quinta-feira, 7 de maio de 2026
NEWSLETTER
Fronteira Livre
Nada encontrado
Ver todos os resultados
  • Fronteira
  • Mundo
  • Política
  • Sociedade
  • Rolê na Fronteira
  • Turismo
  • Guia de Negócios
Fronteira Livre
  • Fronteira
  • Mundo
  • Política
  • Sociedade
  • Rolê na Fronteira
  • Turismo
  • Guia de Negócios
Nada encontrado
Ver todos os resultados
Fronteira Livre
Nada encontrado
Ver todos os resultados
Home Geral

Com mais de 530 células, concentradas no Sul e Sudeste, Brasil é o País onde extremismo de direita mais avança

Por Amilton Farias
28/02/2022 - 11:55
em Geral
Manifestação do grupo 300 do Brasil, de extrema direita, em frente ao Supremo Tribunal Federal em maio de 2020. Foto: Reprodução

Manifestação do grupo 300 do Brasil, de extrema direita, em frente ao Supremo Tribunal Federal em maio de 2020. Foto: Reprodução

WhatsAppFacebookTelegram

Monitoramento da Doutora em Antropologia pela Universidade de Campinas (Unicamp) Adriana Dias, aponta que São Paulo é o estado com maior presença desses grupos

Quando figuras como Bruno Aiub, o Monark, defendem aberta e publicamente o nazismo – no caso específico do YouTuber, a criação de um partido nazista no Brasil –, elas falam para um público que vem se expandindo de forma expressiva nos últimos anos. Dados da ONG Anti-Defamation League (ADL) mostram que hoje o Brasil é o País no mundo onde mais cresce o número de grupos de extrema direita, concentrados, de acordo com monitoramento da Doutora em Antropologia pela Universidade de Campinas (Unicamp) Adriana Dias, nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Os últimos dados em mãos da pesquisadora que há mais de 20 anos estuda o fenômeno, passados com exclusividade para o jornal O Globo, confirmam que São Paulo é o Estado com maior presença de grupos, chegando a um total de 137, dos quais 51 estão na capital. Também foram encontradas células de extrema direita em Piracicaba, Campinas, Ribeirão Preto e São Carlos.

Em todo o País, já são mais de 530 células extremistas que, em relatório feito nos primeiros meses deste ano, Adriana dividiu em categorias, de acordo com suas ideologias, como Hitlerista/Nazista, Negação do Holocausto, Ultranacionalista Branco, Radical Catolicismo, Fascismo, Supremacista, Criatividade Brasil, Masculinismo Supremacia Misógina e Neo-Paganismo racista. Em 2019, a especialista detectou 334 células.

No Rio de Janeiro, foram encontrados 36 grupos, 15 deles na capital. Entre os bairros cariocas com maior presença de células de extrema-direita estão Méier, Tijuca e Copacabana. Em Niterói, os pesquisadores identificaram outras duas agrupações. Uma delas se apresenta como Cali, e foi responsável pelo ataque à produtora do grupo de humor Porta dos Fundos, em 2019.

“Desde 2018, o Brasil se transformou no país com maior crescimento de grupos de extrema direita. Este fenômeno tem a ver com a eleição de Jair Bolsonaro que, num nível subterrâneo, está vinculado a estas ideologias. Hoje, estima-se que 15% dos brasileiros são de extrema direita”, afirma Michel Gherman, membro do Observatório da Extrema Direita (formado por acadêmicos de mais de dez universidades brasileiras e de outros países), professor de Sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do Instituto Brasil-Israel.

Gherman afirma que a eleição de Bolsonaro criou no Brasil uma “Disneylândia do neonazismo”, pois os que o defendem “passaram a se sentir mais à vontade”.

Segundo o professor, apesar de muitos grupos já existirem antes de 2018, o que se observava era “algo periférico”, sem a legitimidade de agora. A opinião é compartilhada por Karl Schuster, professor das Universidades de Pernambuco e Vigo, na Espanha:

“Estas mais de 530 células ganharam autorização para aparecer. A pergunta fundamental não é se estes grupos são ou não fascistas, e sim por que eles trazem para si aspectos do fascismo histórico. O que eles ganham se aproximando desses discursos?”

Schuster é especialista em História Contemporânea e acaba de lançar, junto a Francisco Carlos Teixeira, o livro “Passageiros da tempestade: fascistas e negacionistas no tempo presente”.

“Estes grupos seguem o princípio da alteridade, de negar o outro. Muitos negam o Holocausto, outros dizem que o Holocausto foi o único erro do fascismo histórico. Querem ressignificar o sentimento de culpa”, diz Schuster.

