphy, Tom Hardy e Helen McCrory – o segundo demonstrando por que ele é o favorito de Knight (Locke, Taboo) – já são reverenciadas por todos os públicos internacionais. A série é exibida pela BBC Two e Netflix.

Por Ramón Morales

Tags: Geral
Amilton Farias

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista e editor do Fronteira Livre

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