Uma pesquisa encomendada pelo Observatório do Clima e Greenpeace Brasil mostra que os brasileiros estão bastante preocupados com as mudanças climáticas e com a possibilidade de o governo não compartilhar desse mesmo temor.
De acordo com o levantamento, 95% dos cidadãos acreditam a hipótese desses impactos negativos já afetarem o país. As crises de água e de energia são apontadas como problemas relacionados diretamente com o tema.
Dentro desse contingente, 74% dos consultados apontam que as alterações climáticas têm muito a ver com a falta de água e de luz. Ainda segundo essa análise – feita pelo Datafolha a pedido das duas entidades -, o governo nada faz ou realiza muito pouco para enfrentar o transtorno para 84% dos entrevistados. O instituto ouviu 2.100 pessoas em todas as regiões do Brasil.
“O cidadão médio tem um ótimo nível de entendimento das causas da mudança climática e de seu impacto sobre o cotidiano da população e mostra que está insatisfeito com o baixo grau de prioridade dado pelo governo a esse tema, crucial para o desenvolvimento do país”, avalia Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima.
Sobre a atuação do governo em torno do tema, a pesquisa encomendada pelas duas entidades destaca que os brasileiros assumem uma percepção bastante crítica sobre o assunto. Para 48%, as autoridades federais fazem menos do que deveriam em relação às mudanças climáticas. Outros 36% dos consultados destacam que os órgãos governamentais não fazem nada. Os brasileiros mais críticos se encontram nas regiões Norte e Nordeste.
O levantamento salienta que mais de dois terços dos consultados (66%) apontam a necessidade do Brasil de assumir uma posição de liderança para enfrentar o problema em nível internacional. No Nordeste, esse percentual alcança 74%.
A pesquisa confirmou ainda a existência de um bom entendimento das causas das mudanças climáticas por parte dos consultados. Após apresentados os nove principais motivos para o problema, os pesquisados apontaram com mais frequência o desmatamento, queima de petróleo, atividades industriais, queima de carvão mineral e tratamento de lixo. Para efeito de teste, a análise incluiu dois fatores que nada têm a ver com alterações do clima.
Por outro lado, esses itens ficaram entre os menos apontados pelos entrevistados. Esses assuntos são o El Niño e mudanças no comportamento do sol. “Esse resultado é significativo porque mostra que a tentativa de negar o tema não colou no Brasil”, avaliou Rittl.
A pesquisa foi realizada pelo Datafolha entre os dias 11 e 13 de março deste ano. O instituto usou a metodologia quantitativa, com entrevistas pessoais e individuais em pontos de fluxo populacional de 143 municípios de pequeno, médio e grande porte. Foram ouvidas pessoas com mais de 16 anos. A margem de erro para o total da amostra é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Vontade de resolver o problema
Por outro lado, os entrevistados também demonstraram a vontade de buscar formas de resolver o problema. Entre as soluções apontadas, destacam-se a redução do desmatamento, melhorias no transporte coletivo e investimentos em energias renováveis. Mais de 80% dos brasileiros acham que essas ações inclusive trarão benefícios para a economia do país.
O levantamento aponta, ainda, que 62% dos entrevistados estão dispostos a instalar a microgeração de energia solar em casa. O sistema é conhecido por 74% da amostra. Diante da hipótese de ter acesso a uma linha de crédito com juros baixos e a possibilidade de vender o excesso de energia para a rede elétrica, o percentual de interessados sobe para 71%.
“Há uma percepção bastante clara de que a microgeração de energia solar beneficia o cidadão e o país”, explica Ricardo Baitelo, coordenador de Clima e Energia do Greenpeace Brasil. Atualmente, a microgeração de energia enfrenta vários entraves como, por exemplo, a forma como o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) incide sobre a geração de eletricidade do cidadão que escolhe produzir sua própria energia. Outras questões, como a criação de linhas de financiamento com baixos juros, também precisam ser resolvidas.
Leia a íntegra da pesquisa aqui.
