O fascismo, diz o especialista, atrai nas redes um público cada vez maior. O importante, reflete, é tentar entender por que tantas pessoas se aproximam desse discurso, e por que estes grupos estão crescendo. O professor, que também monitora o avanço da extrema direita, diz que, além de grupos, há os chamados lobos solitários, como em Pernambuco. Ele observa a necessidade de saber se tais lobos estão em contato com redes dentro e fora do Brasil.

O professor de História Contemporânea da UFJF, Odilon Caldeira, autor do livro “O fascismo em camisas verdes”, também encontrou grupos de extrema direita no Ceará, a maioria em Fortaleza. Ele afirma que “a extrema direita veio pra ficar no Brasil” e que ela busca permanentemente referências internacionais, articulações e incorporar agendas da extrema direita global:

“Nossa extrema direita tem várias facetas, vertentes, origens e tradições históricas. Um setor busca se articular em torno de Bolsonaro, mas outros vão além. Incorporam a quarta teoria política russa, assim como expressões da Ucrânia, Estados Unidos e do centro da Europa. Mesmo se Bolsonaro não se reeleger, a extrema direita permanecerá”, frisa.

Como no resto do mundo, os grupos atuantes no Brasil debatem em redes sociais nas quais se sentem mais protegidos, principalmente Telegram e VK (Vkontakte), com sede em São Petersburgo, na Rússia, que acaba de ser comprada (ou seja, nacionalizada) pelo governo de Vladimir Putin. A VK, também chamada de Facebook russo, foi fundada em 2006 pelo atual proprietário da Telegram, Pavel Durov, e tem cerca de 47 milhões de usuários russos, de acordo com dados da empresa. Putin usou uma das principais fontes de renda do Estado russo, a estatal de gás Gazprom, para adquirir uma companhia, que sempre esteve na mira de seu governo.

Em ambas as redes, não existe controle sobre a publicação de conteúdo e os usuários podem declarar livremente, sem medo a qualquer tipo de punição ou bloqueio de conta, o que pensam sobre qualquer coisa. Como explica Karina Stange Caladrin, pesquisadora do Instituto Brasil/Israel e coordenadora de Juventude da Fundação B-nai B-rith, organização internacional de defesa dos direitos humanos, “o Brasil é parte de uma onda internacional de proliferação de grupos de extrema direita, muito forte na Rússia, Hungria, Ucrânia, Polônia e EUA”.

“Existem grupos antigos, e outros mais recentes. Todos têm crescido muito. Influenciadores como Monark e políticos como o deputado Kim Kataguiri têm um público grande, principalmente jovens, que se relacionam numa bolha”, comentou a pesquisadora, que alerta para o grau de desinformação de muitos dos seguidores deste tipo de personalidades:

“Muitos têm um total desconhecimento sobre o que foi o nazismo, o que são neonazismo e comunismo. Um dos perigos é que nazismo, partindo dessa desinformação, passou a ser passível de defesa.

Existem, também, grupos mais organizados, intelectualizados e adoutrinados. No Rio de Janeiro, pesquisadores apontam relações entre grupos de extrema direita e milícias. A facilitação do acesso a armas desde que Bolsonaro assumiu a Presidência preocupa quem acompanha de perto os movimentos da extrema direita brasileira. Todos estes grupos são contrários a qualquer tipo de nova regulamentação para voltar a restringir o acesso a armas e munições.

Em São Paulo, lembra Gherman, a extrema direita começou a crescer e se fortalecer na década de 80, como reação ao movimento sindical.

“Houve, por exemplo, uma rejeição aos nordestinos, vistos como pessoas que tiravam espaço e empregos dos paulistanos “originais”. O anti-nordestinismo é fundamental para entender as origens mais recentes da extrema direita paulista”, diz o pesquisador do observatório.

A eleição de Bolsonaro, conclui Gherman, foi possível, em grande medida, “porque no Sul e no Sudeste foram desinterditados o neonazismo e a extrema direita. Já o Nordeste protege o resto do Brasil, pois é onde a extrema direita tem dificuldade de penetrar. O melhor termômetro disso é a derrota de Bolsonaro na região, em 2018. O Nordeste tem uma história de resistência e, nos últimos anos, foi, majoritariamente, antifascista”.

Tags: Geral
Amilton Farias

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista e editor do Fronteira Livre

Notícias relacionadas

Polícia Rodoviária Federal deu apoio à operação.
Ministério do Trabalho / Divulgação
Colunistas

MTE resgata trabalhadores indígenas em condições análogas à escravidão na Serra Gaúcha

09/02/2025 - 15:43

Uma operação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resultou no resgate de 18 trabalhadores indígenas em condições análogas à...

Foto: Reprodução
Colunistas

13 meninas dão à luz por dia no Paraguai; no Brasil, são 26

08/02/2025 - 14:21

Um boletim da Coordenadoria pelos Direitos da Infância e Adolescência (CDIA) revela a grave situação enfrentada por milhares de meninas...

A māe Williana de Odé, posa para foto em seu terreiro Ilê Axé Ojú Igbô Odé.
— Joédson Alves/Agência Brasil
Colunistas

Estudo revela violações contra povos de terreiro no Brasil

22/01/2025 - 17:32

Um novo relatório, intitulado "Violações contra os povos de terreiro e suas formas de luta", foi lançado pelo grupo de...

Foto: Arquivo/Agência Brasil
Colunistas

Brasil avança na redução da pobreza entre crianças e adolescentes

19/01/2025 - 13:32

Um estudo divulgado nesta quinta-feira (16) pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) revela que o Brasil conseguiu...

Foto: Arquivo e Memória MS
Colunistas

Pistoleiros atacam assentamento Olga Benário, do MST, deixando dois mortos e seis feridos

11/01/2025 - 17:17

Na noite de 10 de janeiro, o Assentamento Olga Benário, localizado em Tremembé, São Paulo, foi alvo de um ataque...

Foto: Divulgação/Médicos Sem Fronteiras
Colunistas

Médicos Sem Fronteiras suspende atividades no Hospital Universitário Bashair em Cartum

11/01/2025 - 17:02

Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciou a suspensão de suas atividades no Hospital Universitário Bashair, em Cartum, devido a ataques violentos...

Carregar mais

Rolê na Fronteira

  • Rolê na Fronteira
Evento internacional celebra a música em mais de mil cidades pelo mundo. Foto: Marcos Labanca
Rolê na Fronteira

Make Music Day 2026 confirma mais de 50 espaços culturais em Foz do Iguaçu

Por Amilton Farias
07/05/2026 - 12:25

Foz do Iguaçu (PR) — A edição 2026 do Make Music Day em Foz do Iguaçu promete ser a maior...

Ler mais
Além da questão climática, a programação considera perspectivas para os setores público e privado. Foto: William Brisida/Itaipu Binacional.

Biodiversidade e negócios entram em debate na Itaipu

07/05/2026 - 11:33
Foto: Divulgação.

Crazy Week 2026 terá esquema especial e ruas fechadas em Ciudad del Este

06/05/2026 - 11:53
Carregar mais

Últimas Notícias

Foto: Divulgação.
Turismo

Dia das Mães movimenta comércio e amplia busca por presentes no Catuaí Palladium

Por Steve Rodríguez
07/05/2026 - 13:24

Foz do Iguaçu, PR - A proximidade do Dia das Mães, celebrado neste domingo (11), intensifica o movimento no comércio...

Foto: Receita Federal.

Receita Federal apreende 500 quilos de maconha na Ponte da Amizade

07/05/2026 - 12:32
Sala de Despacho de Carga. Foto: Sara Cheida/Itaipu Binacional.

Itaipu chega aos 42 anos com recorde de geração de energia

07/05/2026 - 12:09
Foto: Divulgação.

Super Muffato inicia campanha com facas MasterChef

07/05/2026 - 12:00
Eles concorreram com estudantes de outras universidades, mas como foram bem colocados na classificação geral, "tomaram" quase todas as vagas. Foto: Divulgação.

Unioeste tem 7 estudantes selecionados para intercâmbio em Nova York

07/05/2026 - 11:50
Foto: Polícia Federal.

PF intercepta carga com 2,3 toneladas de maconha na BR-277

07/05/2026 - 11:41

EDITORIAS

  • Fronteira
  • Mundo
  • Política
  • Sociedade
  • Rolê na Fronteira
  • Turismo
  • Guia de Negócios

RECENTES

Dia das Mães movimenta comércio e amplia busca por presentes no Catuaí Palladium

Receita Federal apreende 500 quilos de maconha na Ponte da Amizade

Make Music Day 2026 confirma mais de 50 espaços culturais em Foz do Iguaçu

Itaipu chega aos 42 anos com recorde de geração de energia

MAIS LIDAS DA SEMANA

A loba e o molho latino

Quando o mercado transforma trabalhadores em “colaboradores” sem dividir o lucro

Clássico do cinema brasileiro expõe as contradições dos trabalhadores em tempos de crise

Ato do 1º de Maio em Foz do Iguaçu leva trabalhadores às ruas contra a jornada 6×1

Portal Fronteira Livre - Criação Web Tchê Digital

  • Política de privacidade
  • Contato
  • Midia Kit
  • Sobre o Fronteira Livre
Nada encontrado
Ver todos os resultados
  • Fronteira
  • Mundo
  • Política
  • Sociedade
  • Rolê na Fronteira
  • Turismo
  • Guia de Negócios

Portal Fronteira Livre - Criação Web Tchê Digital

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist